Salve salve, galera nerd dessa terra enamorada! É bom tê-los de volta aqui na nossa taberna! Pegue o seu assento favorito e chegue mais aqui na lareira. Como andou chovendo, se seque e aproveite para escutar uma história de amor (que vai interessar muito ao Sir Raphael e ao Sir Edward, pessoal do Great Pendragon Podcast) e de o cuidado que devemos ter com o coração de uma dama!

Como vocês devem ter notado, nesta taberna o prato principal é Idade Média (que de longe é a especialidade da casa junto com mitologia e um pouco de Império Romano). Como o amor está no ar e eu prometi off topic fazer um texto dedicado ao Pendragon, esse dia dos namorados veio unir o útil ao agradável e dar inclusive uma dica legal pra mestres desse jogo tão complexo e tão fiel à época.

Essa lenda do Ciclo Arturiano é linda em suas várias vertentes e eu vou me ater a uma só: Vulgate Cycle – que foi o material no qual Sir Thomas Mallory se inspirou pra escrever o La Mort D’Arthur.

O Rei Bernardo de Astolat resolveu fazer um torneio em suas terras e convidou o Rei Artur e seus bravos cavaleiros para participar, convite que foi aceito de muito bom grado e prontamente por todos, menos por Lancelot (por que será?), alegando certa indisposição. Mas por algum motivo Lancelot resolve sair sem dizer o seu destino. Assim, sob disfarce ele visita o Rei Bernardo e seus filhos.

O rei tinha uma filha chamada Elaine que, dizendo de passagem, era muito bela e satisfazia plenamente o ideal de mulher para o período (com todos os predicados em virtude em e em formas, etc). Assim, ao ver nosso querido Lancelot – que não devia ser tão feio assim e tinha a fama maior que Logres – a jovem dama caiu de amores e fez um pequeno amuleto de proteção para que fosse usado durante o torneio (ela literalmente implora a ele).

Porém, meus caros amigos, Lancelot explica à jovem dama que seu coração não poderia estar preso a outra além de sua senhora mas, por consideração, aceita usar o amuleto. Porém, ele terá de lutar disfarçado (pra quê? Só pra ela não ver que está usando presente de outra?) pois Guinevere estará na platéia. Assim, ele usa o Shield of Torre, que pertence a um dos irmãos de Elaine que está de cama.

Durante o torneio de justa, Lancelot é ferido com gravidade pela lança de Borz e é carregado com urgência à ermida de Sir Baldwin. Lá ele é tratado e está se reestabelecendo. Porém, como vocês verão a seguir e na minha humilde opinião, Sir Lancelot deveria perder alguns pontos de glória.

© 2010 Monica Bishop

Após dez dias sem notícias de seu amado e pensando que provavelmente ele haveria de estar morto, Elaine adoece e morre (literalmente) de amor. Seu coração partido não a permitiu continuar a viver. (Lancelot bem que poderia ter enviado um emissário pra avisar que estava se recuperando, já que agora ele estava mais do que a par dos sentimentos dela.) Por instruções dela, seu corpo foi colocado dentro de um pequeno barquinho com um lírio branco em sua mão e sua última carta na outra e posta no Tâmisa. O barco desceu o rio sinuoso e foi parar em Camelot, onde Artur descobre o corpo.

Após a leitura da carta, Lancelot amarga o destino de Elaine e atende seu último desejo: que ele cuidasse que seu corpo tivesse um funeral decente (no que nem uma moeda foi negada para o melhor enterro que ela poderia ter) e que ele fizesse um ofertório em honra à sua alma.

Bom, meus queridos companheiros, nessa taberna romântica o conto deixa uma moral: cuidado com o coração de uma dama, às vezes se paga com a vida por um amor mal-correspondido. As mentes dos Game Masters devem estar fervendo de idéias agora.

Essa é uma singela história de amor (amor abnegado) que deixamos por aqui na ocasião do dia dos namorados! Ficando também um abraço e uma homenagem aos grandes incentivadores Sir Raphael, Sir Edward e MD; um salve para o grande amigo e DM Charles Professor e um grande beijo para a minha noiva Lady Beatriz.

Até a próxima na nossa taberna de sempre, em frente a esta lareira gostosa e com as mais lindas filhas do taberneiro servindo a nossa bebida favorita! Feliz dia dos namorados!

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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