Tem uma novelinha de adolescente, um tipo de «Malhação» de pobre, passando no canal aberto Record, que tem uma galera que sacaneia os outros jogando LARP — e dizendo que é RPG — o que provocou uma reação visceral na comunidade jogadora no Brasil. Bem exagerada, a meu ver.

Blogs saíram correndo para escrever postagens sobre o que é RPG porque viram que molequinhos apareceram em sua área de comentários querendo saber mais sobre o jogo. Abaixo-assinados para remover o plot-point da novela estão sendo feitos (o que é a cara de um país que ainda não se livrou do modus operandi da ditadura) e nas listas de e-mails há clamores para que o passatempo seja desmistificado, que jogos sejam criados para essa pirralhada escutadora de novela, que os jogadores sejamos mais abertos, que procuremos conscientizar vizinhos, parentes, alunos…

O exagero, ao que parece, não é o dos roteiristas da novela, mas dos próprios jogadores de RPG.

Em primeiro lugar, preciso ao menos dizer que o rebuliço me mostrou que eu não tenho um único atalho por aqui explicando o que é RPG. Mas, ao invés de fazer como se está fazendo por aí, segui a lei do mínimo esforço e meti no cabeçalho um link para o verbete RPG da Wikipédia em português (que considerei anormalmente bom para um texto em na língua de Cabral de lá). E a melhor parte é que pode ser atualizado, corrigido e melhorado por quem quiser, ao contrário de um artigo marretado que eu fizesse por aqui.

Também há pedidos para que podcasts (minha praia) façam episódios sobre o que é RPG. Bom, o primeiro episódio de todo podcast é, quase sempre, “o que é RPG” — e geralmente é o pior episódio de todos que o show põe no ar no decorrer de sua vida. Que atire a primeira pedra…

Seria este um elfo rebelde? (© 2004 Adele Lorienne S.)

Acho que estamos aqui tratando o RPG como se fosse um culto, ou algo difícil, ou envolto em mistérios. Não acho que se vá fazer um único jogador de RPG da audiência da novela — seria o equivalente ao número de motoristas aumentar depois dos filmes «Carga Explosiva» ou ter mais gente comprando PS Move depois de «Gamer» (ou mais gente comendo croissant de chocolate depois do filme «Simplesmente Complicado»). O pessoal vai pesquisar, regras serão explicadas, eles vão ver que não é o troço da novela… e vão voltar a ver a novela.

Particularmente, quero que a molecada que assiste «Rebelde» passe longe da minha mesa de jogo! Já tive minha cota de adolescentes (e mães) curiosos nos três anos em que mestrei publicamente num parque local, e já fiz minha boa ação da vida ao mostrar D&D para quatro turmas de crianças quando dei aula no ensino fundamental. Além do mais, assim que esse enredo em particular da novela passar, o interesse dos “rebeldes” vai passar também — ou melhor, mudar para o foco do próximo plot-point da novela.

Tomara que seja álcool ou drogas pesadas.

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey, Tom Clancy e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundário de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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