Antes de mais nada, esse questionamento deve-se a um tópico que surgiu no Fórum Masmorras e Dragões. Essa pergunta, título do texto e do tópico lá, me deixou pensativo durante alguns dias e acredito que vou continuar “encucado” com ela. Pois bem, primeiramente, vou deixar claro que esse texto é a tentativa de sintetizar os motivos pelos quais os jogadores se interesam por essa atividade, além de ser um protótipo de incentivo a novos jogadores e participantes.

©2009 por Sargoth em Wikimedia Commons
©2009 por Sargoth em Wikimedia Commons

Admito que não encaro o RPG como um jogo. É claro que as vezes a vontade de vencer é enorme, porém não é primordial. Há quem goste de montar o personagem perfeito, combos (para os leigos, combinações de poderes e afins) destruidores, altos valores de acerto crítico, dano e outras coisas quem casam perfeitamente com o estilo “matar e pilhar”. Não vou seguir por esse caminho. Quero analisar os principais pontos que vão em direção contrária a isso.

Sou partidário do RPG como uma atividade lúdica. Valorizo a parte interpretativa, o role-playing, a história por trás de cada personagem, o fator psicológico, os conflitos de moral e de idéias. Essas coisas acabam por dar profundidade a essa atividade, e torná-la uma coisa mais interessante. Por isso, selecionei alguns pontos importantes, que devem exprimir os motivos que tenho em mente:

Exercício a Imaginação
Quem nunca sonhou em derrubar um dragão, lutar contra os bandidos, resgatar os sobreviventes de uma catástrofe, ser o senhor do mal, controlar hordas de mortos-vivos? Nem quando criança?

Bom, esse é uma das coisa mais interessantes no RPG: o exercício da imaginação. Poder criar mundos onde as leis e a realidade são como lhe vem a cabeça. Um mundo sem fronteiras físicas, inexplorável, mágico ou seja lá o que lhe convir. Situações rebuscadas, exóticas que estão a distância de um pedaço de papel rabiscado.

Incentivo ao raciocínio
O mestre é o responsável pelo desenrolar da história e pode propor situações que testem o raciocínio do jogador, seja com enigmas ou charadas, seja com artimanhas de NPC, ou o que for para confundir e tirar o máximo possível da mente de cada participante. Armadilhas que podem ser desarmadas por métodos não-convencionais é um bom exemplo. Intrigas no castelo, visando confundir os personagens. Bom, tudo isso exige boas doses de raciocínio e as vezes idéias mirabolantes que acabam tornando a experiência ainda mais divertida.

Ferramenta de interação
Por que fazer sozinho, ao invés de interagir com os seus companheiros? O RPG permite explorarmos situações onde o trabalho em grupo é fundamental e onde todos tem participação direta no resultado final. Tal como uma equipe de projeto, mas nesse caso o participante pode ver diretamente em que a sua atitude afetou o grupo todo. Isso acaba implicando em responsabilidades, já que cada jogador (ou participante se preferirem) acaba tendo que tomar decisões em prol de todos os outros.

Incentivo a leitura
O RPG abre caminho para uma nova visão sobre a literatura de ficção, principalmente a fantástica. É claro, a recírpoca é verdadeira. Não é a toa que existem tantos jogadores, que começaram a gostar de Tolkien ou Lewis, e vice-versa. A literatura permite que jogadores e mestre tenham fontes para preparam seus personagem e aventuras, alinhados com o gosto pessoal e muita criatividade. Isso é um bom combustível tanto para escritores quanto para consumidores, o que é mais uma vantagem para esse mercado, ainda mais no Brasil.

Claro que cada um tem o seu motivo para jogar (ou praticar) RPG. Vai do gosto e opinião pessoal de cada um. Embora o RPG seja uma atividade bastante criticada pelos leigos e desconhecedores, pode-se dizer ele agrega vários motivos que contribuem para incentivar qualidades muito procuradas hoje em dia, como criatividade, capacidade de interpretação, liderança e trabalho em grupo. É como se ele pudesse complementar o desenvolvimento de alguém, só que de uma maneira divertida.

E claro, vale a advertência: como toda a atividade mental, deve ser praticada com moderação.

(Agradeço ao Allian e ao NickNunes pela contribuição a esse texto. O insight deles foi essencial para que eu pudesse concluí-lo de maneira interessante.)

William Miyazaki gosta de observar a mesa, seus paricipantes, a dinâmica, as idéias, as iditiotices e a grandes consagrações. Por que não dissertar sobre elas, ou inventar histórias malucas? Ou simplesmente deixar o jogo correr e a aventura continuar?

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