Tomado pela surpresa, raiva e pelo fato de ter sido visto, o Guardião derrubou o barril de óleo para a iluminação e lançou sua tocha. Deixando o fogo para trás, ele tentou correr para a cidade. Quem ele via pelo caminho presenciava a mesmíssima cena: estava jogado ao chão se contorcendo, com a pele abrindo pústulas que fediam a enxofre.

No meio do caminho, Mantanuir bloqueava a estrada à sua frente e, estando seguro de que a vitória era certa, resolveu revelar seu plano. O Kobold dissera que todos haveriam de se tornar seres necrosados para se juntar ao exército de seu mestre, o senhor necrosado de Tangaratorn, o grande Tangaraon. Seu senhor desejava reunir um exército poderoso para desestabilizar a Aliança e reaver a parte de seu antigo reino que foi ocupada e devastada na guerra de unificação. Não haveria nada que Elrich pudesse fazer.

Mantanuir deixou a estrada e seguiu de volta para Playmiur, a fim de ver o final da transformação e reunir o exército de seu mestre. Mas, antes de sair, deixou parte de sua escolta – contam que foram uns 15 – para cuidar que Elrich não fosse uma pedra em seu caminho. Pelo estado em que ele anda pela cidade esses dias, podemos dizer que a luta foi ferrenha.

Após mal conseguir cuidar dos quinze necrosados, ele correu para a biblioteca da cidade, procurando por algum pergaminho que permitisse reunir alguma cura ou remédio para sua querida cidade. Ele o encontrou sem dificuldade. Porém, o que ele viu não o agradou. Ele haveria de voltar para a mina em busca de uma lasca de prata virgem para o componente principal.

Ele quase não conseguiu sair vivo de lá. Não só sua vida foi quase perdida, mas a sua sanidade também. Ele viu certas coisas que não deveriam ser vistas e ouviu certas línguas que deveriam continuar banidas para todo o sempre. A esperança de salvar sua cidade era o que mais o impulsionava. Deixando o cansaço, os ferimentos e as torções de lado, ele se pôs a caminho para salvar sua terra.

Infelizmente, ele não foi tão rápido assim. Ao chegar à cidade, Mantanuir já se preparava para sair com seu novo exército. Seu desespero foi gigantesco ao lembrar que o pergaminho dissera que, uma vez completada a transformação, não haveria mais volta. A única saída era banhar uma lâmina no composto da fórmula e dar cabo do indivíduo necrosado.

Eu, Fanelix, bardo dessa paragem de Laynur, nunca gostaria de ter me deparado com o dilema de Elrich. Lutar contra alguns inimigos é a vida de um guerreiro, mas lutar contra a vida de quem você jurou proteger é algo complicado. Não adiantam as minhas conjecturas, pois um homem faz aquilo que ele deve fazer… Eu não queria estar na pele dele.


Conclui próxima Segunda-Feira…

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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