Olá, meus queridos nerds de toda essa Terra Brasilis. Cheguem, sentem-se e tomem uma por conta da casa, a taberna é nossa para mais um bate-papo.

Como começamos com o pé direito da última vez, resolvi estender o nosso papo sobre os bardos, buscando na mitologia grega, aquele que foi o maior de todos! Não vou gastar o nosso tempo aqui falando sobre o Olimpo (a não ser que vocês me peçam depois em rodadas futuras), vou falar sobre o meu favorito (e não dos Cavaleiros do Zodíaco): Orpheu.

Quando falamos de Orpheu (ou Orfeu ou até Orpheus), a primeira coisa que vem à nossa mente é a Saga de Hades e o seu personagem controverso, Orpheu de Lira. Então, todos já devem conhecer um pouco da mais bela história de amor da antigüidade.

© 2009 Mats Minnhagen

Orpheu é o filho da Musa Calíope (musa da eloqüência, que tem a mais bela voz) e do deus Apolo (deus da música, sabedoria, medicina, sol e outros mil atributos). Assim que ele nasceu, ganhou uma lira (pequeno instrumento musical de cordas que se assemelha a uma harpa) de seu pai e acabou por se tornar o mais habilidoso músico que já se conheceu (também podia, já que seu pai é o deus da música e a sua mãe é a portadora da mais bela voz… Apelão!).

Todos gostavam de Orpheu e o som da sua lira acalmava a ira dos deuses (que dirá das feras e dos homens). Ele era sempre bem cotado nos banquetes do Olimpo e era rodeado de belas mulheres. Porém, Orpheu só tinha olhos para a sua preferida: Eurídice.

Eurídice era uma Ninfa, ou seja, um espírito da natureza e habitava a ravina. Era dona de uma beleza muito grande, fato que ajudou a acarretar a sua morte.

Orpheu e Eurídice eram inseparáveis e amavam-se com uma profundidade dificilmente alcançada por um deus ou mortal. Casaram-se e levavam uma vida feliz, até que, ao andar pela ravina, Eurídice foi perseguida por Aristeu, que desejava tê-la como sua mulher. Fiel ao seu amor, Eurídice consegue se desvencilhar de seu perseguidor e corre pela ravina, onde acidentalmente pisa em uma serpente e é picada. Eurídice morre, para desespero de Orpheu.

Agora é que começa a verdadeira história de amor, que não termina com a morte. Resoluto a ter sua amada de volta, Orpheu desce até a região conhecida como Tártaro: o Mundo dos Mortos, governado pelo deus Hades.

Ele juntou todo o seu amor, ajoelhou-se perante Hades e sua corte e cantou. Não foi um canto qualquer, foi um lamento tão grande que toda a região do mundo dos mortos parou para escutar a sua canção e o próprio deus chorou (Fascinar em Massa rolando solto). Ele cantou mais ou menos assim:

“Ó deuses do submundo, aos quais todos que vivem um dia terão de vir até vós, escutem minhas palavras pois são verdadeiras. Não vim para espionar os segredos do Tártaro, nem para medir minha força com o cão de três cabeças e pêlo de serpentes que guarda as vossas entradas. Vim para procurar por minha esposa, a qual o veneno da serpente deu fim a seus tenros anos. O amor me guiou até este reino, o Amor, este deus todo poderoso até para nós, aquele pelo qual se duela em toda a terra e, se as antigas tradições estiverem certas, aqui também o fazem. Eu imploro a vós por esses arcos repletos de terror, deste reino de silêncio e de coisas não-ciradas, unam novamente o fio da vida de Eurídice. Todos estamos destinados a vós, cedo ou tarde passaremos a seus domínios. Também ela será vossa, quando tiver preenchido todo o tempo que lhe resta. Porém, até lá, permita que ela esteja comigo, eu vos imploro. Se não me for permitido, sozinho não posso retornar; dessa forma, terá a morte triunfado sobre nós dois.”

— Retirado do Livro de Ouro da Mitologia de Thomas Bulfinch (tradução e adaptação por Mario Marcio Felix)

Depois dessa declaração incontestável, Hades permite que os dois amados voltem juntos para a superfície, sem que ele olhe para trás para ver a sua amada até chegar a seu destino. O que ocorre é que a ânsia de Orpheu por ver a sua amada faz com que ele se vire e Eurídice fosse dragada de volta ao submundo.

Triste por não ter uma nova chance de resgatar o seu amor, ele chora e evita qualquer outra mulher na face da terra, o que deixa as mulheres da Trácia furiosas (pois todas queriam Orfeu). No auge da fúria, as mulheres conseguem matar Orpheu, cortam a sua cabeça e jogam seu corpo no rio.

© 2010 Carlos

Que chato, não? A parte boa é que os amantes conseguiram enfim se juntar no outro lado da vida e permanecem juntos por toda a eternidade.

Após essa trágica história onde as meninas despejam lágrimas e os rapazes dão um “bro fist” pro Orfeu me digam: ele não é o Bardo dos Bardos? O nível dele é tão alto que ele acalmou os deuses do submundo!

O interessante é que essa história não só inspirou o Masami Kurumada, mas também Vinicius de Moraes, que escreveu a peça Orfeu da Conceição, que foi adaptada ao cinema pela 1ª vez por Marcel Camus (não o de aquário, um cineasta francês famoso) em O Orfeu Negro (1959) e Cacá Diegues (que tem o Tony Garrido no elenco) em Orfeu do Carnaval (1999). Eu recomendo muitíssimo ambos!

O mito de Orpheu sobrevive com o seu canto de amor através da história.

Bom, o papo está ótimo, mas temos que partir. Obrigado pela companhia e pela conversa. Até o próximo bate-papo aqui nesta mesma taverna!

Um nerd normal, que sabe um pouco de Latim, pesquisa Idade Média e escreve bastante. Professor por vocação, tenta gerar pensamento crítico na cabeça dessa molecada dando suas aulas doidas de Produção Textual, Português e Literatura. Amante de uma boa cerveja e um ótimo papo com a galera.
Adsum! Estamos presentes!

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