Imprimir os mapas exclusivos da Dungeon Magazine é muito fácil. Ou não.


Espero que você tenha praticado restaurar alguns mapas no fim-de-semana! A prática leva à perfeição.

Pois bem, hoje darei os macetes para imprimir os mapas exclusivos das primeiras Dungeon Magazines (e mesmo os mapas atualmente publicados nas aventuras digitais da Wizards of the Coast, pois a maioria dos PDFs ainda vem com mapas de alta qualidade). Usando como exemplo o mesmo mapa do último texto, «A Timely Rescue» da aventura «Heathen», publicada originalmente na Dungeon #155.

É importante lembrar que nem todo mapa tem pixels o suficiente para que a impressão fique legal. Pixel (“picture element”) é uma medida do menor elemento visível numa imagem digital, numa tela de computador. Dê “zoom” o suficiente em uma imagem ou neste texto, e você verá os pixels, pontinhos coloridos que formam todas as informações em sua tela. Quanto mais pixels uma imagem tiver, mais informações e, portanto, melhor ela ficará, impressa.

O mapa que corrigimos semana passada era relativamente pequeno, apenas 375 pixels de largura por 576 pixels de altura (ou 375×576). Mas vamos usá-lo como exemplo de como imprimir. Dependendo do tipo de aplicativo que você tem em seu computador, a tarefa pode ser realmente fácil, ou um tanto demorada. Se você usa aplicativos de edição de página como o CorelDRAW, Adobe InDesign ou OmniGraffle, por exemplo, a tarefa será bem mais fácil. Mas chegarei aí depois.

Primeiro, precisamos estabelecer se (e quanto) de ampliação precisaremos em nosso mapa. Vou tocar brevemente no debate sobre pixels por polegada: literalmente, quantos pixels sua imagem tem em uma polegada. Se você já usou um scanner, deve ter visto na interface do aplicativo que governa o periférico informações do tipo “200 ppp” ou “300 dpi”. Essa é, em suma, a qualidade da imagem que será escaneada — quão grande e quão pesada (em temos de megabytes) você quer a imagem que está por escanear. PPP (pontos por polegada) e DPI (dots per inch) são a mesma coisa: quanta informação haverá por polegada de imagem. Uma boa impressora jato-de-tinta imprime a algo entre 300 e 600 dpi. Esse valor, pontos, está indiretamente relacionado aos pixels, mas vamos parar com teoria da informática por aqui. Basta saber que a maioria das imagens encontradas na internet está numa qualidade inferior a fotografias e ilustrações prontas para impressão porque, afinal, imagens com esse nível de qualidade são pesadíssimas e deixariam qualquer website lento. E o download de PDFs também. Por isso, é bem provável que, por melhor que seja o mapa que você capturar de uma Dragon Magazine digital, você terá que ampliá-lo um pouco, perdendo um pouco de qualidade no processo. Isso não é problema, os mapas ainda ficarão bons para usar nos seus jogos de Dungeons & Dragons.

01O mapa da semana passada, «A Timely Rescue», tem 375 pixels e 15 quadrados de largura. Bem, 15 e um tiquinho de largura. Para podermos imprimir o mapa nas medidas corretas para pô-lo à mesa, precisamos nos livrar daquele “tiquinho” de quadrado. Abra seu editor de imagens favorito e livre-se daquela rebarba.

Como disse, o mapa original tem 375 pixels de largura. Se você fez direito (e imagino que tenha feito), você agora tem um mapa entre 367 e 369 pixels de largura (o meu ficou com 368 pixels), e agora temos 15 quadrados inteiros para fazer nossa conta, que é bem simples: 1 quadrado deve ter 1 polegada de largura, a medida padrão do D&D desde mil novecentos e guaraná com rolha. 1 polegada é igual a 2,54 centímetros, mas talvez você já tenha notado que, ao colocar uma miniatura sobre um mapa ou sobre uma peça de Dungeon Tile, a base não exatamente toca nas fronteiras do quadrado em que a miniatura está. Para garantirmos que isso aconteça com nosso mapa personalizado, e para termos uma pequena margem de erro, vamos trabalhar com 1 pol = 2,55 cm.

Um pouco de aritimética nos dirá que «A Timely Rescue» (15 quadrados) deve ter 15 x 2,55 = 38,25 cm de largura. Uma folha de papel sulfite, no padrão internacional (A4, que o Brasil usa) tem 21 cm de largura.

Espere um pouco! Vamos checar uma coisa: se você usa um editor de página (já citados lá em cima, e serão de novo lá embaixo) o processo pode ser tão simples quanto jogar o mapa nele, visualizar impressão, ajustar a imagem para 38,25 cm de largura e chorar de alegria ao ver seu aplicativo automaticamente ajustar na tela a quantidade de páginas necessárias para imprimir; depois limpar as lágrimas enquanto aperta “print” e ver a impressora botar pra fora cada uma das folhas, prontas para serem cortadas (o que você fará ainda soluçando de felicidade) e coladas, com fita adesiva ou cola branca, para formar seu mapa de combate. Porém — porém — se você não é tão sortudo assim, continue lendo:

Recapitulando, «A Timely Rescue», 15 × 2,55 = 38,25 cm de largura. Uma folha A4, 21 cm de largura.

Mas não é tão simples quanto cortar 17,25 cm da imagem e imprimir em uma segunda folha, porque quase nenhuma impressora imprime em 100% do papel. O primeiro passo é descobrir qual a margem que sua impressora exige de você. Se você usa o CorelDRAW, por exemplo, e sua impressora está instalada e configurada corretamente (e é a impressora padrão do sistema), basta pedir para o aplicativo lhe mostrar a área de sangramento; pode variar de versão para versão, e de aplicativo para aplicativo, mas geralmente é algo tão fácil quanto Exibir > Sangramento, ou Exibir > Exibir > Sangramento. Procure, que uma hora você encontra onde é a opção.

Outra maneira é entrar num editor de texto (como o MS Word ou o Pages) e configurar as margens superior, inferior, esquerda e direita para 0 (zero), apertar OK e esperar o programa reclamar. Normalmente, o aplicativo irá lhe dizer algo como “Era só o que faltava! Não sabe que sua impressora só imprime até 0,17 cm da margem? Aperte OK para eu mesmo corrigir isso para você, seu palhaço!” e aí o aplicativo irá corrigir as margens do documento para o mais perto do que sua impressora consegue imprimir num A4. Nem sempre é fácil assim, e talvez você tenha que imprimir alguma coisa encostada na margem e depois medir no papel quanto ficou sem ser impresso (um quadradinho colorido em cada canto do documento já resolve).

02Digamos que sua impressora imprima até 1 cm das margens esquerda e direita. Então seu A4 tem 19 − e não 21 — centímetros de área imprimível. 19 cm são 7,45 quadrados (a 1 quadrado = 2,55 cm, lembra?). Então você vai abrir o mapa (ou uma cópia dele; nunca edite o mapa orignal, peloamordedeus!) e vai selecionar sete quadrados. Apenas sete. Não tente selecionar 7,45 quadrados que vai dar merda. Vamos trabalhar com inteiros, como no D&D, ignorando as frações. Selecione o mapa inteiro, menos uma coluna de oito quadrados (7 – 15 = 8), como na ilustração ao lado, copie e cole numa nova imagem (ou use a ferramenta “crop” para apagar as outras oito colunas).

Isso para a largura da folha de papel. Para a altura, faça o mesmo. Nossa impressora hipotética consegue imprimir 1 cm no topo e 1,4 cm na parte inferior do papel. De nossos 29,7 cm (a altura padrão de um A4), o que nos deixa com 27,3 cm de área útil. Ao contar quantos quadrados «A Timely Rescue» tem de altura, chegaremos ao número 23 (mais um tiquinho de nada no topo, e quase metade de um quadrado embaixo; ignore esses pedaços de quadrado; nem precisa cortá-los fora, porque vamos usar a largura como nossa base de medidas, não a altura).

0327,3 cm ÷ 2,55 cm (um quadrado) = 10,7 quadrados por folha. Vamos trabalhar com 10 quadrados de altura por folha. Em nosso pedaço de mapa já com apenas 7 quadrados de largura, cortaremos fora tudo exceto 10 quadrados de altura, ficando com uma imagem mais ou menos como a que está aí ao lado.

Salve como um novo arquivo, volte ao arquivo original e repita o processo mais três vezes:

040605

Agora você tem quase todo o mapa já separado em partes que poderão ser impressas em escala, exceto por estas áreas que restaram:

Simples. Corte-as em pedaços adequados e organize esses pedaços numa quinta folha de papel, mais ou menos assim:

08

Vá cortando e girando os pedaços como se não houvesse amanhã, até você conseguir encaixá-los todos numa folha só. Quero dizer, se você quiser economizar. Caso não queira, basta usar quantas folhas de papel extra quiser para imprimir o restante de seu mapa (use uma das imagens já cortadas como base para saber quais são seus limites ao montar esse quebra-cabeças pé-no-saco).

Se sua impressora não for muito velha, ela não irá exigir 1 cm em cada margem. Vai pedir 0,3 cm de margem, por aí, e as impressoras mais novas também não exigem uma margem inferior maior — antigamente, imprimiam só até 1,7 cm da margem inferior do papel, mas hoje chegam aos 0,5 cm ou menos. Isso provavelmente irá eliminar a necessidade da quinta folha com os pedacinhos que sobraram.

Agora, imprimir! Abra seu editor de páginas favorito (CorelDRAW, InDesign, Ventura, MS Office Publisher, iStudio Publisher, PageStream, Scribus, OmniGraffle, blá-blá-blá…) ou mesmo um editor de documentos (MS Word, Writer, InCopy, Pages, WordPerfect…) e importe cada uma de nossas cinco páginas (as quatro grandes mais uma quinta página para os restinhos) para sua própria página. Ajuste o tamanho da ilustração dentro de cada página pela largura: cada imagem deve ter 19 cm de largura. Talvez você tenha que mudar as medidas de pixels para centímetros ou milímetros nas configurações do programa. Se estiver se sentindo ousado, imprima direto do desktop ou do editor de imagens que usou para cortar o mapa, apenas prestando atenção na largura que cada imagem deve ter: 19 cm para nossa impressora hipotética que só imprime até 1 cm de cada margem lateral.

Feito! A qualidade da impressão do mapa «A Timely Rescue» não vai ser lá essas coisas, pela ilustração original não ter muitos pixels, mas vai ficar bom (imprimi o meu em 2008 e o uso até hoje). Não desperdice papel de boa qualidade nesse tipo de mapa, use folhas sulfites de 75 g/cm² ou talvez 90 g/cm². Papel cartão, glossy ou couchê é um pouco de desperdício em minha opinião. Também não gaste muita tinta: a maioria das impressoras vendidas nos últimos cinco anos faz um trabalho decente no modo “normal”. Se sua impressora é novinha em folha, os mapas vão ficar ótimos até mesmo no modo “normal rápido”. Só evite o “econofast” ou “rascunho rápido”, porque o resultado desses modos é um lixo.

Mapa impresso, recordado e colado, é só usar! Clique numa das quatro ilustrações depois das dicas para ver algumas fotografias minhas de alguns mapas da aventura «Heathen», da Dungeon#155, sendo usados (coloquei um vidro sobre eles porque são guardados dobrados). Depois, comente aqui o grau de sucesso que obteve com seus novos mapas tirados direto da Dungeon Magazine. Também seria legal mostrar algumas fotografias deles em uso!

Dicas:

Eu recomendo cortar as imagens um pouco além dos valores sugeridos aqui: se forem 7 quadrados de largura, não corte exatamente em cima do “grid” que divide o sétimo do oitavo quadrado, exceda um pouco e corte um tiquinho para dentro do oitavo quadrado. Isso lhe dará uma margem de erro para poder trabalhar depois, cortando e/ou colando as folhas impressas juntas. Obviamente, volte à imagem original para ter aquele oitavo quadrado inteiro na segunda folha (cortando um pouquinho para dentro do sétimo desta vez.

Fiz tudo usando o modo “retrato” da folha de papel, mais alta que larga. Experimente cortar pensando na folha de papel no modo “paisagem”, e talvez você terá uma folha a menos para recortar e juntar, dependendo do mapa. Faça isso especialmente se imprimir no modo “fácil”, direto de dentro de seu editor de páginas, sem precisar recortar o mapa (descrito no oitavo parágrafo, em destaque. Aquele cheio de lágrimas e soluços, lembra?).

    
    

Clique para ampliar.

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundarista de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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