O que Elrich viu em seguida, segundo contaram os carcereiros da Torre Inexpugnável, quase arrancou o couro das minhas costas com o arrepio que eu senti. Ele viu uma figura draconiana imensa, com uma cor meio arroxeada, parecendo aquele hematoma de uma pancada muito séria. Suas asas pareciam esburacadas. Aliás, todo o seu corpo parecia com a carne que esqueceram de salgar e curtir ao sol e deixaram 1 semana de bobeira. Bom, ainda bem que eu não vi, só me contaram.

Petrificado, o Guardião assistia aquele lagartinho insignificante fazer deferências e vênias àquela entidade bizarra que se apresentava acima da fogueira. Pelo que se pôde distinguir em meio aos guinchos, alguma coisa parecia com “dê-me sua benção, senhor de todo o Nécron, que eu seja o seu servo mais fiel e esbanje as recompensas de vossa graça”, ao que a entidade respondia algo como “reúna meu exército e tudo o que pedes te será dado”.

Tendo a plena convicção de que as coisas não iriam acabar bem, e realmente quem vê uma figura daquelas e acha que as coisas estão tranquilas ou é bêbado ou é maluco, ele sai correndo de volta para Playmiur para contar o que viu. Mas, assim que ele chega na cidade, vê a cena que mudaria a sua vida para sempre.

Por onde passava, apesar do vigor espantoso das pessoas, Elrich viu suas peles começarem a ficar meio amareladas. Enquanto ele caminhava em direção ao palácio do governo, todos pareciam bailar ao sim inaudível de alguma música e balbuciar alguma canção ancestral. Isso não é nada legal de se ver, ainda mais depois daquele contato imediato em 3º grau com o desconhecido.

Em sua sala de reuniões, o Longevo estava de pé sobre sua grande mesa redonda, enquanto seu fiel séquito dançava ao seu redor. Todos nus, que desgraça! Horrorizado, o Guardião só teve tempo de balbuciar um “mas que c…”. Seus pensamentos foram interrompidos por Longevo, que insistia que Elrich tomasse um gole daquela maravilhosa poção e sentisse o grande vigor que ela proporcionava. Longevo chegou a dizer que ele seria um soldado incansável com ela.

Sob protestos veementes, o fiel guardião da cidade contou o que viu com uma riqueza de detalhes digna de um verdadeiro bardo. Insistiu na necessidade de reunir seus homens e começar uma busca urgente pela região antes que o mal se instaurasse de vez, e que jogassem fora o mais rápido possível aquela beberagem e começassem a se desintoxicar com os clérigos. Insistia que ali havia feitiço, e feitiço brabo. Mas, para seu horror, Longevo simplesmente ignorou o perigo que se apresentava e declarou-o louco, inimigo do maior benfeitor da cidade e alguns de seus antigos companheiros o acusaram de tramar contra o bem-estar do povo.


Continua próxima Segunda-Feira…

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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