Ao descobrir que o evento deste ano da RPGCon fora cancelado, eu me peguei pensando no que isso significa para nós, RPGistas, sobretudo os paulistas, tão carentes de um evento que nos reúna e que tenha aquele gostinho, que para a grande maioria, os finados EIRPGs tinham. Sinceramente, eu nunca fui fã da RPGCon; para mim, foi apenas um evento oportunista que aproveitou uma brecha num nicho que até então era completamente dominado pelo EIRPG e que, com a retirada inesperada da Devir livraria do meio, acabou por se formar; mas não posso negar que isso é um pouco aquela velha postura de saudosismo no melhor estilo “no meu tempo era melhor” (isso que eu nem peguei o período áureo do EIRPG).

Claro que entendo que o surgimento do evento foi, sobretudo, uma resposta para que o “mercado” do RPG não ficasse carente de pelo menos algum evento; porém, ao meu ver ele já começou errado. Quando se surge à sombra de um gigante, mesmo que fosse um gigante já bem decrépito como foram as últimas edições do EIRPG, eu sinceramente acredito que o melhor é aceitar que não se pode fazer frente a ele e “comer pelas beiradas” até que possa se bater de frente; nesse caso, não sei se por ingenuidade, excesso de auto-confiança ou o que quer que seja, a RPGCon começou com uma proposta muito grande, muito complexa e, por mais que tenha dado certo a primeira edição, é muito mais complexo manter a coisa do que criar. Acho que isso acabou contribuindo para o rápido declínio do evento, uma proposta muito grande, num momento em que o RPG não está mais num boom de jogadores. Manter muito da velha fórmula dos Encontros Internacionais pode ter sido bom num primeiro momento (vamos e venhamos, todos preferem aquilo que nos é familiar), mas acho que ajudou a matar o evento; eu mesmo nunca vi o evento como mais do que o filho calçando os sapatos do pai, um evento pequeno querendo brincar de ser grande, e era certo (na minha visão) que em algum momento ele iria tropeçar no caminho. A RPGCon, na minha opinião, nunca foi um evento diferente, só um nome diferente para uma versão menor do EIRPG, que vinha arrastando o cadáver de uma época em que o RPG era um passatempo bem mais difundido e que a dinâmica do evento funcionava como um todo.

O fim da RPGCon, na minha opinião, marca apenas o último suspiro do EIRPG, agora morto e enterrado. É sempre triste ver o fim de algo que marcou uma época, e é claro que o saudosismo disso vai durar ainda um bom tempo, mas quem sabe isso possa ser o começo de algo melhor. Talvez seja a hora de termos um evento com outra proposta ou formato, ou quem sabe aceitar que boa parte do público que participa do hobby também está ligado a outros passatempos que ganharam muito espaço nos últimos anos, como o animê ou as feiras e convenções de seriados e quadrinhos, talvez assim buscando o nosso espaço dentro desses eventos.

De qualquer forma, é claro para mim que um espaço está aberto e aquelas pessoas que estiverem dispostas a criarem algo que vá além de mais uma cópia do finado EIRPG podem acabar se surpreendendo e trazendo uma nova vitalidade ao RPG.

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