Quando surge uma nova edição de um sistema de RPG, não é raro ouvir reclamações dos fãs que, por algum motivo, preferem a edição antiga. A resposta usual para este tipo de reclamação é: “mas os livros da edição anterior não vao desaparecer, você pode continuar jogando a edição antiga!”. Isso é verdade, desde que os livros estejam a venda!

GurpsPois bem, a Terceira Edição de GURPS tem o suporte de mais de 250 títulos. Com a chegada da Quarta Edição, a Steve Jackson Games decidiu facilitar o acesso dos fãs a esses livros, cortando o preço dos suplementos de 128 páginas para U$9,95. A boa notícia para os leitores da REDE RPG é que, com isso, temos em mãos diversos suplementos para serem resenhados. O primeiro é GURPS Reign of Steel, de David Pulver.

O livro, publicado inicialmente em 1997 e reimpresso em 2003, traz uma criação surpreendente de um dos mais prolíficos autores de GURPS, co-autor dos livros básicos da nova edição e de diversos sucessos da Terceira Edição. GURPS Reign of Steel é uma ambientação futurista de tons sombrios e pessimistas, com diversos elementos que aludem às temáticas cyberpunk e apocalíptica. Na história do cenário, cujos acontecimentos são detalhados até o ano de 2047, o mundo assistiu a uma Final War entre humanos e robôs comandados por Inteligências Artificiais despertadas de modo autônomo. O argumento central lembra bastante o da série de filmes Terminator, mas as semelhanças param por aí. Em GURPS Reign of Steel, ao contrário do filme, não há mais guerra: os humanos já perderam, arrasados por conflitos internos e epidemias causados pela manipulação das IA e por um exército de robôs comandados por inteligências letalmente eficientes em massacre e extermínio.

O cenário global imaginado por Pulver é dividido em 18 Zonas, cada uma controlada por uma IA (na verdade são 16 Zonas na Terra, uma no espaço orbital e outra na Lua). As IA têm visões de mundo bastante distintas entre si, e as Zonas por elas regidas demonstram essas diferenças: enquanto a IA da Zona Mexico está ativamente destruindo toda forma de vida biológica, na Zona Paris os poucos humanos sobreviventes são mantidos como escravos para construir mega-projetos de pesquisa espacial e, na Zona Washington, um dos poucos bolsões de resistência da civilização humana é manipulado de forma a difundir a crença de que “resistem” ao avanço robótico com sua IA “domada”. Por todo o mundo, grupos de resistência tentam se organizar, sobrevivendo como podem entre terrenos arrasados por poluição industrial, resíduos nucleares, natureza selvagem, ruínas contaminadas por terríveis doenças, robôs exterminadores e traidores colaboracionistas. Apesar do evidente pessimismo que marca cada página de GURPS Reign of Steel, as possibilidades de campanha são muitas, e Pulver faz pipocar ao longo do texto, de modo quase imperceptível, uma série de opções de aventuras em que os personagens podem fazer a diferença nesse mundo quase perdido. O tipo e o tamanho da diferença, claro, depende das escolhas e do estilo de jogo de cada grupo, mas o autor consegue misturar de modo bastante satisfatório elementos realistas e cinematográficos, deixando opções abertas para praticamente qualquer tipo de campanha.

Por Marcelo “Tocaio” Cortimiglia

Artur Teixeira

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