Desta vez resolvi abordar o tema perícias (ou skills no bom e velho dialeto anglo-saxão), e falar principalmente sobre como melhoramos ou progredimos com estes números na ficha.

Alguns sistemas (como o DnD) tratam os skills com mecânicas diferentes em relação às de combate, já outros (como Savage Worlds e Burnning Wheel) tratam de forma uniforme as skills de combate e as “pacíficas”. Discutir sobre o que são perícias, e as suas mecânicas daria um excelente texto, mas quero abordar um ponto específico que acho relevante. “Como melhorar suas perícias”.

O DnD 4e (sempre ele….) simplificou muito em relação à 3.x, agora você escolhe na criação do personagem, alguns skills para ser bom, e a cada 2 niveis você ganha um bônus em todas as perícias. É um sistema prático, mas não necessariamente realístico, pois quem garante que um mago de 30 nível é bom de escalar paredes, ou um bárbaro pode diplomático. Se você comparar um bardo de nível heróico e um bárbaro de nível épico é possível que o bárbaro tenha um bônus de diplomacia maior que o do bardo.

Michel Quito on “El Regreso de la Gloria,” 8a. (©2006 Susánica Tam)

Michel Quito on “El Regreso de la Gloria,” 8a. (©2006 Susánica Tam)

O sistema da 3.x, além de mais complexo, também pode gerar situações estranhas, pois ao passar dos níveis o personagem pode simplesmente “ficar bom” em alguma perícia que ele sempre foi uma negação. Imagine os PC’s darem “level up” próximos a uma parte da aventura que eles sabem que vai envolver um terreno montanhoso, então todos vão gastar os skill points disponíveis em escalada, uso de corda e similares, mesmo que o PC seja um elfo-do-mar que nunca tinha visto uma montanha em sua vida.

Por ora chega de falar mal de DnD (afinal de contas, quem me conhece, sabe que sou fã do sistema), e vamos falar do Mouse Guard RPG–Burnning Wheel. Vou falar mais especificamente do Mouse Guard, pois é o sistema que conheço, mas creio que o que eu disser aqui também é expansível para o BW.

O primeiro ponto de diferença e destaque do sistema de Mouse Guard é que a evolução ocorre de forma orgânica e não em estágio (com o passar de níveis). O segundo ponto é que a evolução depende do uso das skills, ou seja, nada de ficar bom em algo que você nunca fez. O terceiro ponto, e mais interessante é que para evoluir, você precisa também falhar nos testes de perícia, aplicando ao jogo a velha máxima, “a prática leva a perfeição”. O sistema funciona mais ou menos assim: cada vez que você usa uma skill, você anota na frente dela na sua ficha se o resultado foi sucesso ou fracasso, quando você juntar um número X de sucesso e um número Y de fracassos, você aumenta aquela skill em 1 ponto. O interessante desta mecânica é que a medida que você melhora numa skill fica mais difícil você falhar nos testes para progredir, e com isso você fica compelido a provocar e buscar desafios maiores, muitas vezes gerando ganchos e mini-aventuras por conta da necessidade de melhorar seus skills.

Até a próxima e joguem muito RPG.

Felipe Mascarenhas (o Nerdcore), é um viciado em RPG da “geração Xerox”. Possui mais livros do que precisa e não joga tanto quanto gostaria! Blogueiro eventual além de podcaster, mora e trabalha em Belo Horizonte/MG.

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