Por que um cenário low magic?

Neste espaço tenho frequentemente falado de Dragonlance e do mundo de Krynn. Basicamente um mundo low magic e definitivamente o meu favorito — não existem orcs lá — talvez exatamente por essa característica que segue: a de ser um cenário de baixa magia.

Mas porque diabos um cenário de baixa magia deveria fazer sucesso,  se toda a graça de jogos de fantasia está no fato de se encontrar criaturas fantásticas magníficas e enfrentá-las em combate mortal com raios mágicos voando para todos os lados e armas maravilhosas e absurdamente poderosas como nosso mundo real jamais viu, desferindo golpes precisos e mortais!

Acredito que os mundos de alta magia podem e propiciam diversão quase que ilimitada nas mãos de um GM habilidoso e inventivo, que levará os aventureiros a serem heróis que seus jogadores jamais poderiam chegar próximo na vida real nem em seus mais fortes e desejosos sonhos. E num jogo high magic a interpretação é facultativa — claro que jogadores que trabalhem bem o lado da interpretação vão se dar muito bem aqui também, mas a não-obrigatoriedade facilita ainda mais a vida de jogadores(as), principalmente os iniciantes!

E novamente a pergunta do título se apresenta: por que, então, um cenário low magic?

Bem, primeiramente porque para um bom jogo a interpretação não é facultativa! Ela é necessária, e o que há de mais interessante pra mim no RPG é a interpretação. Mesas de low magic por natureza tendem a ser mais mortais pelo fator da ausência ordinária de magia! Os jogadores se tornam naturalmente mais cautelosos e, espera-se, mais interpretativos e imaginativos.

Outro fator que o cenário de fantasia low magic fornece é a possibilidade de uma fantasia mais próxima do mundo real, e isso é muito interessante, porque ser um herói num mundo mais realista não é coisa fácil: ser um cavaleiro ou um homem-de-armas não na Idade Média da Terra era coisa fácil, que dirá ser um herói! Cavalos, armas e armaduras, basta consultar seu professor de história, se você ainda frequenta a escola — jamais deixe de frequentar — ou procure algum entendido do assunto, uma boa armadura chegava a custar o preço de uma bela Ferrari (obviamente valores comparativos). Além disso, armas, armaduras, cavalos e posses eram passadas de pai para filho, e isso pode ser muito bem explorado num cenário de fantasia de pouca magia.

Os feitos de coragem num cenário de low magic também são maiores. Afinal de contas, você não tem um clérigo por templo em cada cidade capaz de ressuscitar seu colega morto que resolveu que era mais forte que o dragão. Ou você acha que low magic inclui somente correntes de relâmpagos e bolas de fogo? Negativo, a magia divina limitada transforma o bárbaro mais insano em um guerreiro, bem… digamos, levemente insano. Não existem clérigos realmente aptos a grandes atos miraculosos, eles servem na sua maioria como padres, pastores, druidas ou qualquer outro tipo de guia espiritual que você consiga traçar paralelo na vida real medieval européia.

Cenários low magic são, na minha opinião, os cenários onde se pode explorar melhor a interpretação; são onde você tem a possibilidade de uma fantasia menos desvairada, e onde você pode facilmente aplicar situações do mundo real e se inspirar em muitos aspectos da nossa própria medievalidade.

Fe Palado calib, Fe Istaras Apalo

Todas as ilustrações deste texto © 2010 Gold-Seven (via deviantArt).

Douglas é jogador de futebol americano pelo São Paulo Spartans, sempre arruma um tempinho para jogar RPG desde os 10 anos de idade, e nas horas vagas — mas só mesmo nas horas bem vagas— ele é arquiteto.

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE
%d blogueiros gostam disto: