Semana passada eu fiquei sabendo do fim de um blog e fórum chamado RedeRPG. Provocou uma certa comoção na lista de blogs de RPG da qual participo, quase todas as reações foram de “já vai tarde” para baixo. Foi conversando com o Fabiano do podcast Por Baixo do Tabuleiro que fiquei sabendo o que estava acontecendo, e o que era a RedeRPG. Lembrei-me vagamente do que ocorrera com a Revista Dragão Brasil, com a saída dos editores originais e tentativa de administração pelo pessoal do findo blog — e mesmo essa história eu ouvira de terceiros, muito tempo depois do ocorrido.

Chamem-me de alienado, mas isso tudo me lembrou, novamente, da natureza efêmera das coisas na internet, e ao mesmo tempo — contraditoriamente — de que é preciso tomar muito cuidado com o que se escreve na internet, pois ninguém vai se esquecer. Essa péssima memória e ao mesmo tempo ótima memória da internet é um fio de navalha. O dono do site, no texto de encerramento do site, disse “Eu sempre fui o visionário que pensava sobre o RPG. A Adriana era o ‘motor’ que colocava minhas ideias em prática. E assim nasceu a REDE RPG e outras iniciativas nossas. Mas agora vamos seguir caminhos diferentes.” Como não conheço o cara (ou sua fama) passei batido pelo parágrafo, mas o pessoal que já o conhecia caiu matando em cima da parte em que ele dizia ser um visionário. Ao que parece, o Marcelo Telles irritou muita gente ao longo dos quase dez anos de RedeRPG. Me pergunto se eu não ando fazendo o mesmo.

No mundo real, basta mudar de escola, trabalho ou cidade para começar novamente, com a fama como uma “tabula rasa”. Na internet, não dá para fazer isso tão facilmente. Quem já tuitou alguma bobagem da qual se arrependeu depois sabe muito bem disso. E nem adianta apagar o tuíte, porque alguém sempre dá “print de tela” nessas horas. É o lado permanente da efêmera internet.

Agora o lado efêmero da permanente internet: as repercussões que vi na lista de blogs acabaram revelando, incidentalmente, que o a RedeRPG era bem movimentada e famosa (ou tão famosa quanto se pode ser na internet. Este artigo da CNN sobre fama na web é bem interessante). Imagine você ter ficado sabendo da queda das Torres Gêmeas só à noite no dia 11 de Setembro de 2001 — quando você ouviu falar, pela primeira vez, da existência de uma cidade chamada Nova York. Foi assim que me senti. Todo mundo parecia estar falando do fim da RedeRPG. Todo mundo. Um site que eu nunca vira mais gordo.

Moral da história: o que é indubitavelmente importante para mim, sites, portais e blogs que acesso e que acho que “todo mundo” acessa, livros que acho que todo mundo leu e filmes que acho que todo mundo viu, podem ser completamente desconhecido spara o cara do cubículo seguinte. Desconhecido e desimportante. Sempre dou uma encolhida quando alguém cita a Terceira Terra como algum tipo de referência ou inspiração — ou importância. Dá uma vontade de dizer “pra quem, cara-pálida? Meu site não é nada, é um grão de areia”. Por outro lado, essa é minha criação judaico-católica falando, os últimos resquícios dela, dos quais é bem difícil se desfazer.

Para se fazer qualquer coisa na internet é necessário ter uma medida de orgulho próprio, narcisismo e — porque não — arrogância. Talvez eu devesse começar a aceitar os elogios que recebo pelas minhas criações on-line pelo seu valor de face, sorrir agradecido e me concentrar em quem me conhece ao invés de relativizar. Mas talvez não seguir o exemplo de meu xará, Marcelo Telles, seja uma boa idéia.

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundarista de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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