Salve salve minha galera nerd deste Brasil poético, estamos começando esta nossa nova coluna aqui no Notícias da Terceira Terra ao som de Blind Guardian. Aqui quem escreve é o seu amigo nerd MMFelix e sentaremos aqui nesta taverna agradável, à beira do fogo, tomando a melhor cerveja para papear.

A nossa estréia não poderia ser melhor, conheceremos a realidade por trás de um personagem muito querido nas nossas mesas de jogo: o bardo.

© 2004 Rezo Kaishauri

Eles foram chamados de muitos nomes: bardos, jograis, menestréis, trovadores… mas uma coisa eles têm em comum: a música como meio de levar as notícias! É sobre esse pessoal pouco lembrado que nós falaremos hoje.

Como durante muito tempo a escrita era algo de pequenos círculos (e muitos reis eram iletrados), a melhor forma de transmitir notícias, contar histórias e entreter o povo era a mais empolgante possível: música!

Numa época sem internet, telefone ou jornais, esses homens faziam a ponte entre cidades, países e regiões longínquas através do som que habilidosamente tiravam de seus instrumentos. Quanto às formas de chamamento, temos diversas:

Bardo vem da cultura gaélica, irlandesa, escocesa, galesa, bretã e da Cornuália. Eles, além de notícias de terras distantes, cantavam as glórias na guerra e os antepassados de seus protetores. Eram poetas profissionais.

Menestrel vem da cultura francesa e italiana; ele entretinha o comandante local e sua corte. Também não deixam de ter a sua cota de invasões, cerco e coisas do tipo para cantar. Nosso querido Chaucer (para aquele nerd que conhece mesmo sobre Idade Média e sabe quem escreveu «Os Contos da Cantuária») está listado e altamente cotado entre os menestréis.

O trovador e o jogral vêm da tradição ibérica, presentes em Portugal e na Espanha. Havia uma diferença sublime entre eles que quase ninguém sabe, pois só aprendemos nas aulas de literatura que os trovadores faziam as famosas cantigas. Pois bem, o povo também merece diversão! Os trovadores eram a elite da viola, ficavam no palácio e brincavam lá com seu amor cortês e sua vida enfadonha cantando as mulheres casadas da alta sociedade. O jogral estava lá nas feiras, nas festas do povão, cantando e dançando ao redor da fogueira com as suas palavras de conforto.

© 2012 Julia Alekseeva

Tema interessante falar do bardo. Ele se faz presente até hoje na nossa vida e no nosso imaginário. Quando eu comentei sobre Blind Guardian no começo deste texto, estava pensando na música «The Bard’s Song (In The Forest)». Ela me inspirou a escrever uma série de poemas — A Série do Bardo — que eu publico no meu blog.

Um adendo moderno: faz algum tempo que vi, na guerra na Líbia, uma cena que me chamou muito a atenção. Em uma foto de um tiroteio havia um homem tocando um violão em meio ao caos; isso me mostrou (entre muitos risos e aspas) que o bardo ainda está presente no meio da batalha e da confusão para depois cantá-la.

Um abraço nerd e até a próxima! Que nossas vidas possam ser cantadas através das notas do bardo!

Um brinde!

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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