© 2012 Aaron Sehmar

© 2012 Aaron Sehmar

Felizmente essa não é minha realidade atual, mas já me vi passar por isso. Acredite: existem muitos casos por aí. O Mestre “obrigado” a narrar um jogo com o qual ele não se sente à vontade ou até mesmo sem gostar do jogo ou do cenário como um todo.

Pense comigo: você devora livros de horror, adora o tema, importou um Call of Chtulhu pela Noble Knight, mas ele continua lá na estante, pegando poeira. Desde o lançamento do RPG Marvel Heroic System, li e adorei o jogo, mas meu grupo simplesmente detesta quadrinhos! Hoje, a licença já foi até perdida e o livro nem viu mesa! Por que diabos isso acontece? Por que o Mestre ainda fica “refém” de seus jogadores, quando geralmente é ele quem investe mais tempo e dinheiro com o passatempo? Veremos abaixo algumas táticas que você, como Narrador, pode tomar:

– Tática “acho que você vai gostar disso”: aqui a estratégia é encontrar um meio termo. Por exemplo, você quer jogar Cyberpunk, mas três integrantes do seu grupo adoram magia e criaturas sobrenaturais. Que tal lhes apresentar Shadowrun? Caso seu grupo deteste Dungeons & Dragons, mas adore vampiros, horror pessoal e conspirações, por que não apresentar Ravenloft e explicar sua premissa gótica? A união de todos esses conceitos pode cair como uma luva para o seu grupo.

– Tática “episódios filler”: aqui você explica que vai aproveitar o final da campanha para apresentar um novo jogo. Antes do grupo começar a se descabelar e pular pela janela da sala, explique que será uma trama que será concluída em 2 ou 3 sessões, tempo que você precisa para montar a próxima campanha do jogo principal. Quem sabe eles gostem tanto que o jogo apresentado ganhe mais espaço e novos fãs?

– Tática “cara, leia isso”: você terminou de ler a Trilogia do Sprawl de William Gibson e seu hype está lá nas alturas. Se seu grupo gostar de ler, empreste e recomende a obra para seu grupo, pode ser que eles embarquem no trem do hype junto com você! Quer jogar GURPS Supers com uma pegada sócio-política? Sugira Wild Cards, lançado no Brasil pela editora Leya. Caso seu grupo não tenha hábito de leitura (sim, existem jogadores de RPG assim), a fórmula funciona com filmes e séries também.

Esse DM é obrigado a jogar D&D desde a caixa da Grow. (© 2008 derDommy)

Esse DM é obrigado a jogar D&D desde a caixa da Grow.
(© 2008 Thomas Martin Pieruschek)

– Tática “segunda chance”: às vezes você pergunta para alguns jogadores por que eles não gostam de um determinado jogo, sistema, ou cenário, e eles dizem simplesmente: “ah cara, sei lá, não gosto”. Se pesquisar mais a fundo, descobrirá que muitas vezes isso acontece por uma experiência ruim por parte de um antigo mestre ou grupo. Diga que seu estilo de jogo é diferente e que sua abordagem do cenário é única (ou qualquer bobagem assim), se ele lhe der uma chance pode vir a mudar de opinião.

– Tática “isso é uma democracia, puxa vida”: você pode fornecer algumas opções de jogos que está com vontade jogar e deixar o grupo votar. Apresente no máximo três opções, pois se apresentar dez, o grupo ficará confuso perdendo tempo pesando prós e contras.

– Tática “a bola é minha”: se tudo falhar, você pode muito bem arremessar na cara deles fatos como: sou eu quem compro e importo os livros, é a minha mãe quem faz os lanches, os dados são meus e “quem manda nessa porra sou eu!” (ok, talvez com um pouco mais de tato…). Já fiz isso uma ou duas vezes e não perdi nenhum amigo até hoje…hihihi. Mas falando sério, essa tática é simples, prática e madura: você apresenta um novo RPG, senta todo mundo ao redor da mesa e joga. Se não se divertirem, muda pra outro.

No final das contas, acredito que alguns GMs aceitam tal condição por se sentirem inseguros de ensinar um novo sistema, apresentar um novo cenário, ou mesmo temendo um motim generalizado, achando melhor continuar em sua “área de conforto”. O segredo (como em qualquer tipo de relacionamento, seja casamento, grupo de jogo, profissional, etc.) é sentar e conversar honestamente.

Bons jogos para todos!

Trabalha com Cinema e TV desde 2005 e joga RPG desde 1994, ao qual mantém uma relação de amor e ódio com D&D. Dono do podcast de cultura pop Dimensão 7.

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