Por indicação de um amigo comecei a ler o livro O Senhor dos Dragões, escrito pelo advogado e ex-procurador da fazenda (e meu conterrâneo) Virgílio Campos. O livro foi escrito em Londres, onde o autor morou por 6 anos, e foi originalmente publicado em Inglês, sendo reescrito para o Português pelo próprio autor (não acho que tradução seja o termo adequado nesse caso).

O livro narra a história do Rei Artur a partir de um ponto de vista mais histórico e menos fantasioso, a existência de magia e do sobrenatural nunca é confirmada ou negada ao longo do romance, os poderes de Merlin e de Morgana são em grande parte atribuídos aos seus conhecimentos científicos avançados para a época, mas um pouco de dúvida sempre fica no ar.

Quem narra a história é um padre romano chamado Gildas, que chegou à Britannia (como era chamada pelos romanos) como secretário do governador Ambrosius Aurelianus e mais tarde abraçou a vida religiosa, mas continuou com seus afazeres junto ao governador.

O famoso Rei Artur aparece como Arturus, um proeminente oficial do império romano, filho de um poderoso senhor de terras, Uther Pendragon (ou Uterius, o Senhor dos Dragões, como era chamado pelos romanos).

Quando Átila e sua horda de bárbaros ameaçam as fronteiras do Império, as Legiões estacionadas na Britannia são convocadas para combatê-lo, mas o governador Aurelianus ordena que Arturus permaneça na ilha, para organizar as milícias que irão combater os invasores scots, caledônios e saxões. Arturus fica decepcionado, mas como um disciplinado oficial, acata as ordens.

Átila é derrotado, mas a Legião que Arturus comandaria se tivesse ido para a guerra é completamente destruída, e as milícias que ele organizou para repelir as invasões se mostram tão eficientes quanto as Legiões. Com o passar do tempo o Império Romano do Ocidente começa a desmoronar, mas a Britannia sob o comando civil de Aurelianus e militar de Arturus permanece firme.

Durante um período de grande instabilidade no Império, alguns anos antes de sua queda final, Aurelianus declara a independência da Bretanha (não mais Britannia, que era o nome romano) e casa sua filha mais nova, Guinevere, com Arturus, proclamando-o Rei dos Bretões.

Um grande período de estabilidade e glória se segue, com direito à criação da famosa Távola Redonda, mas as constantes invasões saxônicas, as intrigas dos nobres de descendência romana e uma rebelião liderada pelo sobrinho do rei, Mordred, abalam o reino e acabam levando-o ao fim.

Muitos elementos clássicos da lenda do Rei Artur, como a inimizade com Morgana, a Dama do Lago, o cavaleiro Lancelot e o adultério de Guinevere não estão presentes nesse livro.

O livro é uma boa diversão tanto para quem conhece a lenda do Rei Artur quanto para quem nunca leu nada a respeito, mas é preciso ter em mente que essa é apenas uma das muitas versões sobre a lenda.

Para jogadores e mestres que gostem de aventuras mais realistas (mais alguém pensou em GURPS?) o livro é uma ótima fonte de inspiração, especialmente para se usar com o suplemento GURPS Império Romano. Não conheço muito bem o RPG Pendragon, mas certamente o Senhor dos Dragões dará boas ideias para aventuras arturianas menos fantasiosas.

Um nerd com compulsão por comprar RPGs, pocket books e temporadas completas de séries de TV, mas que quase nunca tem tempo de jogar, ler ou assistir tudo que tem.

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE
%d blogueiros gostam disto: