Sob o sol negro foi o segundo conto grande o suficiente para ser dividido em partes aqui no Notícias da Terceira Terra (o primeiro foi O conto do paladino caído, que teve um “making of” publicado depois que terminou). Por e-mail, entrevistei o autor de Sob o Sol Negro, Tarcísio Lakastos, no dia 28 de Março.


 
Notícias da Terceira Terra – Por que Athas? O que te atraiu para contar uma história de deserto, escravidão e lealdade?
Tarcísio Lakastos – Eu acho o cenário de Athas um dos mais icônicos criados dentro do universo D&D, a história do cenário, aliado a temas que eu considero interessantes de por numa mesa que se proponha a sair do “arroz com feijão” da fantasia medieval estão todos ali, prontos para serem usados, em especial a escravidão e a sobrevivência, ambos temas que normalmente não são abordados ou caso sejam, a abordagem é sempre mais leve do que a dada em Dark Sun. É claro que existem outros grandes cenários, como Dragonlance, Forgotten Realms e Ravenloft, e eu espero em algum momento escrever um conto para Ravenloft, mas acho que nenhum me atraiu tanto quanto Dark Sun.

NTT – O conto não deixa muito explícito que se passa no cenário de Dark Sun, mas quem conhece o D&D, pega as dicas aqui e ali (como o nome da cidade de Nibenay). Por que não deixar explícito?
Tarcísio – Eu não gosto muito daqueles histórias que te levam pela mão o enredo inteiro, explicando cada minimo detalhe do que está acontecendo, acho que é uma verdadeira ofensa à capacidade de raciocínio das pessoas, fora que, aqueles que gostarem do conto não obrigatoriamente precisam ter a ciência de que se passa num determinado mundo de D&D acho que uma boa história deve ser capaz de caminhar com as próprias pernas.

NTT – Você teve alguma inspiração específica para criar o protagonista, Kyrek?
Tarcísio – Não tive nenhuma “pessoa” por base, mas a minha vontade era contar uma história de gladiadores e minha inspiração acho que partiu das contrapartes reais do personagem.

NTT – Quanto tempo levou para escrever o conto? Ele passou por muitas mudanças ou a idéia básica se manteve a mesma desde que teve a fagulha inicial?
Tarcísio – Essa é uma ótima pergunta… Normalmente eu estou escrevendo entre 2 e 3 textos ao mesmo tempo, de forma que conforme minha inspiração no dia eu mexo em um outro. Acho que a ideia inicial de escrever esse conto surgiu mais ou menos na época em que começou o hype pelo lançamento do cenário para o D&D 4ª edição, com certeza muita coisa mudou, o que se manteve foi a vontade de escrever um conto sobre sobrevivência, gladiadores e escravidão.

NTT – O monstro que ataca ao final é bem pouco descrito, bem no estilo do que H P Lovecraft fazia, deixando para o leitor preencher o resto com sua própria imaginação. Você fez isso para evitar que algum jogador de RPG dissesse “ah! É o monstro tal!” ou foi por algum outro motivo?
Tarcísio – Eu sou um grande fã de H.P. Lovecraft, acho que talvez isso tenha se transposto para minha escrita de foma natural, mas o principal motivo que me ocorreu é que quando estamos numa situação de perigo raramente paramos para avaliar detalhes da ameaça, eu queria passar esse mesmo senso de desnorteamento e urgência para o texto.

NTT – Mas é um monstro do D&D?
Tarcísio – Na verdade eu me inspirei no horror de silte, mas não diria que É um horror de silte per se. Num mundo tão perigoso quanto Athas eu poderia apostar que existem diversas monstruosidades não catalogadas…

NTT – O mesmo vale para as outras “raças” que vemos no conto?
Tarcísio – Algumas delas estão claramente descritas pelos nomes (por exemplo quem quiser basta pegar o nome inix ou mellikot e jogar numa wikia de Dark Sun) outras como é o caso da raça do protagonista eu achei interessante ir dando detalhes dela de acordo com o que seria o próprio entendimento do personagem sobre a sua identidade.

NTT – A história termina num momento muito bom, deixando à imaginação do leitor o que acontece depois. Mas, na sua cabeça (e que fique só entre nós), Kyrek sobrevive?
Tarcísio – Hahahaha! Bem, eu li muito Campbell e adoro o conceito da jornada do herói, então se eu fosse dar um palpite eu diria que aquele Kyrek, o ex-gladiador escravo, com certeza não estaria mais vivo ao final do encontro.

NTT – Muito obrigado, Tarcísio.
Tarcísio – De nada, Marcelo. Qualquer coisa é só me mandar.

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundarista de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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