No começo da semana fui acometido pela notícia do final da 4e. Acometido porque descobri através de uma postagem no Twitter do amigo e colaborador da Terceira Terra, Rafael Bezerra, e num primeiro segundo, alegria, mas conforme o tempo foi passando, lendo textos de outros blogs, acabei por me decidir em lamentar o fim da 4e.

Não por um sentimento de amor pelo sistema , que até hoje eu joguei duas partidas, por sorte uma mestrada pelo Daniel Anand (do Rolando 20) e outra pelo nosso Marcelo Dior na época da antiga equipe do Vozes, nem também pelo pouco tempo de vida do sistema ou pelo fato de que talvez eu tenha que comprar vários livros de novo para jogar uma nova versão de um jogo, mas sim pelo saudosismo. Sim , eu sou saudosista, faz bastante tempo que de fato não jogo RPG. Sim, eu escrevo sobre (menos do que eu gostaria), eu leio sobre, tento me manter atualizado, mas geralmente estou sempre um passo atrás — e um passo atrás eu me sinto bem, posso ver melhor o que vem à frente.

Estou triste pelo fim da 4e, porque provavelmente essa revisão do jogo vai transformá-lo novamente em uma versão ainda mais próxima dos anseios, gostos e desejos de consumo dessa nova geração de pessoas e jogadores e isso afasta o jogo da versão que eu e a minha geração tínhamos e torna mais difícil eu me adaptar a ele. Sim, estou ficando velho e caquético, diferente de alguns amigos que se adaptaram plenamente; sim, a empresa está correta em modernizar seus jogos e, sim, ainda é D&D e não adianta eu dar xilique e dizer que não é.

Estará o futuro do D&D no jogo de cartas?

Por outro lado, é bom saber que o jogo continua dando algum lucro para a empresa e eu não terei de vê-lo ser finalizado como muitos outros produtos e jogos que eu gostava muito de jogar (eu adorava minhas partidas de Vampire: The Eternal Struggle). Mas hoje em dia as mídias do jogo são outras. Hoje, sem um programa de computador, fica muito difícil você montar uma ficha e eu tenho a convicção que nessa nova edição um computador, tablet ou celular será indispensável para se jogar. As grandes revistas de RPG estão em mídia digital, boa parte das informações vêm de blogs como o nosso, sem contar com a infinidade de e-books e material de jogo produzido nesses formatos. Foi-se o tempo em que você tinha de esperar o ano todo pra ter aquele material maravilhoso para sua campanha. E isso é maravilhosamente assustador porque também deixa tudo efêmero.

Tenho pra mim que se a 4e durou cinco anos, a 5e deve durar três. A 6e vai durar dois, e logo mais as edições vão ficar anuais como o Magic: The Gathering, que é o modelo comercial mais bem sucedido da Wizards of the Coast.

Portanto é pelo saudosismo que digo 4e você deixará alguma saudade.

Fe Palado Calib, Fe Istaras apalo.

P.S.
É por isso que cada vez mais eu amo meu AD&D.

Douglas é jogador de futebol americano pelo São Paulo Spartans, sempre arruma um tempinho para jogar RPG desde os 10 anos de idade, e nas horas vagas — mas só mesmo nas horas bem vagas— ele é arquiteto.

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