Por que essas coisas não foram publicadas aqui quando eu era criança?

star-frontiers_1Fronteiras Estelares (ou Star Frontiers, no original), da TSR, foi uma das várias incursões no espaço sideral da empresa fundada por Gary Gigax e Dave Anerson. Publicado em 1982, o cenário de Star Frontiers era uma região perto do centro de uma galáxia espiral (se é a nossa ou não, interessa pouco). O método de viagem interestelar permitia que as naves espaciais pulem “O Vácuo”, um reino hiperespacial que encurta a distância entre dois pontos.

O cenário básico descrevia uma região do espaço chamado de “O Setor Fronteiriço”, habitado por quatro raças inteligentes (Dralasitas, Humanos, Vrusk e Yazirianos), que se uniram para formar a Federação Planetária Unida (“United Planetary Federation”, ou UPF, em inglês). Como os mundos-natais de Dralasitas, Humanos e Vrusk não são descritos em livro algum, podemos assumir que eles não mais existiam. Um grande número de sistemas estelares apresentados no mapa do livro básico eram inexplorados e não detalhados, permitindo que o Árbitro (como o DM é chamado no livro) utilizasse-os como desejar. As quatro raças foram eventualmente modificadas (ainda que pouco) e reutilizadas em Spelljammer e, posteriormente, a Wizards of the Coast republicou-as como originalmente foram descritas no suplemento d20 Future.

star-frontiers_2Os jogadores podiam escolher vários papéis no cenário, apesar tenderem a ser agentes contratados (i.e. aventureiros) pela corporação Pan-Galáctica para explorar a Fronteira e lutar contra incursões agressivas de uma raça alienígena semelhante a minhocas, conhecida como os Sathar. A maior parte dos módulos publicados seguiam esses temas.

Ao contrário do D&D e do AD&D, Star Frontiers utiliza um sistema de porcentagem rolando-se dois d10 e comparando-se com valores como Força, Destreza, Intuição e Liderança (num total de oito atributos). Perícias, por sua vez, vão dos valores 1 a 6, com sub-perícias não muito diferentes do que veríamos em GURPS, Shadowrun ou Æon Trinity. Uma vez que o cenário era fortemente centrado no combate, os personagens são bastante duráveis, sendo capazes de resistir a vários tiros de armas de raios antes de caírem inconscientes. Cada jogador melhorava seu personagem gastando pontos de experiência para aumentar atributos e perícias.

star-frontiers_3Star Frontiers viveu até 1985 através de produtos oficiais, e uma grande reestruturação das regras foi interrompida pela metade. Mas até hoje o sistema e cenário é jogado, recebendo constantes suplementos e atualizações pelos fãs, que publicam seus trabalhos no formato de e-zines e em fórums. Interessados devem procurar pelo projeto “Star Frontiersman”.  Mais de um quarto de século depois de ter aparecido nas prateleiras, Star Frontiers continua sendo um cintilante fragmento do passado dos pioneiros na publicação de RPGs, e da própria história do hobby em si.

Ah, e se você achar esse jogo em algum sebo ou site na internet, se o preço estiver acessível, não pense duas vezes em comprar!

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundarista de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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