Já que o verão está chegando, que tal uma lista de RPGs, jogos de tabuleiro e video games que se passam nos lugares mais gelados e nevados do universo?

Seja em livros, quadrinhos, programas de TV, videogames ou jogos de tabuleiro, sobreviver ao apocalipse zumbi é sempre muito divertido. Acrescente a isso objetivos conflitantes, uma mecânica de traidor e congelamento, e você tem Dead of Winter dos designers Jonathan of Gilmour e Isaac Vega, publicado pela Plaid Hat Games.

Em Dead of Winter, sua capacidade de sobreviver e trabalhar em conjunto com outras pessoas será severamente testada. Como é habitual nesse tipo de narrativa, os zumbis não são seu maior problema — a falta de comida e remédios, o frio e seus companheiros sobreviventes (talvez as poucas pessoas vivas no mundo inteiro) são as coisas que provavelmente vão matar você.

Disponível na Amazon.com.br

Dead of Winter tem uma mecânica de traidor semelhante ao que você encontra em Shadows Over Camelot e Battlestar Galactica: The Board Game e, além disso, cada jogador tem um objetivo secreto que geralmente conflita com os dos outros jogadores — ou mesmo com o objetivo do próprio cenário. Este é o ponto crucial deste jogo de tabuleiro: saber que cada jogador ao redor da mesa tem um objetivo secreto que pode matá-lo. Uma mecânica elegante, os Crossroads Cards, também não ajuda a aliviar a constante sensação de tensão do jogo: quando você vira uma dessas cartas, você terá uma escolha muito difícil a fazer. Uma que você pode muito bem se arrepender pelo resto do jogo.

Dead of Winter é um dos jogos de terror mais envolventes do mercado hoje. É difícil resistir começar o senário seguinte quando você termina um — tendo sido bem-sucedido ou perdido. Além disso, a arte feita para as personagens da ilustradora chilena Fernanda Suarez é simplesmente deslumbrante. Você precisa conferir!

Disponível na Amazon US

Nosso segundo jogo é na verdade uma expansão! Omens of Ice para Elder Sign, da Fantasy Flight Games.

Elder Sign é o irmão caçula da série de jogos de tabuleiro Arkham Horror (Arkham Horror, Mansions of Madness, Final Hour). Foi inventado por Richard Launius e Kevin Wilson, com arte de Dallas Mehlhoff. Pode ser descrito como Arkham Horror no modo fácil. Pelo menos, até você misturá-lo com esta expansão.

Omens of Ice leva os exploradores para fora do aconchegante museu assombrado e os atira numa expedição ártica que provavelmente matará muitos deles. Ele substitui os Adventure Cards básicos por novos que representam o deserto gelado do Alasca. Essas cartas e alguns outros elementos e mecânicas adicionam uma narrativa que progride à medida que você completa objetivos e mais Cartas de Aventura se abrem em uma determinada ordem.

Além de ter de impedir o rastro de destruição do Grande Antigo sorteado para aquela aventura, você também precisa ir atrás de suprimentos e se proteger do clima — o que acrescenta complicações inesperadas a um jogo já difícil.

Se, depois de tudo isso, você ainda sentir que o Elder Sign não ficou difícil o suficiente, o jogo ainda permite que você mude as condições de verão para inverno, tornando sua vida ainda mais miserável no ermo no norte do mundo. Mesmo sem isso, Omens of Ice já traz o melhor de um jogo da família Arkham Horror: no final, se você baniu ou derrotou o Grande Antigo, você não se sentirá vitorioso, apenas que sobreviveu a outra derrota.

Agora vamos da mesa de jantar para o sofá com TV. Em Rise of the Tomb Raider, desenvolvido pela Crystal Dynamics, você vai sentir dor assim como frio. Esse jogo passou algum tempo congelado (badum-tsss!) como exclusivo do Xbox, mas agora você pode obtê-lo para Playstation 4, PC, Mac, Linux e Google Stadia.

Lara Croft tem algo errado na cabeça. Ela mal escapou daquela ilha abandonada por deus na reinicialização da franquia de 2013. Agora ela procura a fonte literal da imortalidade na Sibéria. Ok, ok … quando filmes, livros e jogos sobre exploração arqueológica fazem o herói buscar a fonte da vida eterna, as coisas geralmente ficam bobas bem rápido. Mas esse não é o foco de Rise of the Tomb Raider

Disponível na Saraiva

Trata-se, ao invés, de um jogo de sobrevivência no ermo. Sobrevivência contra o meio ambiente, contra as probabilidades, contra o medo do fracasso, de decepcionar amigos e familiares e, sim, contra um grupo terrorista exotérico secreto chamado Trinity, empenhado em conquistar o mundo. Lara tem algo errado na cabeça, cara. 

No início, o jogo parece que vai ser um típico sandbox, mas não é. Você pode explorar certas áreas até cumprir o requisito que desbloqueia a próxima área. Você pode voltar atrás e revisitar os pontos eliminados anteriormente e geralmente é recompensado com tarefas adicionais, missões secundárias ou locais anteriormente inacessíveis. Assim como no jogo anterior, você pode personalizar seu equipamento e habilidades para jogar o jogo da maneira que quiser. E, ao contrário do jogo de 2013, desta vez há muitos túmulos para invadir! O jogo se chama Tomb Raider, afinal de contas.

O trabalho de animação neste jogo é realmente muito bem feito. A animação de rosto e corpo de cada personagem é quase perfeita. Tanto Lara quanto os diversos NPCs transmitem esperança, medo, alegria, dor e frio de uma maneira que faz você sentir que está realmente lá com eles. O frio em especial: Lara estremece quando sopra um vento frio, mesmo que você a tenha equipado com o equipamento correto. Duvido que você não vai sentir vontade de se levantar e pegar uma coberta depois de jogar o jogo por uma meia-hora.

Trata-se, ao invés, de um jogo de sobrevivência no ermo. Sobrevivência contra o meio ambiente, contra as probabilidades, contra o medo do fracasso, de decepcionar amigos e familiares e, sim, contra um grupo terrorista exotérico secreto chamado Trinity, empenhado em conquistar o mundo. Lara tem algo errado na cabeça, cara.

Disponível na Noble Knight Games

Das tumbas fantásticas da Sibéria às duras realidades da América Colonial em A Few Acres of Snow, publicado por Treefrog Games em 2011.

“Alguns acres de neve” é como o escritor, historiador e filósofo francês Voltaire descreveu os territórios franceses do século XVIII na América do Norte. Essa frase deprimente e agourenta também serve como prenúncio do tipo de clima que se deve ter neste jogo que mistura de tile laying e wargame projetado por Martin Wallace com arte de Peter Dennis. A Few Acres of Snow é um jogo de tabuleiro para dois jogadores que elimina todas as complicações do típico wargame e o torna bem simples e organizado.

Você escolhe entre jogar com os britânicos ou os franceses. O jogo se desenrola em um mapa que cobre aproximadamente o Quebec de dias modernos e os territórios  britânicos mais setentrionais na costa leste do século XVIII. A jogabilidade é assimétrica, o que significa que você terá cartas diferentes e seguirá regras ligeiramente diferentes, dependendo do lado do conflito com o qual você escolheu jogar. Os componentes são muito simples e a jogabilidade se torna óbvia depois de apenas alguns turnos.

Ser um jogo de Martin Wallace já é o suficiente para recomendar o jogo por si só, mas acho que o tema histórico também é um ponto muito positivo: A Few Acres of Snow não tenta disfarçar a dura realidade da vida colonial (Puerto Rico, estou olhando para você. Quero dizer, os tokens marrons são “colonos”? Sério?!). Você terá que tomar decisões difíceis. Comprar muitas cartas específicas para garantir que a vitória em um cerco provavelmente lhe trará problemas duas rodadas no futuro. As distâncias no Novo Mundo eram imensas, o que se traduz em alguns lugares difíceis de alcançar ou dispendiosos para manter umcerco. O jogador britânico terá mais dinheiro à sua disposição e poderá colonizar, o que acrescenta algumas vantagens. Os franceses não colonizam e têm menos dinheiro no começo do jogo, mas podem recorrer à pirataria e têm mais facilidade em contratar nativos para lutar ao seu lado.

A Few Acres of Snow é um wargame histórico simples para aqueles que geralmente não gostam de jogos de guerra — ou para quem gostaria de jogar um wargame com um amigo, parente ou cônjuge que não curte wargames mais tradicionalmente complexos. 

O último item nesta lista é uma aventura de fantasia nada típica: Pathfinder Adventure Path: Reign of Winter

Reign of Winter é o décimo segundo Adventure Path publicado pela Paizo por seu premiado RPG Pathfinder. São seis aventuras interconectadas, escritas por Neil Spicer, Jim Groves, Tim Hitchcock, Matt Goodall, Brandon Hodge e Greg A. Vaughan.

Os Adventure Paths geralmente forçam a barra no tocante ao típico cenário de aventura de Pathfinder, inclusive expandindo o próprio gênero de fantasia. Se você gosta dessa idéia, Reign of Winter certamente não vai decepcioná-la.

Disponível em Paizo.com

A primeira aventura, The Snows of Summer, começa bem simples, com o seqüestro de um nobre e um prêmio para resgatá-lo. Mas o que está por vir é apresentado rapidamente: é o meio do verão, mas a região em que os aventureiros se encontram está completamente coberta de neve. Como você pode adivinhar pelo nome deste Adventure Path, em Reign of Winter, os personagens-jogadores visitarão o reino congelado de Irrisen, o que envolve a rainha Elvanna. E as coisas ficam esquisitas bem rápido. Baba Yaga (sim, aquela Baba Yaga) está envolvida de alguma maneira que não vou revelar para não dar spoilers. No terceiro livro, as coisas ficam mais malucas e fora do que você provavelmente consideraria uma típica aventura de fantasia. Piora (ou melhora) no quarto livro. No quinto livro, exatamente quando você achava que as coisas não podiam ficar mais fora de órbita, é quando essa aventura realmente fica estranha.

Estou lutando para não dar spoilers aqui, então confie em mim quando digo que as coisas ficam exponencialmente malucas quanto mais longe os aventureiros vão para salvar Golarion. Felizmente, Paizo também publicou Reign of Winter Player’s Guide, escrito por Adam Daigle, um livro gratuito em PDF que fornece aos jogadores todas as informações e novas regras que eles precisam para criar personagens preparados para as loucas escapadas invernais desta mega-aventura.