Então ontem chegou meu box com os Blu-Ray Discs do Superman. Duas versões do primeiro filme, duas versões do segundo, remasterizados (ou re-masterizados, porque usaram um master diferente do lançamento em BD de 2006), e Superman Returns. Revendo esses filmes, eu preciso dizer que mudei completamente de idéia em relação a eles.

Okay, okay. Eu não via dos filmes de 1978 (Superman I e II foram filmados ao mesmo tempo) desde criança. E assisti Superman Returns uma única vez quando do seu lançamento. Então minha opinião sobre os filmes era de Maria-vai-com-as-outras: Superman I é um marco, Superman II é piegas e Superman Returns é uma lástima.

Aí eu vi os três filmes back-to-back, conhecendo os bastidores de suas produções, e mudei de idéia em vários aspectos.  

Em primeiro lugar, eu preciso dizer que havia me esquecido que o Christopher Reeves É LIN-DO! Meldels, que cara bonito. Que perfeito Superman. Sem segundo lugar, Brandon Routh é o perfeito substituto pra Reeves. Desculpa, gente, mas eu assistiria uma franquia inteira de filmes do Superman com ele como Kal-El. Vamos falar dos filmes.

Tem duas versões do filme original na caixa. A primeira é uma re-masterização mais recente, que mantém a fotografia original e preserva os efeitos especiais. Tem alguns momentos em que o color matching não bate, mas não descobri o porquê. É super-sutil, porém, e você precisa ser bem chato pra notar. A versão extendida é a mesma remasterização que foi feita originalmente em 2006. Eles foram, como com várias remasterizações para Full HD na época, um pouco agressivos demais com alguns filtros nessa versão, mas fizeram um trabalho bem melhor do que algumas tragédias que aconteceram ao passar filmes da película para 1080p (O Último Guerreiro das Estrelas, estou olhando pra você!). 

Nada de especial aqui. O filme foi reeditado pra fazer sentido com a versão do diretor de Superman II, mas o filme ainda sustenta — quaisquer das versões. Eu não sei se eu estava investido após assistir horas de extras sobre a produção do filme, ou foram minhas memórias de infância de ver o VHS do filme até ele gastar, mas o filme ainda é muito bom. Velho, old-school, mas ainda muito divertido. Não sei se alguém sem nostalgia pelo filme ou alguém que não é investido na história do cinema iria apreciá-lo tanto.

Superman II foi vingado nesta edição. Richard Donner pôde retornar e reeditar seu filme, excluindo tudo o que dava pra excluir do diretor que o substituiu na produção, deixando esse filme tonalmente idêntico ao primeiro e fazendo uma história coerente. De fato, recomendo ver ambos os filmes juntos, como um só. Praticamente todo o humor pastelão da versão com a qual crescemos na Sessão da Tarde foi retirado, e nada de beijo amnésico pra Lois Lane. 

Tecnicamente, é um remaster mediano. Dá pra ver onde o filme foi terminado e quais os pedaços que foram aproveitados de rough cuts. Às vezes as cores não combinam entre cenas e a correção de cor não faz um bom trabalho nas cenas novas. O próprio Donner admite que estava trabalhando com um projeto semi-terminado, e que teria refilmado várias cenas se não tivesse sido afastado da produção. Ainda sim, a qualidade do remaster para 1080p é satisfatória, além de ser um marco histórico, finalmente poder ver o filme como o diretor pretendia que víssemos. Isso mais que vale a pena as ocasionais cenas que parecem ter sido coladas junto.

Tudo isso eu já esperava de saber da história da produção deste filme. O que me surpreendeu no pacote foi o filme de 2006, Superman Returns.

Eu vi esse filme com novos olhos. Não lembro do que não gostei dele quando saiu originalmente, e não sei onde estão as críticas de todas as Marias-vai-com-as-outras que malham esse filme pra ganhar clicks no YouTube. Ele combina perfeitamente com os filmes do Richard Donner, é verdadeiramente um Superman III. Brandon Routh está perfeito como Superman, e especialmente como Clark Kent. Fizeram uma excelente escolha de elenco. O diretor Bryan Singer, que queime no inferno o pedófilo maldito, dirigiu um filme tonalmente muito semelhante aos filmes de 78. Talvez com uma palheta mais sombria, graças ao tema de perda de esperança que permeia o filme, mas as cores e texturas se parecem bastante com os dois primeiros Superman.

Kevin Spacey é outro que mereceria elogios por sua versão no ponto de Lex Luthor, se ele não fosse também um estuprador desprezível; fiquei surpreso em não lembrar da Parker Posy como Kat, foi uma agradável participação; Frank Langela é o Perry White sem tirar nem por. 

Mas enfim. O filme foi duramente criticado pela nerdaiada… por quê? Eu lembro dos meus amigos zoando o filme ao saírem do cinema, por conta do clímax em que o Superman levanta uma ilha de kriptonita. Gente, o filme inteiro mostrou o Superman fazendo proezas impossíveis e mantendo a cara mais serena do mundo: não há esforço quando ele segura um avião inteiro, voa a velocidades super-sônicas, apaga um incêndio subterrâneo com um sopro só… Brandon Routh atua nessas cenas como se fossem nada. Por que não são nada. Ao longo de todo o filme, o Superman é super-sereno: ele quase não faz vendo quando se move a super-velocidades, sempre pousa de forma incrivelmente suave e é preciso em todos os seus movimentos. Quando ele chega na ilha de kriptonita, porém, ele despenca, rachando o chão. Ali já vemos que tem algo errado. Aí ele afunda no oceano, pronto pra morrer, e a cena é montada sem qualquer graça ou leveza. Depois de ser salvo pela família Lane (uma interessante inversão de papéis, já que ele acabara de salvá-los de afogamento), e se recuperar no avião do James Marsden, ele se despede da Lois, pois ele sabe que o que vai fazer pode matá-lo — do jeito que ele diz “good-bye, Lois” é óbvio que ele sabe que vai morrer. E o que ele faz? Vai para o espaço para recarregar. Literalmente o que ele faz nos quadrinhos, e também foi previsto no começo do filme quando a Lois está descrevendo os poderes dele: sua energia vem do sol. Só então ele tem força, renovada, o suficiente para levantar um maldito mini-continente. Faz todo sentido, não tem furo de roteiro. É um filme do Superman, gente! Thanos atira uma lua no Homem-de-Ferro; Superman ejeta um continente no espaço.

Talvez eu esteja vendo o filme com a distância de 15 anos, sem qualquer umas das espectativas que eu tinha quando fui ao cinema em 2006. Talvez eu conheça e aprecie cinema melhor hoje que há uma década e meia. Não sei, mas certamente prefiro que haja mais um bom filme no mundo que um filme ruim. E hoje sou fã de Superman Returns

Uma coisa que eu nunca gostei nas versões cinematográficas do Superman são as escolhas de atrizes para interpretar a Lois Lane. A Lois dos quadrinhos é uma mulher imponente, determinada, imperiosa, agressiva. A Lois Lane morde. As escolhas cinematográficas, Margot Kidder, Kate Bosworth, Amy Adams… são todas meigas, bonequinhas. Talvez a melhor Lois, para mim, tenha sido a Teri Hatcher, de Lois & Clark: The New Adventures of Superman. Ah, e Erica Durance também fez um bom trabalho em Smallville. É, como sempre, personagens da DC me agradam mais na TV que no cinema.

 Eu ainda não vi a Elizabeth Tulloch como Lois do Arrowverse mas, véi… eu estou esperando para rever Brandon Routh como Superman no mega-crossover the tá chegando! Brandon Routh é meu Superman!