Lançado em 25 de Outubro de 2013, é uma continuação direta de Castlevania: Lords of Shadow, o reboot desta década da venerável história da família Belmont contra o vampiro Drácula.

Esta nova série de jogos Castlevania foi desenvolvida pela MercurySteam e distribuída pela Konami, dona da franquia Castlevania. MercurySteam é um estúdio espanhol co-chefiado por Dave Cox, que também é funcionário da Konami e costuma se concentrar em jogos da série Castlevania. Posso dizer que o jogo estava em boas mãos.

Este é o segundo jogo da trilogia Lords of Shadow, todos produzidos pela MercurySteam. O primeiro obviamente se chama Lords of Shadow e o terceiro, porque é video game e nada faz sentido, é Lords of Shadow 2. O jogo saiu originalmente em 2012 pro Nintendo DS e ganhou o sub-sub-sub-título HD quando saiu no ano seguinte  pro Xbox 360, Playstation 3 e na Steam para Windows.

Castlevania: Lords of Shadow – Mirror of Fate é um side scroller. É 3-D, mas você só anda pra frente e pra trás, num trilho. Eu gosto muito desse tipo de jogo — ele tem todo o cuidado de um jogo 3-D moderno aliado à simplicidade de simplesmente andar pelo cenário da esquerda pra direita, batendo em bicho.

Então sobre o que é o jogo? Você vai jogar com Simon Belmont, mas este Simon é filho de Travor Belmont e neto de Gabriel Belmont — pois é, não tem muita criatividade na hora de dar nome pras crianças desta família. Você joga principalmente com Simon, mas também joga um pouco com Gabriel, Trevor e até com o Alucard. Simon ficou órfão enquanto criança, fugiu pras montanhas e foi criado por um povo tribal. Só que a fúria da vingança queimava dentro dele, e ele se tornou um pária dentro da sua própria tribo, vivendo na floresta e treinando ferozmente pra se tornar um grande guerreiro. Um dia, já adulto, ele decide descer das montanhas e ver como está o mundo que matou seus pais e procurar pelo tal do Dragão que todo mundo diz que assola as terras abaixo com terror e destruição.

Você na verdade começa o jogo naquele tutorialzinho jogando com Gabriel Belmont, que sai pra aprisionar um demônio sem saber que a mulher está grávida. Você sabe que ela está grávida porque na cutscene ela põe a mão na barriga quando o Gabriel parte de casa. Apesar da barriguinha super-chata dela, quando você termina o curtíssimo tutorial ela já pariu. Tipo, o Gabriel levou um ano pra andar cem metros na floresta e matar uma dúzia de lobisomens? Caramba! Bom, aí tem um povo espiritual lá que avisa a moça que o Gabriel está condenado pela maldição dos Belmont a virar ele mesmo um demônio, então eles pegam o filho dela pra criar em algum convento. Quando o pai volta pra casa, ele nem fica sabendo que teve um filho. Essa criança cresce, casa, tem um filho com uma mulher e ambos morrem num dos muito ataques de demônios, que é quando nossa história começa, como Simon Belmont acordando na floresta de um pesadelo/memória de quando sua mãe morreu.

Bom, o jogo e um side scrolling, seguindo o primeiro da trilogia, o que à época foi um retorno às origens da série Castlevania. Neste segundo jogo, eles mantiveram um pouquinho da exploração estilo Symphony of the Night, mas não muito — o jogo foca muito mais no combate focado em combos, alguns puzzles e pouco de subida de nível, mas nada muito RPG.

A história é dividida em três narrativas distintas. Você joga quase o jogo todo com o Simon, o pai dele e o Alucard (o Gabriel Belmont tá lá só pela fase tutorial). A história resseta a saga dos Belmont e trás ela pra uma nova audiência — o jogo, afinal, tinha história que ia de volta aos anos oitenta — e empresta muitos elementos dos enredos dos jogos mais antigos, atualizando eles pra esta nova série de jogos. Só que, assim, as três histórias supostamente paralelas pelas quais você passa jogando o jogo são super-previsíveis. Tem um final supostamente surpreendente e revelador, mas dá pra ver ele chegando há quilômetros de distância. Isso não detrai a qualidade do jogo em si, quero dizer, da mecânica, jogabilidade e qualidade gráfica do jogo. Só parece que quem escreveu a história nunca leu um livro na vida adulta.

O jogo é acertadinho e bem-feito. Tá tudo no lugar. Você tem um mapa e um cursor de objetivo, e explora o castelo do Drácula sentando a pua em zumbis, lobisomens, guerreiros esqueletos e rolam algumas boss battles pra quebrar o ritmo. Sem brincadeira, é como jogar os antigos jogos da série mas agora com gráficos 3-D, surround sound e imagem HD. Ao mesmo tempo, o jogo é mais fácil e direto do que eu me lembro desses jogos serem quando eu era criança. A jornada pelo castelo é óbvia, você não se perde, os combos são relativamente simples e fáceis de decorar, especialmente porque você os vai aprendendo à medida que joga e os segmentos de plataforma, que era a coisa mais frustrante pra mim nos jogos antigos, agora são mais fáceis e menos punitivos. E eu preciso dizer, dá uma sensação gostosa de saudosismo usar a cruz/tacape/chicote da personagem pra balançar em candelabros, protuberâncias no castelo, abismos e segmentos de escalada do jogo. Apesar do jogo ter caminhos óbvios, isso é bem disfarçado nas idas e vindas, subidas e descidas pelo castelo do Drácula. Você sente que está explorando o lugar, não só seguindo uma setinha — apesar de ser exatamente isso que você está fazendo.

Eu pagaria por este jogo, mas eu não preciso, porque ele está de graça com o Xbox Game Pass/Live Gold.