Hoje a Wizards of the Coast anunciou em seu site e também numa matéria do The New York Times, que estão preparando uma nova edição do Dungeons & Dragons, desta vez com ajuda dos jogadores, num playtest estendido que pode muito bem durar (imagino) até a GenCon 2013.

Eu já passei por isso duas vezes. Aguardei com excitação a saída do D&D 3e dozes anos atrás, e segui fielmente cada novidade sobre a 4e em 2007. Cada mudança de edição traz um misto de emoções para mim que, como muita gente, começou a jogar RPG com o D&D. Mas esta mudança (que, interessantemente, a WotC não está chamando de 5e) é a primeira que me deixa triste.

No século passado, quando eu soube da compra da TSR pela editora do Magic: The Gathering, fiquei feliz por saber que eles iriam tocar o barco do D&D. Alguns anos depois, em 2000, eu havia acabado de deixar a casa dos pais para trabalhar e viver minha própria vida, e meus dias de internet na verdade eram noites, quando eu me conectava via linha discada depois da meia-noite e só me desconectava com o sol raiando (trabalhava só pela manhã, então dormia à tarde). Comprei os livros da 3e, que na época não era chamada de “terceira edição” (apesar do numeral 3 sugerido nos logotipos da Dragon e da Dungeon Magazines) na pré-venda e caí matando assim que meu Player’s Handbook chegou em casa — os três livros básicos saíram com um intervalo de dois ou três meses entre eles, e não juntinhos como aconteceu com a 4e.

Foi uma mudança muito bem-vinda, porque eu já estava cansando do AD&D. O sistema da TSR parecia… sei lá, antigo. As comparações com outras coisas que se jogava na época eram inevitáveis, e o Advanced Dungeons & Dragons, mesmo com as regras avançadas da série Player’s Options, parecia datado. Ainda assim, continuei mestrando AD&D por vários meses para fazer a transição de sistemas o mais suave possível — num de meus jogos, a mudança no sistema de magia ocorreu “in game”.

Ainda há livros de D&D na minha estante que não li.

Joguei D&D 3a. edição até enjoar. De fato, até ficar de saco-cheio do sistema. Quando a WotC anunciou a nova edição e começou a lançar no site algumas das ideias que estavam por vir, fiquei muito animado. Tão animado, que assim que a 4e saiu, vendi todos os meus livros do D&D 3e — não queria nem vê-los mais, algo que não fiz com o AD&D (pra falar a verdade, compro livros do AD&D até hoje, em espeical Monstrous Compendiums e cenários de campanha). A passagem da terceira para a quarta edição para mim foi um alívio, um sopro de vida nova no meu RPG favorito. Encerrei minhas campanhas na 3e com algum tipo de catástrofe ou fim de mundo; uma das minhas campanhas (talvez a mais longa de toda a minha vida), que vinha lá do AD&D 2nd Edition, conseguiu sobreviver por todo o período da terceira edição, mas eu a terminei em Maio de 2008, poucos dias antes da minha pré-compra de Keep on the Shadowfell chegar. Desta vez nenhuma campanha sobreviveu e foi transferida para a 4e — comecei tudo novo, no nível 1.

Tenho a impressão que o tempo de vida da 4e será muito curto. Se a próxima edição sair, como imagino, na GenCon 2013, a atual edição terá vivido por cinco anos. A terceira edição teve oito anos de vida. (Não me venha com aquela conversa fiada de 3.5. Aquilo foi uma atualização das regras, um Essentials, não uma edição de verdade.)

Por isso, ao contrário do AD&D 2nd Edition e do D&D 3e, com a 4e eu sinto que não joguei o suficiente, que não explorei o jogo o tanto que eu queria. Diferente das outras edições, que acabei adquirindo livros além do que precisava (e nem gostei de alguns), ainda há muita coisa da 4e que não li ainda e gostaria de jogar, de comprar. Diabos, ainda tenho livros da quarta edição na minha estante que não terminei de ler!

Pretendo ainda jogar muito D&D nestes 18 ou 24 meses até sair a nova edição. Torço para que a nova edição seja ótima, que me seduza — porque precisa ser um diabo de jogo bom para me fazer parar de jogar 4e. Vou participar dos playtests se me convidarem, e estou curioso para saber o que vai acontecer com o D&D Insider, se as opções de quarta edição irão desaparecer quando o serviço for atualizado para a próxima, ou se ambos viverão juntos por um tempo.

Pois é. Estou triste com a notícia. Ainda tenho muito Dungeons & Dragons 4e para jogar.


Também publicado em inglês no blog 2d6cents.

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundarista de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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