A revista Dragon costumava trazer muitos mapas legais e exclusivos. Eis como usá-los e modificá-los.


Uma das coisas muito legais das primeiras Dungeon Magazine da fase atual, digital, eram os mapas criados com exclusividade para as aventuras. Hoje, por requisição dos leitores, a maioria dos mapas é feita com Dungeon Tiles, o que facilita muito ao DM que possua muitos tiles montar os Encontros daquelas aventuras, mas os mapas em si perderam um pouco de valor, pois os criadores de aventuras da revista agora estão limitados aos tiles publicados.

Hoje, vou mostrar, com passos simples, como utilizar aqueles mapas exclusivos das primeiras Dungeon Magazine, o que não só trará mais diversidade à sua aventura, como de pouco em pouco você irá criando um reservatório de mapas para quando seus Dungeon Tiles não forem adequados.

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Vamos começar com uma Dungeon bem antiga, a número 155, de Junho de 2008. Nessa época, a revista ainda era totalmente gratuita, e portanto você não precisará ser assinante D&D Insider para ter acesso a ela. A aventura que irei usar como exemplo começa à página 29, «Heathen». Ela tem uma coleção bem diferente de mapas, mas não diferentes o suficiente que você não possa reaproveitar os mapas que iremos modificar em outras aventuras.

O primeiro mapa encontra-se à página 35, um vilagejo e várias cabanas em volta de uma estrada de terra que corta o mapa de norte a sul. Usando o Adobe Reader (leitor de PDF gratuito), você irá notar que, ao clicar em cima do mapa, ele ficará selecionado (como se houvesse um vidro esfumado sobre ele). Copie esse mapa para a área de transferência (Ctrl+C ou botão direito do mouse, copiar) e cole em seu programa editor de imagens favorito (pode ser o Corel PHOTO-PAINT, Paint Shop Pro, Adobe Photoshop, GIMP ou mesmo o Paint do Windows. Eu usei o Pixelmator para MacOS X).

Dentro do editor de imagens de sua escolha, você terá um mapa de 375 x 576 pixels. Não é muito, mas este é o menor mapa de toda a aventura; outros mapas terão mais de 1 440 pixels de largura.

A primeira coisa que precisamos fazer para este mapa ser utilizável é remover as indicações de onde os monstros deverão ser posicionados, os círculos brancos com letras dentro. Se você não está acostumado a fazer esse tipo de alteração, começaremos pelo mais fácil, o G mais alto, no canto superior esquerdo. Ele ocupa um quadrado todo verde, o que deixa nosso trabalho muito fácil: simplesmente selecione o quadrado logo abaixo do G, que também é todo verde, copie e cole sobre o quadrado com o G.

Voilà!

Você pode repetir o mesmo procedimento com o outro G que está logo abaixo e um pouco à direita deste que já cobrimos, e também com o M, lá embaixo. Vamos para um mais difícil agora, o B que está mais à direita, ao sul de uma das tendas. Note que não só o terreno abaixo dele não é todo gramado, mas também há um pouco de sombra da tenda no terreno. Existem várias maneiras de limpar um quadrado assim, e você eventualmente irá refinar sua própria técnica. Eu faço o seguinte:

Primeiro, corto um pedaço do quadrado ao lado, que tem um terreno bem parecido (mas só o pedaço que me interessa, sem o verde da grama, a sombra ou os pixels pretos da tenda logo abaixo que invadem um pouquinho do quadrado que estou copiando). Sobreponho ao quadrado com o B e uso uma ferramenta de clonagem para cobrir o máximo possível do círculo branco com o B. Depois, uso a ferramenta de esfumaçado para terminar a cobertura e misturar qualquer eventual fronteira muito sólida entre duas cores. Importante: antes de esfumaçar, é uma boa ideia copiar um pedaço da linha vertical de “grid”; caso você precise apagá-la um pouco para completar o arrasto de cor que vamos fazer, basta sobrepor o grid que copiou, depois.

Note que eu usei um pouco do verde que há no quadrado limpo logo à esquerda e também um pouco da sombra do quadrado à direita. Não tenha medo de apertar Ctrl+Z (desfazer) e tentar novamente, quantas vezes for necessário, até se sentir satisfeito.

Agora, o que pode ser o quadrado mais difícil de todos, o B que está num quadrado que tem grama, terra e um pedaço da estrada, bem no meio do mapa. A primeira coisa que iremos fazer é copiar um pedaço do quadrado logo acima, que tem um pouco de grama, e colar na parte superior do quadrado que queremos limpar (dependendo de sua habilidade com seu aplicativo, talvez sinta-se mais confortável usando a ferramenta clone. Como disse, há mais de um método de se executar esta tarefa).

Isto feito, copiemos um pedaço da lama que é mais clara, mais cinza, do quadrado da direita; podemos colá-la mais de uma vez no quadrado com o B — não se preocupe em cobrir uma parte de onde será a linha mais escura da estrada, pois consertaremos isso depois; pense nesses retângulos marrons como a matéria-prima para reconstruir o quadrado arruinado pelo círculo branco com a letra dentro.

Com nossa “matriz” no lugar, é hora de começar a misturar tudo, com uma ferramenta de borrão ou de clonagem.

O toque final é a linha quase preta da estrada. Você pode colocá-la de volta usando clone (pegando partes da estrada de vários outros quadrados, para não parece que copiou e colou) ou uma ferramenta lápis ajustada para não ser muito sólida, e simplesmente desenhar por onde acha que a estrada deveria passar.

Protinho! Você pode comparar a primeira imagem, lá de cima, com a primeira das seis imagens que coloquei ali embaixo. Eu já limpei todos dez mapas da aventura «Heathen» e estou disponibilizando os primeiros seis, no tamanho integral como retirado do PDF da Dragon Magazine. Sinta-se livre para usá-los, mas é uma boa ideia treinar a restauração dos mapas ao invés de pegar o que eu já fiz. Afinal, este é o primeiro de uma dúzia de mapas desta aventura.

Por hoje é só. Segunda-feira, explicarei como imprimir seu mapa recém-limpo na escala exata para usar miniaturas. Gostaria que você comentasse aí abaixo sobre sua própria experiência. Foi bem-sucedida? Não expliquei direito? Feedback é sempre bem-vindo!

Outras dicas:

É uma boa ideia não deixar as ferramentas muito sólidas (ou sólidas). Se seu aplicativo de preferência tiver a opção, deixe as bordas das ferramentas mais difusas (ou menos sólidas). Isso diminui a criação de fronteiras muito visíveis entre as cores que você está misturando e reduz a necessidade de uso da ferramenta de esfumaçado (ou “blur”), que não é muito precisa, dependendo de seu aplicativo.

Também, dependendo do aplicativo que usar, toda vez que você copiar um elemento da imagem, ele será criado como uma nova camada (ou “layer”). Preste muita atenção em que camada você está trabalhando, e una as duas camadas (“merge”) quando estiver satisfeito com cada quadrado limpo, para evitar mover ou alterar camadas sobrepostas sem perceber.

Também é uma boa ideia salvar diferentes cópias da imagem, correspondendo a diferentes etapas do processo, porque nem todo aplicativo de manipulação de imagens salva todas as etapas na opção “desfazer”. E nunca — NUNCA — salve em cima da imagem original.

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundarista de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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