Sem acreditar no que estava acontecendo, Elrich foi conduzido à masmorra e encarcerado. Todos os dias alguns dos seus passavam por lá e insistiam para que ele tomasse o milagre e fosse mais uma vez parte com a cidade. Ele até teria entrado nessa, pois seu amor por sua terra é igual ao amor de uma jovem elfa pelo seu escolhido, mas ele viu o que estava acontecendo, ele via as mudanças a cada dia que passava acorrentado. A pele das pessoas estava cada vez mais parecida com a daquele dragão bizarro. As coisas estavam piorando, ele precisava sair dali e fazer algo.

Usando velhas habilidades de guerra ele conseguiu soltar as correntes que o prendiam e começou uma evasão furtiva. Nesse meio tempo, as memórias de uma guerra quase esquecida voltaram à sua mente. Tempos em que ele e Sir Edward, valoroso cavaleiro que mora mais ao sul do continente, tiveram de escapar da Fortaleza da Montanha da Tormenta usando nada mais que uma corda e uma faca de manteiga. Pelo que ouvi, eles conseguiram escapar de uma maneira que creio ser inimitável.

Às vezes me pergunto como ninguém impediu aquele cara de escapar. Mas as coisas são assim quando se está enfeitiçado. Ninguém deu a mínima para um prisioneiro numa torre, estava preso mesmo. A cidade toda estava na praça do mercado, onde Mantanuir pregava as maravilhas da transformação a todos que estavam passando.

Para chamar menos atenção ainda, ele fez o que nunca pensara ter de fazer. O Guardião estava se despindo das insígnias de sua terra. Não foi a cena mais agradável de se imaginar, ainda bem que eu não estava lá para assistir. Um homem que ama a sua própria terra não a larga com tanta facilidade. Depois de tirar toda a sua armadura, Elrich colocou sua velha capa verde, surrada dos invernos passados em campanha e apanhou a sua velha espada forjada com os metais banidos do antigo reino.

Evadiu da cidade.

Ele esperou durante uns dias na mata, rezando para que Mantanuir precisasse reabastecer. Não demorou muito, pois era verão e os sedentos de Playmiur estavam secos por mais um trago daquele milagre energético. Ele só teve de ter paciência e lembrar das aulas de patrulha que recebeu do avô de Sir Edward: longe da vista, mas perto o suficiente para sentir o cheiro fedorento do traseiro do inimigo.

Seguindo o Kobold, Elrich chegou até uma antiga mina de prata que estava em ruínas e que havia sido deixada de lado. Em seu interior, ele viu uma série de pessoas que pareciam estar num estado não muito bom para quem está “vivo”. Parecia que eles eram regidos por seus instintos mais primitivos, e um misto de respeito e medo pela figura do dragão roxo impressa em suas cotas e armaduras. Eram o que chamam por aqui de indivíduos necrosados. Não estavam lá e muito menos do lado de cá. Mantinham seus corpos, mas seu estado era lastimável. Dizem os mais antigos que isso é devido à separação entre seus corpos e sua centelha vital. Em verdade, não se sabe se eles são o que eram ou se tornaram outras coisas. Suas lembranças parecem estar meio intactas, não totalmente.


Continua próxima Segunda-Feira…

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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