“A história da espada é a história da humanidade”
— Sir Richard Francis Burton

A mais icônica arma já criada pela humanidade, a espada é um símbolo de poder, riqueza e status que mantém sua aura mística e heroica até os dias de hoje, quem não se maravilha quando vê uma bela peça exposta num museu, ou uma dessas armas figurando num filme épico? Sua importância é tão grande na história do homem que ela diversas vezes o acompanhou em sua mais dura jornada, através da morte para o pós-vida, sendo companheira fiel de guerreiros desde a mais longínqua antiguidade como os sítios de Sutton Hoo, o ópido de Glauberg ou os montes do cemitério de Vendel, outras vezes sendo enterrada juntamente com objetos “mágicos” como as o disco de Nebra.

Um breve histórico da espada

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Um exemplo de rapieira de bronze, é possível se notar tanto a parte central mais espessa (ridge) como os rebites que seguram a lâmina no punho.

A espada acompanha o homem europeu há aproximadamente 3.600 anos, quando surgiram as primeiras rapieiras de bronze, apesar das espadas em forma de foice, como o famoso Kopesh datarem do terceiro milênio antes da Era atual, algo como uns 4 mil anos, mas como elas são muito mais próximas da ferramenta agrícola e dos machados de batalha do período além de serem normalmente mais curtas que uma espada preferi deixa-las fora dessa classificação. As primeiras rapieiras de bronze foram uma evolução natural das adagas de bronze anteriores e de suas antepassadas, as facas feitas em sílex e obsidiana (um tipo de vidro vulcânico muito duro e afiado). Estas espadas ganharam o nome de rapieiras devido a uma interessante característica, sua construção (basicamente elas eram fundidas em moldes de pedra ou barro cozido) não incluía um espigão – aquela parte da lâmina que se estende para o interior do punho da espada – fazendo com que a lâmina da espada fosse presa ao cabo, normalmente também feitos de bronze, por rebites, esse tipo de construção acaba tornando-as um tanto frágeis para serem usadas em cutiladas, sobretudo os primeiros modelos, então acredita-se não apenas por esse indício mas por muitos outros, como a estruturação das lâminas (com fullers e ridges cuidadosamente criados de forma a darem resistência às lâminas, sobretudo para a perfuração, sem sacrificar um peso balanceado) que estas primeiras espadas eram sobretudo usadas para perfurarem. O bronze foi o passo mais importante para que a espada pudesse finalmente figurar nos campos de batalha, a pedra, apesar de extremamente afiada (alguns estu

dos mostram que lâminas de obsidiana e sílex, quando preparadas por alguém especializado no trabalho, podem ter espessuras de até 0,1 micra, para se ter uma ideia do que isso significa, um bisturi moderno tem um fio com espessura aproximada de 0,3 micra) não podia ser usada na produção de peças muito grandes, já que era suscetível a se quebrar, enquanto que o cobre era mole demais, perdendo o fio rapidamente e entortando com pouco esforço, foi só com a descoberta da liga de bronze que pode-se finalmente ter em uma mesma peça flexibilidade e resistência suficiente para a criação de lâminas maiores.

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Outro modelo de espada de Bronze, esta num formato bastante comum de folha, podemos ver a evolução da espada com o surgimento do espigão, esta peça é uma réplica da espada Limehouse.

Com o tempo começam a aparecer outros modelos de lâminas, notadamente o modelo de folha, muito apreciado posteriormente pelo gregos e que se caracteriza pela lâmina mais larga e fina na proximidade da ponta e mais estreita e grossa perto da guarda, que era eficiente tanto para o corte como para a estocada, essas espadas ainda não possuíam espigões, mas como uma tentativa de evitarem que estas se partissem era comum que fossem presas por mais rebites que suas antecessoras, com o tempo, em algum momento nas proximidades do século 8 antes da Era Atual, surgiram os espigões, acréscimo que deu uma grande vantagem mecânica às espadas, agora elas podiam ser brandidas em cutiladas com mais firmeza, sem o medo de que estas se quebrassem, apesar de devido às limitações do material elas ainda tivessem um certo limite de tamanho. Nesse período surgiram espadas que caminharam nas duas direções, ficando mais curtas e largas como o xyphos grego e os modelos mais longos e proporcionalmente mais estreitos, estas escolhas estavam ligadas sobretudo à forma que a arma era usada – os gregos consideravam a espada uma arma secundária, dando preferência à lança, mais eficiente numa formação hoplítica e portanto precisavam de uma arma que fosse capaz de ser sacada numa situação de pouco espaço, por isso as lâminas menores eram preferidas – essa evolução acabaria resultando em dois modelos bem distintos de espada, os xyphos e gládios, mais curtos, apropriados sobretudo para perfurarem e serem usados num combate em grandes grupos, com pouco espaço entre cada combatente e as espadas mais longas usadas tanto a cavalo – como as falx gregas, e a spatha romana – ou em combate no solo, mas em formações mais dispersas – os celtas, até entrarem em contato com os romanos e suas táticas de combate, eram famosos por suas cargas ensandecidas e pela preferência pelos combates individuais – e acabando por entrarem na Idade do Ferro já bem definidas. No oriente, em especial na China, as espadas entram em cena sobretudo no primeiro milênio antes da Era atual, e alcançam seu ápice construtivo durante os chamado Período do Estados Guerreiros, estes primeiros modelos são as antepassadas das espadas chamadas Jian e sua beleza é impressionante, os chineses possuíam técnicas especiais de construção e eram capazes de controlar e misturar os diversos tipos de ligas de bronze para assim obterem lâminas que possuíam características diferentes de acordo com as partes que a compunham, mais duras no fio e mais macias e flexíveis no centro. O ápice dessa incrível habilidade dominada pelos chineses na construção de suas espadas de bronze a chamada espada de Goujian, que após ficar mais de 2 mil anos enterrada, quando foi encontrada em 1965 não só não mostrava nenhum sinal de ferrugem, como ainda estava impressionantemente afiada. A espada reta de dois gumes é tão importante dentro da cultura chinesa que ela é classificada como uma das quatro grandes armas – sendo conhecida como “o cavalheiro das armas” – e tende inclusive versões cerimoniais feitas inteiramente de jade, um importante material dentro da cultura religiosa e mítica da China.

A espada de Goujian, o ápice da técnica chinesa de fundição de bronze.

A espada de Goujian, o ápice da técnica chinesa de fundição de bronze.

A capacidade de fundir o ferro trouxe uma grande quantidade de melhorias para a produção das lâminas e levou as espadas a um novo salto qualitativo, é nesse período que o gládio evolui e se torna uma das armas mais temidas do campo de batalha – diferentemente dos gregos, os romanos usavam o gládio como arma principal, suas lanças, os pugios, eram usados antes do choque frontal, cabendo a estas terríveis espadas a maior parte do “trabalho sujo” – no outro extremo estão as espadas célticas e germânicas, notadamente mais longas e que para poderem superar as limitações do ferro (que apesar de ser mais forte e mais leve que o bronze, ainda era sujeito a uma série de problemas, incluindo ser difícil encontrar um equilíbrio entre dureza e flexibilidade) forçaram os ferreiros destes povos a procurarem soluções, entre elas a mais bem sucedida e famosa é o chamado pattern weldding – um processo físico onde o ferreiro solda a quente barras de ferro mais mole e mais duro (apesar de ainda não ser propriamente aço, processo pelo qual o ferro era obtido criava variações que deixavam este mais mole ou duro devido a quantidades diferentes de carbono no produto final) e depois a torcia de forma que estes se misturavam, em seguida estas barras eram unidas por calor e por ultimo usavam-se barras de “ferro duro” para criar o fio das lâminas. Esse processo é o antecessor do chamado aço de Damasco, um tipo de combinação muito mais complexa do que o pattern weldding, onde o aço em vez de ser simplesmente torcido e soldado ele é dobrado sobre si mesmo diversas vezes, o processo de produção do verdadeiro aço damasco se perdeu, mas hoje em dia os apreciadores de cutelaria artesanal criam belíssimas peças com características semelhantes através de um processo semelhante, essas lâminas são chamadas damasquinadas ou damasquinas em homenagem à técnica perdida.

John Clements

John Clements, um dos maiores especialistas atuais em esgrima medieval e renascentista, segura em suas mãos uma espada autentica do século XV, estas espadas eram bem maiores que as suas irmãs medievais.

O ferro trouxe um salto fundamental para a produção das espadas, mas foi a evolução das armaduras que as levou ao seu ápice. Durante quase um milênio, após o desenvolvimento do espigão, a espada se tornou uma arma de cutiladas (segundo Vegécio, os legionários deveriam usar a ponta de suas espadas para perfurar e não o corpo para golpear, mas aparentemente esse não era o padrão do que acontecia nos campos de batalha) a força mecânica desenvolvida por um golpe de cutilada tende a ser muito maior do que o que podemos obter com uma perfuração. Essa força era suficiente para, quando aplicada por um guerreiro treinado, atravessar até mesmo armaduras de malha (apesar de não ser exatamente uma coisa simples de ser feita). Porém mesmo o guerreiro mais forte provavelmente teria sérios problemas para poder simplesmente atravessar uma placa de metal com uma cutilada (para falar a verdade, de uma forma geral as espadas não são armas muito apropriadas para enfrentar um adversário completamente coberto por chapas de metal) e por causa dessa evolução as espadas começaram a mudar de formato e comprimento (aliado também a uma melhora na obtenção do ferro) enquanto alguns modelos de espada continuaram a se tornar mais longas, grossas e pesadas, ultrapassando os dois quilos de peso total, outras começaram a ficar mais afiladas, com corpos mais rígidos, de forma que mais força pudesse ser aplicada no movimento de perfuração. Esse segundo grupo, inicialmente formado por espadas relativamente longas, que podiam ser seguras tanto com uma quanto com duas mãos, as espadas de guerra (assim chamada na época “epées de guérre”) hoje conhecidas como espadas bastardas, com o tempo elas passaram a ser usadas de forma diferente, enquanto a esgrima ocidental evoluía e se adaptava (com o fim do uso extensivo de armaduras os espadachins ganharam velocidade e mobilidade, o que resultou num estilo mais rápido e que dependia de ataques e defesas ágeis, mais do que força bruta ou simplesmente resistência) essas espadas evoluíram para as rapieiras e floretes, enquanto o primeiro grupo, formado por espadas maiores e mais pesadas evoluiu lentamente para as espadas de duas mãos, mais comuns na Renascença do que na Idade Média) e para as espadas de execução e parada, monstruosidades que ultrapassavam 1,50 de altura e chegavam a pesar mais de 3 quilos, feitas muito mais para demonstrarem poder e status do que realmente para serem armas do campo de batalha.

A espada e a nobre arte da esgrima

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Uma reprodução de um dos fólios do Ms. I.33, mais conhecido como manuscrito da torre, o primeiro manual de esgrima ocidental conhecido.

É inegável que a mudança do equipamento defensivo e da melhora técnica dos materiais foram dois dos maiores impulsos que levaram as espadas a se transformarem ao longo dos séculos, porém outro fator não pode ser esquecido, a própria arte de manejar a espada. O primeiro manual de esgrima ocidental conhecido data do fim do século XIII ou do começo do XIV, apesar de existir alguma descrição e certas imagens em vasos que remontem ao mundo greco-romano, muito pouco pode ser extraído (menos até do que dos manuscritos medievais) portanto pode-se considerar que o primeiro manuscrito a tratar de forma clara a arte da esgrima é medieval. Conhecido como MS I.33, ou o manuscrito da Torre (referência ao local que era guardado até 1996, a Torre de Londres, após isso foi transferido para o Royal Armouries de Leeds). Esse primeiro manuscrito é composto por 32 fólios de pergaminho (64 folhas) com desenhos feitos à aquarela, cada desenho é acompanhado por um pequeno texto em latim intermediado com termos germânicos de esgrima, em todas as imagens ambos os personagens são representados usando um broquel e uma espada conhecia genericamente em inglês pelo nome de arming sword (não existe exatamente um termo em português que reflita o sentido dessa expressão já que as arming swords não eram o único tipo de espadas de uma mão existentes, mas poderíamos considerar como semelhante o termo “espada curta”). O próximo manuscrito em linha cronológica a sobreviver até os dias de hoje é de origem italiana e foi escrito pelo mestre Fiore Furlano de Cividale d’Austria, delli Liberi da Premariacco, resumidamente chamado de Fiore dei Liberi, seu trabalho sobreviveu em uma série de manuscritos, escritos tanto em latim quanto em italiano e que são agrupados sob os nome de Fior di Battaglia, Flos Duellatorum e Florius de Arte Luctandi (todos podendo ser traduzidos de forma simplificada por “A flor da batalha”) além de dois pequenos manuscritos, também atribuídos a ele que não possuem nome. O trabalho de Fiore dei Liberi se destacou por ser o primeiro manuscrito conhecido que apresenta não apenas alguns movimentos e comentários, mas todo um sistema de ensino da arte da esgrima em seus diversos níveis (indo do combate desarmado e sem armaduras até a luta sobre cavalos completamente equipados) tudo acompanhado por explicações compostas em forma de versos rimados (os medievais adoravam ensinar por meios crípticos). Fora esses dois trabalhos, o fim da idade média e renascimento conheceu ainda muitos outros mestres renomados na arte da espada (para aqueles que acham que isso é privilégio do oriente) sendo que muitos deles provinham da chamada escola alemã de esgrima, da qual inclusive se origina o MS I.33 (diferente da escola italiana por alguns movimentos e posições mas nada relevante para esse texto) entre estes podemos destacar Hans Talhoffer, Johannes Liechtenauer, Sigmund Ringeck, Hanko Döbringer, Peter Von Danzig e Paulus Kal.

Na Renascença e nos períodos posteriores a esgrima cada vez mais se sofisticou e evoluiu até chegar no que hoje chamamos de esgrima olímpica, com certeza bastante diferente dos primeiros manuais (inclusive em inglês a palavra usada para esses primeiros manuais é swordsmanship, enquanto que a esgrima pós séc. XVI mais ou menos, é conhecida como fencing), de forma a atender não apenas uma mudança estética ou cultural, mas as próprias necessidades daqueles que usavam as espadas (existem manuais de diversos períodos, que mostram combatentes com espadas, sabres e os chamados “espadões” – as clássicas espadas de duas mãos – além de versões lutando com uma adaga ou main gauche, capas ou apenas com a própria espada).

A espada e seu aventureiro

Quando jogamos RPG, sobretudo numa ambientação medieval fantástica, muitas vezes banalizamos muitos dos aspectos que deveriam ser a grande diferença do cenário, em especial os próprios jogadores e seus bens, quem nunca jogou uma mesa onde as aventuras pipocam de cada esquina e que existem tantos aventureiros que isso é uma espécie de profissão ( Aham… Pathfinder Society?) com tantos aventureiros é impressionante que ainda existam tumbas, ruínas e castelos a serem explorados, nesses mundo o último dragão não deveria estar voando livremente e aterrorizando as pessoas e sim escondido em sua caverna e chorando, porque existe uma verdadeira tropa de aventureiros experientes, portanto uma dúzia de armas mágicas cada um prontos para acabarem com a raça do pobre coitado. O que quero dizer é que se essa banalização atinge os jogadores e seus personagens, como ela não atingiria aos seus bens, em especial suas armas?

Num cenário devidamente adequado portar uma espada já deve ser algo em especial, ela deve representar não apenas uma ferramenta de trucidar monstros, pessoas, velhinhas, gado e o que mais o personagem ver a sua frente e sim uma arma de status. Uma espada consome muito mais material para ser forjada do que uma cabeça de machado, uma ponta de lança ou a cabeça de um martelo de guerra, só por esse motivo ela já deve ser mais cara do que as demais armas. No Japão feudal portar um conjunto de espadas (katana e wakizashi) era um sinal de que aquela pessoa fazia parte de uma determinada classe social (e portanto lhe dava direitos que as outras pessoas não tinham), os cavaleiros medievais não eram obrigados a deixar suas espadas do lado e fora nem mesmo da Igreja, já que estas representavam o seu próprio status em algum grau (o próprio rito do adubamento do cavaleiro – quando ele era reconhecido como um adulto pleno – era marcado depois de um certo período por uma espaldeirada – um golpe com a lateral da espada sobre um dos ombros do jovem cavaleiro – mostrando a importância da espada para a ritualística da classe guerreira medieval).

Não proponho que cada espada que apareça no cenário seja especial ao ponto de ter nome, poderes e fazer com que todas as pessoas se curvem diante do seu portador como se ele fosse Zeus atirando raios em pobres mortais, mas que esta arma ganhe um pouco mais da sua poderosa mítica. Se um personagem começar com uma espada que pertenceu a um parente, mesmo que ela seja um porcaria, lembre-se de ressaltar o quanto ela é valiosa pelo simples ato de existir, faça com que o personagem sinta o peso de ter em mão tal arma logo de começo e não exite, caso o jogador mereça, em dar até mesmo poderes para essa arma se ele se demonstrar fiel a ela, não trocando-a pelo primeiro porrete +1 que ele achar pelo caminho. Para quem é mais velho, ou fã de Conan, provavelmente se lembrará não apenas de duas das mais icônicas cenas com uma espada (na minha opinião) que já foram feitas em um filme (a forja da espada pelo pai de Conan e a cena em que ele encontra a espada atlante dentro de uma caverna e a usa para se livrar de seus grilhões) como também da própria importância que a arma adquire nas mãos do personagem principal, o tempo todo (pelo menos para mim) fica muito claro que a espada tem quase uma conotação mágica, é o segredo do aço que leva Thulsa Doom até a Ciméria.

Ao pensar em uma espada realmente especial (na verdade em qualquer arma que não seja só mais uma no cenário) tenha em mente não apenas os poderes, mas uma história e um porque dela existir, muitas vezes os poderes de uma espada podem ser menos importantes do que seu próprio peso histórico dentro do cenário, talvez portar tal arma seja mais uma honra (ou maldição) do que realmente uma diferença no campo de batalha, apesar de um não excluir o outro.

Seja nas mãos dos aventureiros seja na mão de um grande vilão ou personagem importante para a trama, a espada é uma arma icônica na fantasia medieval, sua história remete a poder, nobreza e feitos lendários (todos nós crescemos com histórias de grandes heróis e suas espadas) e saber como levar esse poder pra dentro de sua história pode torná-la épica, mostre aos seus jogadores que aquela arma é mais do que isso, que ela tem uma história, de certa forma ela tanto um NPC quanto um equipamento, e sem dúvida esse é o grande poder que estas armas oferecem, nos fascinando ainda hoje, num mundo de armas automáticas e de destruição em massa, a figura de um herói empunhando sua espada ainda é capaz de nos passar, pelo menos parcialmente, aquela mesma sensação de poder que no passado lhe pertenceu de forma inconteste.

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