Salve, salve, minha galera nerd desse Brasil literário! Peguem um pergaminho e uma pena macia e sentem-se aqui na sua taverna de sempre, pois trataremos sobre narrativa nesta nossa conversa.

A pedida de hoje é a técnica narrativa que usamos durante a confecção do “Conto do Paladino caído” e que, por sinal, a galera está acessando. O que nos deixa muito felizes aqui na taberna é a boa aceitação desse presente que estamos dando aos nossos fiéis frequentadores.

Porém, algumas dúvidas surgiram e resolvemos por bem trazer ao público o making of do nosso primeiro conto.

Antes de tudo, é interessante pensar na proposta de um conto fantástico que mexe com uma série de lendas e mitos que se configuraram no imaginário coletivo ao longo dos séculos. Nunca sentamos para tomar chá com um Elfo, mas imaginamos e convencionamos como isso possa ser e parecer. Mas concordamos que cada um dá uma interpretação mais solta sobre cada personagem. A fantasia nos deixa soltos para imaginar e moldar um mundo forjado a partir do seu próprio desejo.

A técnica escolhida é mais “recente”, seu nome é Fluxo de Consciência (em inglês Stream of Consciousness). Ela foi cunhada pelo filósofo e psicólogo William James no final do século XIX. Isso em hipótese nenhuma quer dizer que nunca foi usada antes, como veremos a seguir.

Esse tipo de narrativa foi usada por grandes escritores como Dostoievsky, Tolstoi, William Faulkner, James Joyce, Virginia Woolf, Clarice Lispector e Guimarães Rosa. O primeiro a lançar mão dessa técnica controversa foi o francês Edouard Dujardin em sua novela Les Lauriers sont coupés (Os Louros São Cortados – Tradução Literal Nossa- ).

© 2008 Stacy

© 2008 Stacy

No Fluxo de Consciência o autor foca e transcreve, inclusive com erros propositais de pontuação, o processo do pensamento do personagem, ou seja, aquilo que ele está refletindo. A linha entre o consciente e o inconsciente do personagem praticamente não existe. Nela entram também as lembranças e desejos do protagonista.

Processos mentais nem sempre são lineares e fáceis de ser compreendidos. A nossa mente viaja a uma velocidade inimaginável e muitas vezes entrecortamos nossos próprios pensamentos. Por incrível que pareça, nessa técnica, o interessante é mostrar essa falta de linearidade.

É uma ótima técnica para os nossos amigos que estão na dúvida de como começar a escrever. Infelizmente a disciplina de roteirização é muito escassa em nosso país os pouquíssimos lugares que a oferecem nem sempre são baratos. De tempos em tempos a UFRJ, na Faculdade de Letras oferece um curso de extensão sobre roteiro, eu mesmo estou fazendo-o pela segunda vez. Vale a pena ficar de olho, é grátis.

Está ficando trade e está na hora de limpar o nosso balcão. Espero que tenham apreciado o nosso tira gosto de hoje. Todos estão convidados para o nosso encontro de sempre aqui nesta mesma taberna!

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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