DDefinitivamente não é uma cena comum por aqui, na cidade costeira e calorenta de Laynar, se deparar com uma figura dessas, apesar de já termos visto aqui na taverna do Elfo de Porre uns tipos bem parecidos. O que mais me impressiona é o olhar melancólico desse cara. Não sei bem descrever, mas se pudesse, seria um misto de fúria, remorso e confusão. Ele parece cansado.

Já não é a primeira vez que o vejo. Armadura meio destruída, sem brilho, espada dentada… Sei que existem uns da raça dos humanos que são meio desleixados mesmo, mas esse aí parece ter saído do fundo daquelas histórias de horror que as babás contam para as crianças em minha floresta natal.

Tudo o que pude investigar desse cara são informações desencontradas, pois aqui nessa taverna, cada um que vem assistir às minhas apresentações fala o quanto o nível de álcool no sangue deixa de consciência. A maioria só fala besteira, mas, nem tudo é perfeito!

Eu só sei que tudo começou há umas duas luas com uns rumores estranhos. De tanta angústia, os lobos selvagens uivavam ao longe e me pareceu que os portões da cidade nunca ficaram tão trancados. Somos uma cidade livre, com um governo local que é um tanto quanto maleável com os outros da região. Devido a importância que temos para o comércio dentre os continentes, procuram nos deixar em paz para não desequilibrar a tênue balança entre aqueles que, deste lado do grande mar, fazem parte da Aliança. Mesmo assim, nunca vi tantos cadeados nos portões e tantos rumores de ódio e desgraça.

Ao que consegui saber, muito tempo depois, quando estava andando pela borda mais oriental de onde é seguro estar num dia chuvoso enquanto se pensa em uma nova música para as apresentações, foi que tudo começou com um sujeito meio estranho vendendo uma poção miraculosa. Dizia servir para quaisquer tipos de males que as “principais e nobres raças do continente de Qatir possam sofrer”. Diziam que ele tinha uma eloquência tremenda.

Se bem me recordo, quem me contou essa façanha foi um pequeno Wilden que passava com um frasco de aparência tão saudável quanto a que ele mesmo pode mostrar em seu esplendor, ou, o que consegui ver depois do porre. Se bem que pela felicidade do meu pequeno amigo, aquela bebida prometia, mas eu não curto misturar. A ressaca é sempre pior.

Aquela poção era objeto de adoração de praticamente todos, menos de uma pessoa que, pelo que soube em outros relatos, não foi com a cara do sujeito desde o primeiro olhar. A desconfiança era tanta que Elrich, o Capitão da Guarda da cidade de Playnuir fez de tudo ao seu alcance para que o sujeito não entrasse.

Não sei o que é mais fácil de se iludir: uma criança com um daqueles fabulosos doces medicinais da Floresta Divinha de Thrahaal ou uma pessoa muito doente. Digo isso pois foi assim que aquela figura conseguiu entrar em Playmuir. Seu governante, Baldarur, que o povo chama de O Longevo, já estava precisando de certas bênçãos especiais de seus clérigos para manter-se de pé.


Continua próxima Segunda-Feira…

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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