Origem do termo

O termo bárbaro nasceu na Grécia antiga. Sua forma original, barbaroi, se referia a alguém que não era grego, ou seja, um estrangeiro e conseqüentemente um incivilizado, tendo o significado jocoso de alguém que não sabe falar, um balbuciante. O termo se difundiu posteriormente, durante o fim do império romano (é engraçado notar que os próprios romanos eram “bárbaros” para os gregos), quando tribos germânicas, principalmente, começaram a assolar as bordas do império em busca de proteção contra os hunos. O bárbaro passou então a ser todo o não–romano, fosse ele celta, germânico, árabe ou asiático. Na renascença o termo ganhou novas conotações, novamente pejorativas, tudo que ocorrera no hiato entre o fim do império romano e o inicio da Renascença, ou seja, a Idade Média, foi classificado como sendo uma era bárbara, daí inclusive vem a origem do termo arte gótica (arte dos godos, uma tribo bárbara), os italianos do período, em seu afã de se mostrarem herdeiros de uma “cultura superior” iam até mais longe: para estes, que se viam como herdeiros de Roma, bárbaros eram todos os que não eram italianos, e que portanto não partilhavam de sua origem mais antiga e superior.

O bárbaro na cultura moderna

Os bárbaros tiveram seu lugar ao sol quando, nos séc. XVIII e XIX com o surgimento dos nacionalismos, o conceito romântico do “bom selvagem” e a busca de uma origem própria para a cada etnia, não mais a uniformidade Greco-romana, diversos povos foram atrás de seu passado bárbaro, é nesse momento que vemos diversos povos ditos bárbaros serem elevados ao status de pré-formadores de nação, gauleses e francos na França, vikings e diversas tribos germânicas na Alemanha e nos países escandinavos, e até no Brasil tivemos a nossa versão desse revival com o movimento do indigenismo. Nessa visão, o bárbaro deixou de ser um estrangeiro incivilizado para se tornar um exemplo de simplicidade, honra, coragem e de todas as nobres virtudes que cada povo se atribuía. Posteriormente, já no século XX, o bárbaro se tornou personagem de diversos romances: Robert E. Howard, criador do mais famoso bárbaro da cultura pop, Conan, e do gênero de romance conhecido como espada e magia, que influenciou grandemente o substrato que viria a formar um dia o RPG, acreditava que a barbárie era o estado natural do ser humano e diversos personagens seus eram bárbaros fossem eles ficcionais ou “históricos”, como o próprio Conan, Kull da Valúsia, Bran Mak Morn e muitos outros. Com o tempo apareceram outros ícones nesta mesma linha, fossem os épicos como Slaíne ou os cômicos com Groo; de qualquer forma, o bárbaro se manteve na nossa cultura com o estereótipo do selvagem, seja do bom selvagem, seja do estúpido que nunca provou da civilização.

Quem são os bárbaros numa mesa de RPG

É claro que a principal definição de quem são os bárbaros numa mesa de RPG vem de como o sistema, o jogador e sobretudo o mestre encaram a classe; deve haver um forte consenso sobre o que é ser um bárbaro ou provir de uma sociedade considerada bárbara (esse é um ponto pouquíssimo explorado em muitas mesas. Um personagem pode muito bem ser de outra classe, mas por ter nascido em uma cultura considerada bárbara ele sofrerá do mesmo estereótipo, lembrando que na mesa os demais personagens não têm a ficha do seu personagem em mãos para poderem avaliar este apenas pela sua classe, e sim pelas suas atitudes e, sobretudo em mesas de fantasia medieval, pela sua origem) e portanto criar um mesmo substrato. Por exemplo, o bárbaro pode provir de uma cultura que escraviza os derrotados, portanto para ele será comum abusar de um vencido, assim como ele pode consideram inaceitável a escravidão de mulheres e crianças (estas não sendo guerreiras em sua visão, claro) ou pelo contrário ele pode provir de uma sociedade que preza acima de tudo a independência de cada individuo, esse estrangeiro provavelmente terá problemas com figuras de poder que exijam um grau muito grande de subserviência; note que isso não quer dizer que ele não entenda conceitos como liderança, respeito e nem que ele não tenha bom senso (outro problema muito comum quando alguém joga com um bárbaro), afinal ser bárbaro não é simplesmente não ter cultura e sim ter uma cultura que não se encaixa nos moldes daqueles que olham para você.

Outra opção bastante interessante é tornar uma raça inteira bárbara, com costumes tradicionais, e uma cultura antiga e estruturada, talvez até mais antiga do que qualquer outra, porém diferente dos padrões vigentes parecerão ainda mais bárbaras num cenário onde um certo senso comum guia as demais culturas e raças, provavelmente esse mesmo ambiente cultural será xenofobico com qualquer influência vinda desta cultura ou raça.

Interpretando o Bárbaro

© 2009 Maciej Kuciara

Associou-se à imagem do bárbaro um cara musculoso de tanguinha de pele e provavelmente de cabelos compridos, mas nunca de barba, talvez com uma espada ou machado enorme e que resolve tudo na base da violência, sendo incapaz de ter qualquer atitude social que vá além de ajudar o grupo trucidando a maior parte dos inimigos. Numa mesa no velho estilo matar-pilhar-destruir um personagem desses pode até ser divertido, mas para qualquer jogador que queira levar o personagem à frente uma hora esse personagem se torna um estorvo. Esse estereótipo, nascido de uma interpretação errônea de personagens clássicos do gênero, como o próprio Conan, faz uma tabula rasa de como seria o mundo aos olhos dos ditos bárbaros. É claro que é necessário que o personagem possua valores distintos de seus colegas ditos civilizados, é aceitável que ele não aprecie, não entenda ou não ligue para certos conceitos considerados senso comum pelos demais, mas nem por isso o personagem não pode ter uma personalidade tridimensional. O bárbaro máximo da cultura pop, Conan, é assolado por crises de melancolia, alegria e tem profundos momentos filosóficos, claro que dentro daquilo que sua cultura tida como primitiva foi capaz de assimilar deste conceito; em muitos contos originais fica claro que Conan não entende o porquê de certas atitudes dos civilizados, não por burrice, mas por ter um conjunto de valores sociais próprios. Existem outros personagens na cultura pop que refletem outros tipos de bárbaro: um exemplo emblemático é o bárbaro por excelência dAs Crônicas de Gelo e Fogo, Khal Drogo; mesmo o personagem Ghan Buri Ghan do tolkeniano O Senhor dos Anéis é muito mais sábio do que sua aparência rude deixa inicialmente transparecer.

Pode-se escolher também um povo da antigüidade, como os vikings, celtas, citas, godos, etc. e se basear em algumas características destes povos históricos para criar a cultura de seu bárbaro. Podemos, é claro, misturar características reais, imaginárias ou de diversas culturas no mesmo caldeirão do qual sairá o seu bárbaro, o importante é que ele seja único e, sobretudo, diferente de um simples conjunto de parâmetros num pedaço de papel.

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