Atuei pouco como Game Master nesse muito tempo em que jogo RPG. Vão se 16 anos de jogo e lembro de poucas vezes ter mestrado, mas normalmente quando mestrava minhas mesas costumavam ser bastante disputadas, especialmente as de Arkanum, Trevas e WoD em Dark Ages.

A primeira coisa importante pra mim antes de criar uma sessão ou uma campanha é saber o background dos personagens; normalmente eu dedico uma sessão para criação de personagens e um bate-papo sobre o passado do personagem; se o jogador me empolgar, podemos até jogar algo breve de sua história. Gosto de ter o conhecimento do background dos personagens sempre fresco em minha mente para sempre que possível aliar ao andamento da crônica ou aventura algo que o jogador vai reconhecer como de sua própria história.

Passado esse primeiro momento, normalmente eu costumo pensar no enredo geral, começo meio e fim, onde se iniciar tudo e porque, por onde e pelo que eles têm que passar e porque e onde eles devem chegar. Em seguida, penso o que de background dos personagens pode ser encaixado e em que parte ficará melhor, finais épicos, inícios cheios de floreios, momentos embaraçosos no meio do caminho, o que quer que seja que dê um sabor pessoal ao jogadores.

Por fim, defino o nível de desafio disso tudo, se acho que terei bons jogadores os quais conheço e sei de sua experiência e bom senso, ou total falta disso.

Sempre se pergunte "o que os jogadores querem?" (Ilustr. © 2012 Alexander Alexandrov)

Daí em diante, eu deixo a minha experiência como jogador guiar boa parte das minhas sessões. O fato de eu ter primariamente sido jogador durante mais de dez anos me deu bastante bagagem pra entender o que um jogador espera de uma sessão para se divertir e eu tento ao máximo fazer com que as expectativas sejam atendidas. E boa parte disso se passa pela improvisação, até porque não adianta: hora ou outra alguém vai ter um estalo, um momento Eureka, um raciocínio lateral, e vai pegar você de calças curtas.

Outra coisa que nunca tive medo ou tristeza de fazer foi de parar uma sessão caso os jogadores comecem a desviar demais do que previ e montei para aquela sessão e eu não me sinto preparado para improvisar com tanta facilidade. Digo, sem medo, “pessoal, vou parar a sessão por aqui. Vocês tomaram um rumo muito diferente do esperado, de uma forma positiva. Pra não estragar nossa história eu preciso rever algumas coisas.” Normalmente o pessoal fica meio amoado a princípio, mas no fim todos acabam por entender que na semana ou mesmo no mês seguinte, quando jogarmos novamente, terão uma sessão muito mais interessante e empolgante.

Uth Sularus, Oth Mithas

Douglas é jogador de futebol americano pelo São Paulo Spartans, sempre arruma um tempinho para jogar RPG desde os 10 anos de idade, e nas horas vagas — mas só mesmo nas horas bem vagas— ele é arquiteto.

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