Quando aceitei o convite do Marcelo Dior para escrever um texto para essa série sobre como monto minhas aventuras, acreditei que seria bastante simples, afinal eu faço isso pelo menos uma vez por mês – uma vez a cada quinze dias quando tenho um pouco de sorte — porém depois de ficar mais de uma hora olhando para a tela em branco do editor de texto do meu computador é que me dei conta de uma coisa simples: eu não monto as minhas sessões — quem o faz são meus jogadores. Vou explicar o porquê.

Eu gosto muito da filosofia de “ação e reação” dentro do RPG, ou seja, todas as ações dos meus jogadores trazem consequências, maiores ou menores, dentro da história. É claro que eu crio uma história e que sempre há algum grau de railroading, afinal eu ainda quero que, no final da crônica, as sessões formem uma história única, mas acho que tudo que os personagens fazem precisa afetar a forma como essa história é contada. Dessa forma a minha função maior, ao montar a próxima sessão, é levar em conta o que foi feito na sessão anterior de jogo e, a partir daí, pensar no que vai acontecer. Normalmente eu penso em mais de uma saída possível para as atitudes dos meus personagens e em como fazer com que essas acabem retornando ao foco da minha história sem que isso fique forçado demais. Como o grupo com que jogo é o mesmo há muitos anos, no geral eu tenho alguma boa idéia da linha de pensamento e de ação que cada um deles tomará, mas volta e meia sou surpreendido por alguma atitude imprevista e nessas horas creio que podemos tanto encontrar uma nova solução que se encaixe na história (quando possível), quanto deixarmos a coisa andar com as próprias pernas e ver no que vai dar…

Diversas vezes montei mapas de lugares e fichas de antagonistas (que sem dúvida são as partes que mais me tomam tempo) que não foram usadas. Ao invés de descartar estas eu normalmente as deixo guardadas para serem o meu plano B quando a coisa segue um caminho diferente de qualquer coisa que eu planejei para aquela sessão. Como normalmente eu penso no arco e não na sessão, costumo já ter as fichas, mapas e qualquer outra coisa do gênero que serão usados no decorrer de todo o arco, não importando muito quantas sessões serão ocupadas por ele, o que me facilita um pouco mais em seguir a minha linha de construção das histórias. Volta e meia alguma coisa que eu vi, ouvi, li ou assisti acaba influenciando o andamento da próxima sessão em algum nível e não é incomum eu encaixar referências que eu tenha achado interessante de alguma forma, seja direta ou indiretamente, na história.

Esteja preparado para improvisar («the last stand» © 2012 Jian Guo)

Uma coisa que me ajuda muito na hora de construir a próxima sessão é o background dos meus jogadores; quanto mais bem escrito e acabado, melhor. Muitas vezes eu releio os backgrounds para que estes me dêem alguma inspiração. E faço o mesmo com os meus “diários” de campanha — basicamente, um monte de anotações rápidas sobre como foram as sessões anteriores — que podem me dar ótimos ganchos, principalmente quando a história está tomando um rumo muito diferente do esperado.

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Este é meu método de criação de histórias: aproveito o que meus jogadores fizeram na sessão anterior de jogo, misturo com uma ou outra influência que acho interessante e acrescento alguns NPCs que já tinha em mente ou que foram criados para aquela sessão específica. Espero que, apesar de meio caótico, meu sistema de criar a próxima sessão possa servir de inspiração para outros narradores.

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