Autor: Ed Greenwood
Ano de publicação: 1987 (edição original) / 1988 (edição que li)
Editora: TSR

Capa da edição de 1988

Eu achei este livro super-bem conservado para um paperback de 24 anos de idade num sebo e o agarrei como se tivesse acabado de encontrar um cacho de tâmaras no meio do deserto. Não precisava de tanto afã, mas à época eu não sabia que estava para ler uma aventura água com açúcar.

O livro conta a história de Shandril, ladra iniciante, e Narm, aprendiz de mago, dois jovens que se conhecem na estalagem The Rising Moon, em Deepingdale, e suas agruras ao tentarem se tornar, cada um a seu modo, aventureiros. A história de ambos rapidamente se torna uma (o que fica óbvio logo nas primeiras páginas do livro) e eles acabam por enfrentar (ou melhor, fugir de) perigos como o Culto do Dragão, os demônios das ruínas de Myth Drannor e até mesmo os Zhentarim. Seus caminhos acabam se cruzando com os Cavaleiros de Myth Drannor e o próprio Elminster de Shadowdale.

Se você gosta de alta fantasia razoável, mas sem mais nem menos, com participações grandes de alguns dos personagens mais icônicos de Forgotten Realms, «Spellfire» é para você. Não espere uma obra-prima — este livro é uma pálida sombra de outros livros do Greenwood, como «Elminster: The Making of a Mage», algo que acho aceitável, haja vista «Spellfire» ser um dos primeiríssimos romances lançados pela TSR no cenário de Forgotten Realms.

Este livro contém um monte de magia sendo disparada para lá e para cá, algo que gosto muito, e todos os personagens são exagerados em sua grandeza (me diverti, em particular, com o ladrão Torm e o clérigo de timora Rathan e suas habilidades sobre-humanas, quase super-heróicas, especialmente se comparados com os assombrosos poderes mágicos demonstrados por seus amigos). Eu acho que este é um daqueles raros livros que trazem uma história de aventura que verdadeiramente se parecem com o que você tem em uma mesa de jogo, com um bando de aventureiros que atravessa reinos inteiros, vilões aleatórios e combate depois de combate — e algumas participações especiais de NPCs icônicos.

Capa da edição expandida de 2005

Tudo isso é a melhor parte do livro, e talvez o único motivo para lê-lo, porque eu acho que a história tende a se arrastar lá pelo terço final. «Spellfire» tem 384 páginas, mas teria sido melhor se tivesse 250 ou menos — nunca é uma coisa boa quando estou desejando que o livro acabe mas ainda faltam cinqüenta páginas para terminar. Ouvi que o Ed Greenwood acrescentou mais de trinta páginas à reedição de 2005; não consigo me imaginar pegando uma edição ainda mais longa deste livro para ler novamente. Não me entenda mal, eu me diverti com a jornada pela qual este livro me levou, mas a história deveria ter sido mais concisa, não expandida!

De modo regal, recomendo não deixar de ler este livro se você for um fã hardcore de Forgotten Realms. Caso contrário, procure por outras obras do Greenwood

Qualificação: ★★☆☆☆ (2 estrelas: fraco)


Meu sistema de qualificação: 1 estrela: não gostei, 2 estrelas: livro meia-boca, 3 estrelas: gostei, 4 estrelas: gostei muito, 5 estrelas: estupendo. A quantidade de estrelas reflete o quanto gostei da leitura, não a qualidade da escrita. Um livro pode ser maravilhosamente bem escrito e eu não gostar; outro pode ser meio amador mas eu adorar de paixão.


Esta crítica foi originalmente publicada no GoodReads.com. Clique aqui para ler o original em inglês.

Marcelo foi criança nos anos 80, então videogame pra ele é Sega, RPG é HeroQuest e calçado é All Star. Lê ficção especulativa sempre que pode, de preferência David & Leigh Eddings, Anne McCaffrey e John Scalzi. Evita TV como a peste — exceto se estiver passando Jornada nas Estrelas ou Supernatural. Gosta mais de cães do que de gente e abandonou a carreira de professor secundarista de História para pesquisar história da saúde pública na Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto.

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