Aproveitando a deixa que o Marcelo deu em seu post sobre o ano do gamer resolvi escrever esse texto sobre minha relação com esses dois passatempos nerds que estão passando por momentos bem distintos; enquanto um vem se espalhando e se popularizando o outro cada vez mais perde espaço, muitos jogadores atribuem isto ao simples fato de que, nos últimos anos a quantidade de jogos de tabuleiro incrivelmente legais, diferentes, com as mais variadas temáticas e, para muitos a parte mais vantajosa, que basta abrir uma caixa ler algumas poucas regras e ter de 30 min a mais de 4 horas (dependendo do jogo) de diversão, tem crescido vertiginosamente. E, graças ao nosso mundo globalizado, hoje não mais precisamos esperar que por um milagre divino para termos acessos a esses jogos, existem centenas de sites, blogs, podcasts e vlogs dedicados ao assunto, e até mesmo trazer estes jogos de fora hoje não é mais tão complicado quando o era a alguns anos atrás (que muitas vezes dependíamos da boa vontade daquele primo de quarto grau que estava indo para a Europa ou para os EUA e trazer aquele jogo que você tinha ouvido falar e queria muito). Somando-se a estes dois fatores creio que há um terceiro especialmente brasileiro, nosso mercado de boardgames sempre foi fraco e parado na “mesmice”, por quantos anos nossas únicas opções eram jogos como banco imobiliário, detetive ou jogo da vida? Quando este enorme mercado de opções se abriu me parece bem claro que nós correríamos mais que os outros para termos o nosso pedaço desse admirável mundo novo.

Enquanto isso o nosso querido RPG (que, diga-se de passagem, nasceu como um boardgame de estratégia) vem cada vez a mais perdendo aficionados, muitos deles para o próprio boardgame, ou pelo menos se mostrando incapaz de trazer novas pessoas para o hobby, o que, para alguns, significa uma lenta e inevitável caminhada para a “morte” do hobby. As razões desta decaida são inúmeras, desde problemas para se reinventar, críticas quanto a sistemas muito ou pouco complexos, assim como uma pulverização dos “monopólios” do jogo com o surgimento de diversos títulos e publicações indies, que apesar de alguns apontarem como uma das principais e melhores coisas que vem acontecendo neste mercado não pode se deixar de notar que, em contrapartida, também contribui para que, distante de empresas mais poderosas, o RPG cada vez mais se torne algo exclusivamente de um nicho.

© 2013 Marcelo Duarte Ferrari

© 2013 Marcelo Duarte Ferrari

Eu particularmente sou um grande fã do RPG, como alguns dos meus textos devem deixar transparecer, creio que a unicidade deste nosso hobby se encontre na capacidade de contar e viver histórias dos mais variados tipos (nunca fui alguém muito ligado ao crunch, então, para mim, o sistema é sobretudo um apoio para contar essa história e não a fonte de onde brota o que é o RPG) assim como a capacidade de trazer e dividir emoções com amigos. Não nego, contudo, que o boardgame tem um forte apelo também, apesar de não ser um boargamer daqueles hardcore (não me importo de parar um jogo no meio ou começar um game sabendo que não vou terminar, o que me importa é que, enquanto eu estiver jogando seja divertido, e acreditem, tenho conhecidos que chegaram a brigar por causa de regras ou decisões dentro de um jogo de tabuleiro, por isso não me considero nem de perto hardcore) também gosto de jogar uma partida ou outra quando tenho a possibilidade, porém, se tiver que me reunir com meus amigos, aqueles com quem jogo RPG, eu nunca optarei pelo boardgame se tiver a chance de jogar uma partidinha de RPG, mesmo que seja one shot e jogando pedra papel e tesoura para resolver os conflitos. Sei que de certa forma me encontro na contramão de um movimento que vem acontecendo cada vez mais, e sinceramente, não me importo, creio que, diferente de muitos alarmistas o RPG não está no fim, talvez no fim de como o conhecemos ou melhor conhecíamos, e sem dúvida o boardgame tem criado mais e mais fãs, porém é natural que hajam tais movimentos de tempos em tempos (toda a nossa década de 90 foi o auge do RPG no Brasil, diga-se de passagem, logo depois que passamos a finalmente termos acesso o dito hobby) e creio que em algum momento o boardgame vai deixar de ser a grande estrela no palco dos hobbies e alguma outra coisa surgirá, é um movimento natural, que põe sob o holofote de tempos em tempos este ou aquele. Desta forma o meu conselho, no fechamento deste pequeno texto é, divirta-se, jogue e divida seu tempo com seus amigos (de preferência um pouco longe da internet ou dos smartphones), seja RPG, seja boardgame, seja qualquer outra coisa que lhe dê prazer de fazer juntamente com seus amigos, pois no fundo todos estes passatempos não passam de boas desculpas para compartilharmos nosso tempo com aqueles que gostamos de estar junto.

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