Balancing on the Invisible © 2006 por Dru! no Flickr.

"Balancing on the Invisible" © 2006 por Dru! no Flickr.

Um costume muito gostoso que migrou para o Orkut é o contar de lendas lendárias, as histórias hilariantes que acontecem nas mesas de jogo Brasil — e mundo — afora. Até mesmo o podcast Vozes da Terceira Terra estreou um bloco com histórias assim, chamado «Crônicas da falha crítica».

Eu tenho esta guardada há alguns anos, e como toda boa piada, merece ser reciclada e ver a luz eletrônica do dia. Os nomes dos jogadores são fictícios, para proteger-me de qualquer represália por contar esta história.


A situação abaixo aconteceu há alguns anos, num jogo de Dungeons & Dragons [3ª edição] que eu mestrei. Eu sou o Dungeon Master. Os personagens eram comandados pelo João (um feiticeiro), Gabriel (bardo) e Júnior (bárbaro). Eles estavam em Prague-Mort (uma não muito agradável cidade às portas — literalmente — do Abismo) e queriam invadir uma torre abandonada, recém-ocupada por drow. Foi criada uma distração e o destacamento inteiro de soldados drow saiu da torre, deixando somente meia dúzia de magos. A torre tinha todo o lado esquerdo desmoronado, deixando alguns andares expostos.

Os três, cada um à sua maneira, ficaram invisíveis (isto é importante). Os personagens de João e Júnior saíram voando (aquele com magia e este com um item mágico) e esperaram ao lado do terceiro andar Gabriel, também invisível, entrar por um caminho que conhecia e ver se todos tinham saído mesmo. O bardo chega ao terceiro andar e vê que não há ninguém:

DM: Ninguém.

Gabriel: Então eu vou até onde a parede está quebrada e dá para o lado de fora, e aceno para os outros caras.

DM (torcendo a boca): Invisível?

Gabriel: Ah, é. Então eu disparo uma flecha em direção a eles como sinal.

DM: Em direção aos caras… invisíveis!?

Gabriel (envergonhado): Tá bom… Eu desfaço a invisibilidade e aceno.

(Depois de muitas risadas, o grupo se reúne, Gabriel cobre seu personagem com invibilidade novamente. Os três andam até uma porta onde Gabriel ouvira no dia anterior uma reunião dos drow. Todos continuam, portanto, invisíveis.)

DM: A porta está trancada. O bardo falha no teste de destrancá-la.

João (na forma de um falcão para poder voar): Tudo bem. Eu digo para eles que vou dar a volta pela sacada que contorna o andar e ver se há outra porta.

DM: Você quer dizer “pia”.

João: Ahn… eles estão usando a magia “tongues”, podem me entender, porque eu falo em língua de falcão!

DM: “Língua de falcão”? Como é isso? “Piu-piupiu… piu”?

João – Okay, okay. Eu mudo para um forma humanóide e digo para virem até onde estou.

DM: Você ainda está invisível.

Júnior: Por que você não acena?

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundarista de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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