Olá, minha galera Nerd desse Brasil imenso! Cheguem mais, peguem um banco que os petiscos estão quase prontos! Cheguem mais perto da lareira, hoje estará frio. Vamos ao nosso papo de sempre aqui na taverna preferida de todos nós!

A moda viking está de volta. Nossos amigos bárbaros do norte, da terra gelada estão de volta. O filme «Thor» deu o pontapé inicial e o (não tenho adjetivos para isso) filme dos Vingadores só reforçou esse retorno triunfal dos homens do norte. Então, vamos falar sobre um filme antigo que retrata bem essa galera.

Além dos “norsemen”, vamos observar uma coisa que às vezes nos esquecemos nas mesas de jogo: choque de culturas. Como nos comportaríamos se fossemos transportados à uma terra totalmente desconhecida? O que nos aconteceria?

(Nerds que somos, sabemos que os vikings não tinham córneos (chifres). Pelo amor de Eric, o Vermelho, sem córneos! Eram bárbaros, segundo os romanos, porque não falavam o latim (os chifres foram invenções da cristandade medieval para reforçar o medo das pessoas com a chegada desses marinheiros).

«O 13º Guerreiro» é estrelado por Antônio Banderas (sim, o próprio vampiro Armand de «Entrevista com o Vampiro», Gato de Botas de «Shrek», etc.). Lançado em 1999 e é baseado no fictício relato histórico de Ahmed Ibn Fahdlan por Michael Crichton, chamado Eaters of the Dead (Devoradores de Mortos no Brasil). Pra quem gosta da lenda de Beowulf (chamado Buliwyf no livro, que dá no mesmo, é o cara) é uma ótima pedida. O ano é de 932 depois de Cristo, Ahmed Ibn Fahdlan é um poeta da corte do Califado de Bagdá. Ou era, até ter um encontro amoroso com a mulher de um nobre local. Para não ser julgado e (muito possivelmente) morto, ele é “designado” embaixador do Califa nas terras bárbaras chamadas Tossuk Vlad. Juntamente com um velho amigo de seu pai, o velho Melchisidek (interpretado por Omar Sharif), chegam até a terra dos tártaros, onde se deparam com um acampamento viking.

Ibn Fahdlan é forçado a interagir com os costumes bárbaros e fica muito assustado. Naquela época os califados árabes eram altamente refinados na questão da educação e da ciência, letras e artes (o que o Ocidente só vai fazer no Renascimento).

© 2011 ジェローム

Nesse meio tempo, ele assiste ao famoso funeral viking e se depara com a seguinte questão: um oráculo mostra que a aventura que eles estão designados a seguir só poderá partir com treze membros e o décimo-terceiro integrante não pode ser parte dos Homens do Norte! Ele é árabe, religioso e fiel ao seu povo e seus ensinamentos: como, por boa vontade, ele poderá se juntar a esse grupo sem ofender a tudo o que ele acredita (muito clérigo/paladino e outros)?

Assim sendo, ele é obrigado (meio que com uso da intimidação mesmo) a se juntar ao grupo e partir para a terra do rei Hrothgar e combater os perigosos devoradores dos mortos (que aparecem com a névoa) juntamente com Beowulf. Nesse meio tempo, ele tem que aprender a falar a língua nórdica e sua cultura pra poder se virar. O pior é que Beowulf também aprende com ele.

É um filme de muita ação e que vale a pena pra quem gosta e quer aprender sobre a cultura nórdica (sem córneos). O mais interessante é a adaptação a que Ibn Fahdlan é forçado e as suas observações e relatos sobre essa cultura que se mostra rica e vasta. Para os DMs e outros Mestres/Narradores fica essa dica de ambientação e possível confusão à qual seus jogadores podem ser introduzidos (o que gerará muitos risos ao final e extremo desespero durante a partida).

Foi muito bom ver rostos familiares por aqui e foi um prazer maior ainda ver novos rostos que se juntaram ao papo. A noite já se vai alta aqui na taverna e temos que nos despedir. Até a próxima!

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE
%d blogueiros gostam disto: