Esta é uma postagem patrocianada.

Jogos de cartas existem desde que seres humanos começaram a escrever. Há evidências arqueológicas de jogos de cartas em tempos e lugares tão antigos quanto a China imperial de dois mil e quatrocentos anos atrás, que podem ter chegado à Europa através dos sarracenos, que por sua vez aprenderam esse passatempo com os egípcios; aparentemente, jogos com pedras e peças, como mahjong e o dominó, derivam de jogos de cartas e não o inverso. E como sempre acontece com algo tão antigo e aparentemente tão universal, os jogos de cartas evoluíram para os tipos mais complexos de jogos e até ganharam conotações místicas — o tarô originou-se no século 18 de um simples jogo de cartas italiano, por sua vez surgido no século 15.

"Poker" © 2006 Ronin (via DeviantArt)

Esse jogo italiano de 52 cartas numeradas, nomeadas e ilustradas é também o precursor dos baralhos modernos. É com esse baralho que se jogam praticamente todos os jogos “modernos” no Ocidente. Já o Oriente parece ter ficado nos jogos com pedras, apenas reabsorvendo jogos de cartas, no formato de jogos colecionáveis, na década de 1990; mais sobre isso abaixo. Talvez o jogo mais famoso no Oeste seja o poker (ou pôquer). Tipicamente norte-americano, há variações de suas regras para um tradicional jogo francês, por exemplo, e até mesmo no Brasil gerações inteiras têm preferido jogar o elegante jogo de cartas, que remete a saloons no velho-oeste e barcos a vapor, ao truco, visto como um jogo rude e simplório (ironicamente, as origens do pôquer também estão em gente rústica da fronteira, mas isso é história para outro dia). De tão popular, o pôquer pode até ser jogado on-line, tanto valendo dinheiro de verdade como apenas por diversão — obviamente, recomendamos a versão “de festa”, como o site PartyPoker.com.

E aí chegamos aos jogos de cartas dos nerds, dos geeks e dos colecionadores. Não demorou muito para que empreendedores modernos começassem a usar a superfície das cartas para criar “decks” colecionáveis (mas ainda não-jogáveis). São famosíssimos os leilões de cartas com estatísticas de jogadores de beisebol, algumas “ainda com o cheiro de chiclete” valendo centenas ou mesmo milhares de Dólares. Para juntar as cartas colecionáveis com jogos, bastou um passo.

O final do século 20 viu o advento (e a explosão) dos jogos de cartas colecionáveis, uniformemente chamados de “colectable card games” ou CCG. Talvez o maior fascínio que eles trazem (além das ótimas ilustrações e tecnologias modernosas, como papel metalizado, transparências e hologramas) sejam a característica de coleção — um prazer inerente ao cérebro humano, em especial no momento da infância quando conceitos de ordenação e classificação se desenvolvem — e de competitividade. Mesmo que indivíduo jogue apenas pelo “fair play”, é natural de nossa espécie sentir prazer em um pouco de competição.

De Pokémon a Yu-Gi-Oh!, os orientais ironicamente inundaram o Ocidente com sua mania pelo CCG, provavelmente inspirada não nos jogos de cartas tradicionais, como pôquer ou blackjack, mas no mais famoso CCG de todos, o Magic: The Gathering, da Wizards of the Coast. E hoje temos inúmeros tipos de jogos de cartas colecionáveis, dos mais simples aos mais complexos, com campeonados rivalizando os mundiais de pôquer em tamanho e valor dos prêmios.

Praticamente todo elemento da cultura geek tem sua versão como jogo de cartas colecionáveis, de filmes a desenhos animados, de gibis a séries de livros, de jogos de tabuleiro a RPGs.

Eu sempre fui fã de jogos de cartas não-colecionáveis (um nicho pequeno) e recentemente adquiri o desconhecido X-Men Trading Card Game, lançado (e cancelado) em 2000 pela mesma WotC do Magic, em parceria com a Marvel Entertainment e a Twentieth Century Fox, para aproveitar o “hype” do filme de Bryan Singer. Gostei muito do jogo, e o fato de suas 121 cartas formarem um jogo fechado — uma vez que o jogo não é mais produzido — e serem relativamente fáceis e baratas de achar me deixaram ainda mais empolgado. Já comprei uma caixa fechada de “boosters”, que deve chegar mês que vem, aumentando minha coleção de 61 cartas (do “starter set”) para absurdas 457. Uma coisa que eu adoro fazer ao pesquisar sobre um jogo é assistir a vídeos dele sendo jogado, o que não encontrei para o CCG dos X-Men. Por isso pretendo fazer eu mesmo um e soltar na internet.

Você não perde por esperar. Enquanto isso, qual é seu CCG favorito?

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundarista de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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