Styx: Shards of Darkness foi lançado originalmente em Março de 2017. É um jogo de stealth em terceira pessoa desenvolvido pelo estúdio francês Cyanide e publicado pela Focus Interactive. Ele saiu para Xbox One, PS4 e PC. É a seqüência do jogo de 2014 Styx: Master of Shadows e o terceiro jogo da série Of Orcs and Men.

Já quero abrir que fiquei impressionado com o jogo. Eu nunca tinha ouvido falar dele e fico feliz dele estar na Live Gold. Eu tenho uma quedinha por jogos que usam a Unreal Engine (neste caso usam a 4) talvez porque meu primeiro jogo de computador que eu mesmo comprei, para meu primeiro iMac, foi o Unreal. Muito bem, sobre o que é Styx: Shards of Darkness?

Styx é um jogo de stealth, como disse. Você joga com Styx, um goblin de boca suja que apronta, e muito, num cenário de fantasia, com homens, elfos, anões, orcs e, claro, goblins, todos lutando por uma substância chamada Âmbar. Ou melhor, os goblins não. Eles são tratados como escória pelas “grandes raças”. Aí está o impulso do jogo: você é um goblin, subestimado e subjugado, mas pronto para deixar sua marca no mundo.

O jogo começou bem divertido, com um mistério sendo descoberto pelo Styx, algo que pode mudar o jogo de poder entre as raças desse mundo, mas as decisões, ou melhor, a falta de decisões, meio que te força num caminho que, eu por exemplo, não tomaria. Tem bastante NPC no jogo, como por exemplo as personagens Djarak e Helleryn, que meio que servem como personagens de apoio para você. Styx fica o tempo todo dizendo que desconfia de todo mundo, mas ao mesmo tempo vai tranqüilo atrás dos planos e objetivos de seus aliados, apesar de ter reclamado anteriormente. Isso acaba não sendo um problema porque o jogo não é muito desafiador, particularmente porque a IA dos inimigos é bem burrinha. Ele parece ter sido feito para você controlar um personagem fodão, mas não às custas de aprender os movimentos precisos do jogo, simplesmente porque todo mundo à sua volta é meio cego e surdo. Isso deixa o desafio de se esconder, assassinar guardas nas sombras ou roubar sem ninguém te ver meio fáceis de mais pro meu gosto.

Tem uma coisa que eu achei bem divertida, mas talvez não seja pra todo mundo. Styx é mal-educado e as piadas do jogo são meio pesadas, e também cheias de auto-referência e o protagonista derruba a quarta parede o tempo todo. Eu ri em voz alta de algumas das piadas do jogo, mas eu sou um bobão e rio de qualquer coisa. Não procure um humor refinado à lá Terry Pratchett aqui. Você não vai sachar.

Voltando às mecânica do jogo: as missões se resumem a ir em tal lugar, pegar tal coisa, ou matar tal personagem. São bem diretas, e nesse sentido eu acho que o jogo foi feito meio que voltado a crianças ou adolescentes? Eu realmente esperava mais reviravoltas ou becos-sem-saída na mecânica do jogo, mas não tem. Tem umas side-quests que envolvem você desviar um tiquinho do seu caminho só pra não fazer a missão rápido demais, mas elas nunca têm conseqüência pra história. Geralmente envolvem em achar uma sala e roubar um item extra ou matar um cara a mais. A história do jogo, a narrativa tenta te incitar a fazer as side-quests, mas não há realmente conseqüências em fazê-las ou não.

Outra coisa que eu acho que faltou um pouco no jogo, talvez novamente porque ele foi feito pensando em um público mais jovem, é a falta de apreensão na hora de fazer stealth, que aliás é a maior parte do jogo. Tudo parece muito fácil, e eu estou acostumado com jogos que me deixam apreensivo e nervoso na hora de fazer stealth, e eu gosto disso desde que joguei lá atrás o primeiro Splinter Cell ou a antiga série Thief. Em Styx: Shards of Darkness você é foda, e falhar em se esconder não trás lá muitas conseqüências. O jogo não te pune, sabe? E os produtores do jogo parecem ter se inspirado em jogos antigos de stealth, como os primeiros Metal Gear. É engraçadíssimo as desculpas que guardas ou anões usam quando eles te detectam mais você se esconde? É coisa do tipo, ah era um rato. Não foi nada. Devo estar com sono. Essas frases bestas que guardas sempre usam em jogos de steath de antigamente. 

Agora, a jogabilidade do jogo é ótima. Fenomenal. Os controles são precisos e fluídos. Você pode interagir com o ambiente o tempo todo e os controles respondem super-bem a tudo o que você quer fazer, trazendo junto uma animação bem feita e, chego a dizer, bonita. Acho que foi pela jogabilidade, e não pela história, que eu gastei tantas horas nesse jogo. Nesse ponto, ele vale muito a pena, e jogos medalhões como Recore ou Assassin’s Creed deveriam aprender com a Cyanide neste quesito.

O jogo também tem uns elementos de RPG. Eu não sei se combina com o jogo, mas estão lá e são simples e divertidos. Você acaba customizando seu Styx para ele ficar melhor no que você quer fazer melhor: pular mais longe ou mais alto, se esconder melhor, fazer diferentes armadilhas, assassinar melhor, etc. Teoricamente é um cenário de baixa fantasia, mas Styx tem acesso ao Âmbar, que é um tipo de mana, pra energizar certos poderes, como criar uma sombra pra desviar a atenção de guardas ou ficar invisível por alguns instantes. É um elemento super-familiar em jogos de fantasia. Talvez você não curta muito esta mistura de fantasia clássica com as piadas fora de contexto que a personagem faz, mas eu gostei.

Ao fim e ao cabo, Styx: Shards of Darkness é um jogo bom e ruim. Os cenários são bonitos, expansivos e muito bem feitos, mas você não os explora completamente. A Cyanide criou um mundo tão legal, eu queria poder explorar mais ele. Os caminhos freqüentemente são retos demais. A jogabilidade é ótima, e a qualidade dos controles cai quando você se vê cercado por guardas — sua personagem não é boa em combate e a jogabilidade lhe mostra isso.  Eu acho que Styx: Shards of Darkness é um ótimo jogo para pegar na Live Gold: eu não acho que eu pagaria mais que $20 por ele. Como tá de graça, eu joguei ele pra caramba. Eu só não consegui pegar todos os colectables que estão espalhados pelo jogo. Eu meio que tenho preguiça de collectables, mas é um motivo pra jogar o jogo de novo, pelo menos.

Muito bem, esta é minha crítica a Styx: Shards of Darkness, jogo que está gratuito para assinantes da Xbox Game Pass e Live Gold entre o dia 1o. e 31 de janeiro. Dia 16, ontem, eles disponibilizaram Batman: The Telltale Series completo. Eu vou jogá-lo no fim-de-semana e semana que vem eu trago minha opinião sobre o jogo para você. Até lá!