All Systems Red é a primeira história na série Murderbot Diaries, série que me chamou atenção pelo título. Era tudo o que eu esperava — e mais. Muito mais.

Murderbot é um andróide de segurança, parte de uma pequena equipe de exploração científica num planeta ainda não explorado. Ele quebrou o código do programa que restringe seu comportamento, então pode fazer o que quiser, sem precisar seguir as ordens dos humanos (tipo, ele pode ignorar completamente as três leis da robótica). Inicialmente ele pensou em se tornar um assassino em série, mas aí ele descobriu TV a cabo e pensou «ah, que diabo. Vou continuar trabalhando».

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Eu avalio os livros que leio no GoodReads com seu sistema de uma a cinco estrelas. Queria que tivesse um jeito de dar seis estrelas pra esse livro. Sua única «falha» é que ele é muito, muito curto (apenas 160 páginas na versão paperback, 3h17m no audiobook). Desnecessário dizer que eu peguei o segundo livro, Artificial Condition, imediatamente depois de terminar All Systems Red.

Contado do ponto de vista de nosso protagonista, Murderbot se revela uma personagem profunda e fascinante. Na maior parte do tempo, ele faz seu trabalho nas coxas, raramente afim de trabalhar direito, porque os humanos nunca notam quando o trabalho dele como dróide de segurança é de merda ou é bem-feito. Exceto quando mexem com «seus humanos», Murberbot não só não liga pra gente, como ativamente evita contato humano, preferindo ficar enfiado em seu cubículo assistindo séries de TV ou fazendo suas rondas pelos sistemas de segurança do habitat. De fato, ele quase entra em pânico quando os humanos que o contrataram sugerem que ele tire o capacete e fique com eles no refeitório. Chega a ser bonitinho o tanto que ele é tímido (ou anti-social, dependendo do quanto você acredita no narrador da história, que é o próprio Murderbot).

Estamos acostumados a dois tipos de histórias que envolvem andróides: ou eles são ameaças à vida humana e vão promover o apocalipse ou eles são análogos de Pinóquio. Martha Wells propõe uma outra filosofia para nosso Murberbot: ele não é humano nem quer ser; não se importa com o que eles pensam dele e só não sai matando indiscriminadamente porque… bom, pra quê? Imagine o Comandante Data de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração, exceto que ao invés de ficar imitando seus colegas, aspirando ser humano, sonhando em ser «um menino de verdade», ele faz seu trabalho com o mínimo de qualidade possível, chamando a menor quantidade de atenção que conseguir, e volta para seus aposentos no fim do turno para assistir TV. Os humanos da história vivem tentando tratá-lo como gente, mas Murderbot acha aquilo tudo ridículo e se considera pouco mais que um eletrodoméstico.

All Systems Red é uma inesperada e bem-vinda quebra nos padrões literários das histórias de robôs. É incrivelmente bem escrito (também pudera; Martha Wells é uma veterana da ficção especulativa), cheio de ação, sutil construção de mundo, carisma em todos os personagens e humor. Murderbot é uma grande personagem que eu quero seguir para sempre: contraditório, eficiente (quando quer), cheio de ansiedades, deprimido e anti-social. O primeiro livro da série Murderbot Diaries é uma grande, ainda que curtinha, história de robô.