Desde os tempos mais primordiais do nosso passatempo, as armas de ataque à distância (ranged weapons), sempre tiveram grande vantagem tática: fique de longe atirando flechas, dardos e balas de funda enquanto o inimigo se aproxima, emulando assim uma tática real de batalha. Mesmo que o dano não seja tão grande dentro das regras do jogo, a eficácia e a segurança geralmente compensam.

Em tempos de D&D 5.ª edição, se você conferir a página 149 do Player’s Handbook (tabela de armas), irá ver que o Arco Longo causa 1d8 de dano, o mesmo que a Espada Longa (usada com uma mão) e a Besta Pesada causa 1d10, estrago significante dadas as condições. Dano maior que 1d10, com as armas corpo-a-corpo, apenas o Greataxe (1d12) e a Greatsword (2d6). Sendo assim, armas de ataque a distância enchem os olhos. Mas raramente pensamos nas desvantagens desse tipo de ataque na mesa de jogo:

Primeiro, o Mestre deve considerar que as mesmas vantagens que o grupo usufrui, os inimigos também o fazem. Logo, pense em criar um encontro onde simples orcs aparecem por cima das ruínas de um castelo fazendo chover flechas em cima do grupo ou o encontro com quatro harpias que ficam voando, disparando flechas. Você verá o grupo rapidamente buscando refúgio ou perdendo suas ações trocando de arma ou mesmo de tática.

Segundo, armas de ataque a distância sendo utilizadas em combate corpo-a-corpo causam ataque de oportunidade (no caso da 3.ª e 4.ª edição) ou desvantagem (5.ª edição).

Terceiro (e motivo desse artigo), o Mestre deve conhecer o conceito de Linha de Tiro ou Linha de Visão.

Em inglês, Line of Fire ou Line of Sight, é uma linha imaginária traçada do centro do quadrado do ALVO até o centro do quadrado do ATACANTE. Se essa Linha passar por algum obstáculo, o Mestre pode considerar o alvo sob cobertura ou mesmo impossibilitar o ataque.

Saia da frente seu burro!

Saia da frente, seu burro!

Vamos ver um exemplo prático? Na foto ao lado, dois intrépidos aventureiros (um bárbaro e um ranger) enfrentam saqueadores em seu esconderijo, num belo fim de tarde.

Dois malfeitores já se encontram engajados com o Bárbaro que já começou o encontro bastante ferido. Atrás está nosso Ranger, pronto para distribuir morte à distância. Nessa hora, o Mestre se lembra deste texto e diz que o Ranger não possui Linha de Tiro, ou seja, o Bárbaro está na frente dos alvos. Por fim, o Ranger terá que se deslocar, mudar de alvo (talvez acertar o bandido que está na porta de saída) ou bolar outro plano, pois o Bárbaro está quase tombando. Nesse caso, o que você, como Mestre, faria? O Ranger atacaria em desvantagem, receberia uma boa penalidade ou simplesmente não poderia efetuar o disparo?

Não há uma resposta certa. No fim, este artigo é apenas para enriquecer taticamente seu jogo e fornecer uma “carta na manga” para o Mestre. Além disso, irá intimidar os Power Gamers de plantão, que querem ficar atrás da pilastra matando seus pobres monstrinhos.

Obs.: não se esqueça que esse raciocínio pode ser usado até mesmo para lançar magias!

Abraço e bons jogos para todos!

Trabalha com Cinema e TV desde 2005 e joga RPG desde 1994, ao qual mantém uma relação de amor e ódio com D&D. Dono do podcast de cultura pop Dimensão 7.

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