Ilustração: © 2012 turksenkizil | Marcelo entrevista o autor do conto Sob o sol negro sobre o processo de criação da história e a inspiração para contá-la.
Ilustração Jon Gibbons | Ele tentava se convencer de que o que fizera era necessário, que a jovem poderia acordar antes de sua fuga estar completa e estragar todo o plano, mas no âmago de sua consciência ele sabia que não fora isso que o motivara a estrangular a garota enquanto dormia…
Ilustração Jon Gibbons | A caravana chegara a outro entreposto e o ex-gladiador não tinha muita certeza se mais perto ou mais longe de Nibenay e de seus algozes. O dialeto falado pelos homens das dunas era tão confuso e recheado de expressões anteriores aos reis-feiticeiros que nem sequer parecia a mesma língua, mas seus trajes escondiam seu rosto e parcialmente o faziam parecer mais um humano qualquer.
Ilustração Jon Gibbons | Aqueles homens lhe haviam dado água e pão, não era um banquete, mas servira para matar sua fome e sede, também lhe trataram as feridas e lhe deram trajes mais adequados para andar no calor e no sol do deserto.
Ilustração Jon Gibbons | A noite caía novamente quando ele finalmente avistou algo que poderia salvar sua vida… Durante todo o dia ele perseguiu aquelas pegadas como se fossem sua única salvação, e talvez fossem mesmo, chegando até a cruzar com um pequeno grupo de elfos, correndo em seu estranho transe sobre as areias, mas…
Ilustração Jon Gibbons | Mesmo com pederneira e isqueiro não foi fácil para o ex-gladiador fazer fogo, levando quase duas horas para que finalmente as chamas saltitassem da pequena fogueira.
Ilustração Jon Gibbons | Mesmo não sendo um expert no deserto ele sabia que se não encontrasse água e abrigo logo seu destino seria servir de alimento para as muitas feras que o espreitavam. Sim, o velho que morava no beco do mercado havia lhe dito que viver sob o chicote podia ser duro, mas ainda era mais doce do que ter que buscar por conta própria alimento e a tão preciosa água.
Pior ainda seria dizer que foi com um grande sorriso na cara. Demorou. Duas luas para ser mais exato. Por isso os animais das trevas uivavam e gemiam sob aquele luar grande e vermelho.
Ele quase não conseguiu sair vivo de lá. Não só sua vida foi quase perdida, mas a sua sanidade também. Ele viu certas coisas que não deveriam ser vistas e ouviu certas línguas que deveriam continuar banidas para todo o sempre. A esperança de salvar sua cidade era o que mais o impulsionava. Deixando o cansaço, os ferimentos e as torções de lado, ele se pôs a caminho para salvar sua terra.
Sem acreditar no que estava acontecendo, Elrich foi conduzido à masmorra e encarcerado. Todos os dias alguns dos seus passavam por lá e insistiam para que ele tomasse o milagre e fosse mais uma vez parte com a cidade. Ele até teria entrado nessa, pois seu amor por sua terra é igual ao amor de uma jovem elfa pelo seu escolhido, mas ele viu o que estava acontecendo, ele via as mudanças a cada dia que passava acorrentado.