Prefiro não comentar o primeiro ou o último que ele apunhalou. Também não sou maluco em dizer que ele saiu esfaqueando e matando uma cidade inteira sozinho. Pior ainda seria dizer que foi com um grande sorriso na cara. Demorou. Duas luas para ser mais exato. Por isso os animais das trevas uivavam e gemiam sob aquele luar grande e vermelho. Não conheço o outro lado, não posso dizer se as almas daquelas pessoas estavam horrorizadas ou aliviadas. Não visitarei as ruínas de Playmiur como fazem os mais intrépidos e nem cantarei aquele horror, apenas relato a história daquele homem atormentado por ter pena de sua alma.

Foram dias a fio de escaramuça. Parece que os necrosados não enxergam muito na claridade. Fica mais “fácil”, não muito, existem mais quatro sentidos. O pior, se é que dá para fazer uma escala de ruindade, foi cuidar de Mantanuir. O que ele tinha de feio, tinha de habilidoso. Foi uma luta desigual e a alma de Elrich ficou mais quebrantada ainda pelas coisas inomináveis que Mantanuir disse. Não gosto de repetir, mas era algo sobre matar seus próprios pais e irmãos. Enfim, deu-se cabo da demanda.

Infelizmente, muitos concordarão com o acontecido. A epidemia, como chamam esse incidente, foi controlada em tempo. Infelizmente vidas foram perdidas. Mas a região está salva e a Aliança intacta. É o que dizem.

A que preço?

Se vocês virem Elrich andando por aí, verão quem está pagando e pagará esse preço por muito tempo. Se existe o outro lado, creio que ou ele continuará pagando pela eternidade, ou finalmente terá descanso.

As autoridades da Aliança foram alertadas sobre Tangaraon e lançaram um ataque à sua fortaleza. Ainda estou a receber notícias sobre o sucesso da empreitada. Foi oferecida ao Guardião uma incontável soma de recompensas, mas só eu pareço entender os motivos pelos quais ele não aceitou. Só eu pareço entender os motivos pelos quais ele não mais pronuncia nem o próprio nome.

É a vida.

Foi a vida dele.

Hoje em dia ele vaga aqui pela cidade. Ninguém lhe dá atenção. Tomam-no por um velho louco e excêntrico. Eu o tomo pelo maior dos guerreiros. Cada um tem as suas razões e as crianças tem hora para dormir.

Já para cama, papai precisa se apresentar essa noite.

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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