A Editora Clock Tower, responsável por trazer à língua portuguesa a coletâneta O Mundo Fantástio de H. P. Lovecraft, completou o processo de tradução de outra obra seminal da literatura ocidental, The King in Yellow (O Rei de Amarelo, em português). Denilson Ricci, o editor do empreendimento, conversou comigo por e-mail sobre a produção e o contexto desta famosa coleção de contos:

Notícias da Terceira Terra: Por que traduzir O Rei de Amarelo?
Denilson Ricci: A idéia de traduzir esse grande livro de Robert W. Chambers, escrito em 1895, é porque até então não tinhamos uma edição dele em língua portuguesa. E o livro é maravilhoso, existindo toda uma lenda em torno dele, como se o livro em si tivesse vida própria, o que atraiu a atenção das pessoas no mundo durante anos. E por que não o termos em nosso idioma? Durante o processo de produção do mesmo apareceram algumas edições nacionais influenciadas pelo enorme sucesso da série televisiva True Detective da HBO. Mesmo assim, o projeto está firme, tanto que já estamos a todo vapor numa campanha de financiamento coletivo em que os confrades adquirem antecipadamente o livro. O livro será diferente de outras edições, uma vez que vamos dar um acabamento diferenciado em capa dura, nome dos compradores no livro, fita marca-páginas, entre outras, da forma que um grande clássico merece!

NTT: Como o projeto foi diferente de fazer o primeiro livro, O Mundo Fantástico de H.P. Lovecraft?
DR: Tudo está sendo mais fácil no projeto do livro O Rei de Amarelo, uma vez que temos uma grande equipe por trás, além de que todo conhecimento adquirido com o primeiro livro conta muito a favor, principalmente quanto ao conhecimento técnico para fazer um livro.

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NTT: Pode dizer de quanto foi a tiragem dO Rei de Amarelo? Haverá outra(s) se o livro vender bem ou esta é uma edição limitada de colecionador, como foi O Mundo Fantástico de H.P. Lovecraft?
DR: Essa é uma edição de colecionador. A princípio, estamos disponibilizando 500 unidades, que poderá ser aumentada para 1000 dentro desta mesma edição, já que não haverá uma segunda edição.

NTT: Você consideraria O Rei de Amarelo uma coleção de contos de horror ou fantasia? Por quê?
DR: Eu considero esse livro uma mescla perfeita entre horror e fantasia, e quem sabe mesmo um livro que pressagia o futuro, uma vez que ele fala de eventos que não fizeram parte do passado, não são realidade no presente, mas que bem podem fazer parte de um futuro, considerando a situação geopolítica atual, uma vez que uma sociedade cada vez mais caótica como a nossa caminha para certos distúrbios coletivos passíveis da criação de “casas de suicídio em praças públicas”, estado militarizado, racista e tudo o mais como é o caso do primeiro conto, O Reparador de Reputações. Tudo isso digo infelizmente, mas acho que a sociedade de certa forma caminha para coisas assim…

NTT: Qual foi o conto mais trabalhoso de traduzir? Por quê?
DR: A tradução dos contos ficou a cargo da Claudia Doppler, que fez um grande trabalho. Sou suspeito para falar, mas pelos feedbacks que ela me deu o texto como um todo, embora não tão rebuscado como o de Lovecraft, é cheio de nuances como a utilização do dialeto cockney o que, em algumas partes, foi um desafio muito grande. Vale lembrar que nossa tradução é interamente nova e feita diretamente do inglês.

NTT: O livro An H. P. Lovecraft Encyclopedia (Joshi & Schultz, 2001) afirma que Lovecraft leu Chambers em 1927, e algumas referências a O Rei de Amarelo podem ser encontroados no Cthulhu mythos, como o yellow sign e até mesmo uma referência oblíqua ao próprio rei de amarelo. Apesar dessas breves referências, você compararia a influência de Chambers em Lovecraft como a que teve Edgar Allan Poe, Algernon Blackwood ou Arthur Machen?
DR: Não acredito que Chambers tenha influenciado tanto a obra de Lovecraft como inflenciou-a Allan Poe e esses outros escritores mencionados. Independente disso, a mitologia amarela deixou marcas profundas na obra de Lovecraft e também nos escritores do círculo, mesmo após anos da morte desse. E pelas suas características, particularmente a lenda em torno do livro The King in Yellow, só veio abrilhantar ainda mais toda a mitologia de Cthulhu, e um novo e grande elemento para a turma fã de RPG.

NTT: Publicado em 1895, o livro é considerado um clássico da literatura sobrenatural mas, quase cento e vinte anos após sua publicação, O Rei de Amarelo ainda pode ser uma leitura horripilante?
DR: Eu acredito que sim, uma vez que esse livro passou décadas na obscuridade, sendo assim desconhecido do grande público. Com a morte de Chambers, muitos de seus escritos (de horror ou não) passaram anos como que trancados em um grande baú e só nos últimos tempos vêm sendo redescobertos, e parte disso se deve ao sucesso da série True Detective da HBO.

NTT: Obrigado!
DR: Beleza. Agradeço-lhe.

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O Rei de Amarelo está em pré-venda no site da Editora Clock Tower pelo preço especial de R$ 74,90 — das 500 cópias inicialmente produzidas, metade se foi nos primeiros dias. É melhor correr se quiser reservar a sua!

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundarista de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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