Método rápido de criação de aventura

Método rápido de criação de aventura

Quando não tenho tanto tempo para a preparação de uma aventura muito complexa para meu grupo de D&D, acabo optando pela seguinte estrutura:

1o Passo: A Ameaça

Pegue o livro do cenário em questão e anote o tipo de ameaça a ser confrontado na história. Faça uma pequena lista de inimigos possíveis e escolha um. Pode ser algo tão óbvio quando grupos malignos de magos e guildas de ladrões, ameaças naturais ou mesmo eventos diplomáticos.

Exemplos: expulsar os Ladrões das Sombras; erupção de um vulcão próximo à cidade; despertar de um dragão; derrotar o mago maligno que está raptando pessoas na favela da cidade.

2o Passo: Local da Aventura

Com a ameaça já definida, fica mais fácil decidir e pesquisar onde a trama ocorrerá. Nesse ponto, já tenho idéia também se será uma aventura no deserto, numa floresta ou mesmo na capital do reino. Abra o mapa do cenário de campanha escolhido (Eberron, Forgotten Realms, etc.) e selecione uma região que suporte o tom e a ameaça selecionada.

Exemplos: se os Ladrões das Sombras forem o inimigo da vez, coloque-os em ambientes urbanos, de preferência grandes centros urbanos. Colocá-los no meio do deserto vai descaracterizar esses vilões. Na pressa de aprontar uma trama, o óbvio é o melhor amigo do DM!

3o Passo: Os Três NPCs

Nesse ponto, monto apenas três NPCs: um bom, um neutro e um maligno (não necessariamente o vilão principal da trama). Isso ajuda a criar oportunidades de interação improvisadas e vai passar a ilusão que você ficou uma semana preparando a história. Lembre-se que o NPC neutro pode virar um traidor ou um valioso aliado durante a aventura.

Exemplo: o ferreiro da cidade deseja ajudar os PCs a desestabilizarem os Ladrões das Sombras que, dentre tantas atividades, estão sabotando seu carregamento de ferro; o líder da milícia está desconfiado que algum membro do grupo de heróis faça parte da famigerada guilda ladina; e, por fim, o informante do líder dos Ladrões das Sombras, infiltrado na milícia local. Pronto, três NPCs com motivações e tendências distintas.

4o Passo: O Final

Se você tiver idéia de como será o final da história, ótimo. Se não tiver, não se desespere. Muitas vezes é interessante deixar os jogadores rumarem naturalmente para a conclusão da trama. O resultado geralmente é no mínimo interessante.

Exemplo: Se você planejou que a luta final contra o líder dos Ladrões das Sombras seria no esgoto e ela, aos poucos, está rumando para a praça da cidade, relaxe. Será legal quando o líder desconfiado da milícia chegar e ver que o ladrão do grupo não era membro da temida guilda, e estava ajudando a salvar a cidade o tempo todo.

Às vezes alguns bons NPCs já são o suficiente (© 2011 Genzoman)

5o Passo: Extras

O que puder inserir de detalhes a partir de agora, é lucro. Tem tempo pra desenhar o mapa dos esgotos? Ótimo! Tem tempo para fazer mais alguns NPCs? Perfeito. Como pode perceber, esta etapa está ligada diretamente ao tempo disponível para incrementar ainda mais a trama. Aproveite e faça uma pesquisa de imagens para ilustrar locações e personagens (principalmente daqueles três NPCs).

Exemplos: pensar em missões secundárias (como desmascarar o informante infiltrado na milícia), criar novos NPCs, detalhar serviços oferecidos no local da aventura, templos na região, etc.

✣ ✣ ✣

É isso. Não é uma ferramenta perfeita, mas é pode ajudar como ponto de partida para tramas simples e até mais complexas com muitos pontos de virada e tramas paralelas.

Façam bom uso e ajustem o que precisarem. Bom jogo!

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5 comments on “Método rápido de criação de aventura

  1. Romani on said:

    Poxa, muito bacana essa matéria. São linhas gerais que com certeza ajudam muito na preparação da aventura. Sabe lendo matérias assim que penso, por que não existem tantas ferramentas bacanas de incentivo criativo para os mestres. Sempre temos que depender da nossa “bagagem”? Além do Dungeon Master Guide para a 3.5 e 4E não temos bons livros de dicas para mestre não é mesmo?

    • Marcelo Dior on said:

      Tem o livro «Robin’s Laws of Good Gamemastering», do Robin D. Laws, pela Steve Jackson Games. Mas nunca li então não posso recomendar.

    • Ranieri Mattos on said:

      Que bom que gostou Romani. Em português tem as compilações das Dicas de Mestre da Dragão Brasil que saíram pela TRAMA. Sempre me pego relendo os dois volumes em busca de inspiração. Abraço.

      • Romani on said:

        Poxa Ranieri, infelizmente só tenho o número dois do Dicas, preciso ver se encontro o primeiro volume, ou o encadernado. Valew Pela Dica.

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