O que fazer quando determinados jogadores ou NPCs querem aspirar poderes e status a qualquer custo? O que fazer quando seus jogadores acharem que não existem limites para se querer tornar poderoso, importante ou influente?

É uma pena pensar que um bondoso mago ou um piedoso clérigo possam se tornar gananciosos e sedentos de poder a ponto de nem mesmo perceberem que estão deixando seus caminhos e ideais para trás ou mesmo aquele impiedoso e cruel vilão perdendo-se em uma simples compulsão. Até que ponto puramemte ficar mais poderoso é parte do jogo e quando isso se torna uma obsessão e como usar esse desvio de conduta do jogador sobre seu personagem em favor da história?

Primeiro entendam que não sou contra o crescimento de um personagem. Não sou contra personagens que têm uma bela ficha construída e é efetivo no jogo. Eu mesmo sou admirador de jogos em escala de poder épico e divino! Mas muitas vezes nos esquecemos o que temos que fazer para atingir o poder que almejamos: horas, muitas horas de sacrifício e de duras escolhas permeiam aqueles que querem se separar da vala comum do que fazem. E nós normalmente nos esquecemos disso!

Aquele famoso investigador pode, sim, ter um dom natural para descobrir as coisas, mas sem anos de estudo e experiência em campo ele nunca terá a bagagem para os casos na prática. Dizem que o poder corrompe. Será que ele corrompe ou nos faz querer esquecer esse passado? Essas mesmas dificuldades que nos fizeram tornar o que somos e que agora já não interessam mais e estão em uma esfera inferior de importância? O paladino de trigésimo nível ainda tem que se preocupar com coisas mundanas como salvar um vilarejo de meia dúzia de goblins enquanto ele viaja para destruir ou enfrentar males muito maiores e perigosos. E o que seu jogador fará a respeito quando você tiver um tempo específico para vencer determinada tarefa?

© 2011 Gonzalo Ordóñez Arias

O fato é que muitos jogadores se esquecem de representar o que realmente seus personagens são! Quando no primeiro nível, é aceitável que um guerreiro saia correndo atrás de um grupo de goblins que o pode matar rapidamente, afinal de contas, ele não tem ainda idéia de como um guerreiro de verdade é. A mesma situação para um guerreiro de 15º nivel é incompreensível! Esse guerreiro já tem conhecimento o suficiente para saber que se ele seguir esses goblins ele pode estar caindo em uma armadilha.

Para mudar um pouco os exemplos, se você joga uma campanha de Vampiro com um cainita recém-criado você pode se dar ao luxo de fazer certas idotices. Mas, conforme os anos passam, suas tolices serão menos toleradas.

O importante é fazer com que os jogadores entendam uma coisa básica: tudo tem um custo e gera uma reação que será sua responsabilidade administrar. O custo nem sempre é monetário, mas também pode ser! E as reações pelas quais você tem que ser responsável dependem do quão obstinado estará seu personagem na busca pelo poder.

Para lembrar um exemplo clássico em Dragonlance, Crysania acreditava que, porque ela era a clériga mais poderosa de Paladine, ela poderia vencer e derrotar Takhisis junto com o mago Raistlin e, de quebra, salvar a alma do mago no processo! Tendo falhado miseravelmente em ambos intentos, a clériga se tornou muito mais poderosa, mas seria cega para sempre!

Fe palado calib Fe Istaras apalo

Douglas é jogador de futebol americano pelo São Paulo Spartans, sempre arruma um tempinho para jogar RPG desde os 10 anos de idade, e nas horas vagas — mas só mesmo nas horas bem vagas— ele é arquiteto.

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