O que não entendo nas pessoas é esse apego que elas têm em ir contra o fluxo das coisas. Nós elfos aprendemos desde cedo, não importa de qual subcategoria sejamos, que o tempo que cumprimos é tão breve e tão fluido que, ao invés de nos preocuparmos, devemos seguir o seu fluxo da melhor maneira possível, pois o tempo da grande escuridão chegará a todos. Por isso nós, bardos de todos os lugares, existimos. Não podemos deixar que a escuridão chegue para todos, principalmente para um cara como Elrich, pois quem o julgará é a História.

Reza a lenda que ele é uma pessoa muito dedicada à sua função, levando a sua vida de comandar a guarda da cidade, a qual chamam de Guardiões, muito a sério. Até porque não é qualquer um que chega ao posto de Guardião. Eles são uma das patrulhas mais bem preparadas dos reinos da Aliança, sendo formada em sua nata por sobreviventes da grande batalha pela unificação. Mas isso já faz tempo.

Descobri que, com essa função, Elrich tinha o importante papel de aconselhar o Longevo em suas decisões e de colocar ordem na cidade quando ele está bem acamado. E foi numa dessas discussões de conselho que o estranho encapuzado entrou na cidade, arrastando a sua carroça meio lascada e recheada de frascos. Confesso que senti pena de seu pobre cavalo.

Ao que parece o cara tinha uma eloquência infernal, eloquência até demais para um Kobold. Eles são meio estranhos, aqueles lagartinhos. Só sei que após argumentar brevemente com o Longevo – e dar-lhe uns frascos como presente – ele não só conseguiu passe livre para a cidade, mas também ganhou um lugar de destaque na feira. Nunca soube o que ele disse, e acho também que nunca chegarei a saber ao certo, pois tenho certeza de que quem caiu no papo milagroso do Kobold não contará o que viu. Acho que nem o Capitão contará alguma coisa, apesar de nada ter bebido, mas acho que ele não contará nada mesmo.

O que se seguiu foi o seguinte:

Em princípio aconteceu o prometido pelo Kobold. As pessoas mais doentes começaram a ganhar mais ânimo e vitalidade, e logo Baldarur estava circulando o mais longe possível de seu leito. Todos ficaram tão maravilhados com a eficácia que logo o carregamento daquele elemento teve de ser reforçado. Mantanuir, como era chamada a criatura, teve de “sair” da cidade por um tempinho – e sob muitos protestos da parte dos beneficiados – para reorganizar mais beberagens para os sedentos de Playmuir.

Em uma de suas patrulhas pela redondeza, Elrich viu uma fumaça estranha por entre umas folhagens. Ela estava meio iluminada, trocando de cor tão rápido que não havia como distinguir um tom predominante sequer. Ao se aproximar cautelosamente, ele viu que o tal Mantanuir rodopiava freneticamente em volta de uma fogueira, recitando umas palavras meio bizarras que pareciam uma invocação.


Continua próxima Segunda-Feira…

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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