Salve, salve, minha galera taberneira deste país que não deixa o RPG morrer, apenas dá um descanso para preparar novas aventuras! Cheguem mais perto da lareira que os aperitivos já estão saindo.

Antes de mais nada eu quero aqui agradecer ao espaço que o Notícias da Terceira Terra abriu para a minha nova produção: O Conto do Paladino. O Marcelo deu um leap of faith nesse novo mundo prosaico em que eu estou me metendo. Espero que todos tenham gostado. Enviem as suas críticas para podermos sempre melhorar e afinar o texto ao mundo rpgístico.

A pedida de hoje é um velho companheiro de final de infância e início de adolescência: o livro-jogo. É engraçado que não escutemos mais falar tanto desses companheiros de dias solitários, mas há editoras nacionais que estão dando um revival neles.

É um tanto quanto frustrante quando se é um adolescente, nerd e cheio de tesão para jogar aquela mesa de RPG com a galera e ter umas boas horas de diversão e, na verdade, nenhum dos seus amigos mais próximos sequer saber o que é um RPG. Assim era quando eu tinha 13 anos e vivia em um lugar em que as pessoas tinham o senso muito comum e a cabeça obtusa ao novo. Nesses tantos idos, eu assistia Jornada nas Estrelas, Além da Imaginação, Arquivos X e outras nerdices no canal USA; o computador mal rodava o Windows versão 3.11 (apesar de não ser tão velho assim: à época do Win ’95 eu ainda tinha um 3.11) e a internet era algo que somente pessoas bem ricas tinham…

Passando esses perrengues todos, uma alma caridosa que mestrava Tagmar na escola me apresentou o consolo do livro-jogo. É engraçado pensar que eu, na sétima série do fundamental em 97 jogava Tagmar no recreio e na saída da escola. Ainda é meu RPG favorito, mesmo sendo tosco. Vocês sabem, a primeira vez a gente nunca esquece. Tive a felicidade de me deliciar dias a fio com a série Aventuras Fantásticas, as aventuras e Ian Livingston e o Steve Jackson britânico. Essa safra de diversão solitária veio um tempo depois do lançamento do Dungeons & Dragons. Ela saiu em 1987 e dez anos depois fazia as minhas tardes e os meus finais de semana mais interessantes.

Eu possuía a coleção quase completa, mas citarei apenas os que eram os meus favoritos: A Cidadela do Caos, A Cidade dos Ladrões, O Feiticeiro da Montanha de Fogo, A Nave Espacial Traveller, Encontro Marcado com o M.E.D.O e a Cripta do Vampiro. Eu disse possuía, pois aqueles que, como eu, vivem em locais onde o RPG é coisa “do demônio”, entenderão o motivo de o verbo estar no passado. Joguei muito e estou feliz por estar reerguendo a minha coleção. A Jambô Editora está relançando os títulos e, por honra e prazer, já comprei os meus A Cidade dos Ladrôes e A Cidadela do Caos. Ainda não canso de me divertir com esses livros.

É bizarro que essa molecada altamente informatizada esteja perdendo essa oportunidade. É uma pena, pois só quem já passou por esse “isolamento” entenderá o verdadeiro mérito que está entranhado nesses livrinhos. Deixemos um pouco de lado os MMO e os video games e retomemos o mundo maravilhoso da nossa imaginação diante das nossas mesas favoritas.

Eu me despeço por aqui e até o nosso próximo encontro aqui na taberna de sempre, onde os aperitivos não são de todo ruins, a bebida nem tão amarga e o papo é dos melhores. Um abraço a todos e vida longa ao RPG!

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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