Muito se fala sobre a baixa letalidade da quarta edição do Dungeons & Dragons — seja nos combates ou nos obstáculos inerentes a uma aventura, como armadilhas e venenos. Vejamos o caso dos venenos: nesta versão do D&D, o habitual é que um personagem envenenado receba dano contínuo até que passe no Saving Throw ou zere seus Hit Points. Por exemplo: um Weaponmaster com 30 HP é picado por uma aranha gigante (uma Deathjump Spider, talvez). Ele receberia o dano da picada e teria algumas rodadas para se livrar do dano contínuo rolando Saving Throws, ou seja, 55% de chance por round de que seu organismo simplesmente reaja, sem maiores sequelas ao veneno.

E se utilizássemos uma abordagem mais desafiadora? Pois bem, nas minhas campanhas adotei a regra de doenças para que o veneno fosse mais digno de desafio e medo.

Em qualquer site sobre primeiros-socorros podemos aprender sobre os estágios e sintomas de envenenamento por animais peçonhentos. Podemos usar como experimento a intoxicação que o veneno do escorpião causa. No primeiro estágio a vítima sofre dor e parestesia locais (como sensação de frio, calor, formigamento, etc.). Num segundo estágio, dor local intensa, vômitos, sudorese, salivação, agitação, aumento dos ritmos respiratório e cardíaco (taquipnéia e taquicardia, respectivamente). E no estágio terminal, prostração, convulsão, coma, redução da frequência cardíaca (bradicardia), insuficiência cardíaca, acúmulo de líquido no pulmão (edema pulmonar agudo) e choque. Agora que sabemos como é horrível ser envenenado por uma picada de escorpião, podemos traduzir isso para o sistema de jogo!

As variações são muitas: cianeto, veneno de cobra, a taça do conspirador, picada de aranha ou o veneno na adaga daquele assassino que espreita numa rua escura. Com um pouco de criatividade e a percepção de que o sistema da quarta edição é uma caixa de ferramentas podemos incrementar muito nossas campanhas e deixar o D&D com a cara de seu grupo.

Marcus Mortati

Marcus Mortati, tem 35 anos e joga RPG desde os 15 — quase sempre como DM, o Dungeons & Dragons é o seu jogo predileto. Trabalha como professor de História; é leitor compulsivo e gamer inveterado. Mora e trabalha no Rio de Janeiro.

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