Normalmente eu costumo escrever sobre Dragonlance. E, como todos sabem, meu grande foco no RPG é falar sobre interpretação, mas resolvi sair do meu cânone “dragonlanceano” para falar sobre um assunto importante.

Começo com uma pergunta: por que personagens como Tanis, Elmister, Tenser, Moderkain, Drizzt e Raistlin são sempre lembrados e cultuados por jogadores e mestres?

Ora, a resposta é simples: todos realizaram feitos de grande reconhecimento. Mas será que Raistlin só foi reconhecido quando destronou Takhisis? Não, claro que não! Ou será que foi quando ele, junto aos heróis da lança, selou o destino de Takhisis, impedindo que ela ganhasse a guerra em Neraka? Ou será que foi quando Bupu, a pequena gully dwarf na qual ele lançou um feitiço, experimentou um momento de puro reconhecimento simples? Percebem onde quero chegar?

Um grande guerreiro, um bondoso paladino ou o vilão mais cruel e vil do mundo podem, é claro, ficar reconhecidos depois de criarem um grande evento, mas isso é improvável… É muito mais provável que ele vá ganhando nome e conhecimento conforme seus pequenos atos estão se desenvolvendo e ele próprio cresce conforme as missões ou atos que decide realizar, se tornam maiores e mais perigosos!

Drizzt começou como um mero coadjuvante do 'protagonista', Wulfgar

O guerreiro local pode começar sua fama por açoitar os lobos que atacam o vilarejo. Se ele o fez, e fez bem, DM, dê os merecidos créditos (e eu não estou falando em XP)! A maioria dos Mestres se esquece que, depois de um grande desafio superado, mesmo o mais humilde e abnegado dos heróis gostaria de ouvir um obrigado! De saber que as pessoas apreciaram seu trabalho e, por favor, um guerreiro de 2º. nível pode ser uma lenda local, basta que os desafios que se apresentaram sejam maiores que qualquer outra pessoa na vila possa resolver e menores que as habilidades que ele possui. Trocando em miúdos, um personagem não precisa ser de 10º., 20º., 30º. nível em determinadas campanhas. É até interessante ver o crescimento dos personagens! Veja que não usei o termo fama, pois uma pessoa pode ser extremamente reconhecida sem ser famosa e, aí, cito um exemplo do mundo real: todo brasileiro já ouviu falar de Oscar Niemayer, um grande arquiteto brasileiro, famoso e reconhecido mundo afora e, para muitos, o cara que projetou Brasília! Correto? Errado! Brasília foi projetada por um arquiteto absurdamente mais reconhecido que Oscar Niemayer, mas que não gostava da publicidade e da fama, tanto que, até hoje, são poucas as pessoas (excetuando-se a maioria dos arquitetos, é claro) que sabem que quem projetou e construiu a cidade de Brasília foi Lucio Costa. Niemayer projetou apenas alguns dos prédios e nada mais!

Logo, reconhecer um personagem não é necessariamente torná-lo famoso (mas concordo que facilita). É simplesmente fazer com que a maioria das pessoas e, no nosso caso, criaturas saibam de seus feitos.

Um bom exemplo foi certa vez, quando meu grupo estava jogando D&D. Estávamos em níveis épicos e encontramos, andando em uma floresta próxima à cidade natal dos personagens, um grupo de goblins que assolava a vila destes. Nosso próprio grupo, anteriormente — quando em níveis mais baixos — fomos capturados por eles, sendo posteriormente resgatados. Ao sermos novamente emboscados por aquele grupo goblin, o Mestre narrou vividamente suas caras de decepção e medo ao perceberem que estavam tentando emboscar não mais um grupo qualquer, e sim um grupo de heróis; tanto que, nesse momento, eles sabiamente decidiram fugir pra bem longe. Nós todos ficamos satisfeitos, é claro. Nessa sessão não tivemos nenhum encontro combativo, mas esse interlúdio fez TODOS os jogadores saírem com um sorriso de orelha a orelha! E garantiu muito mais ânimo para a próxima sessão, onde a única coisa que fizemos foi realizar o encontro final da campanha!

Mestres, percam 5 minutos da sua sessão de jogo para criar formas de reconhecer os feitos de seus jogadores e eles continuarão voltando com mais vontade de surpreender você!

Fe Palado calib, Fe Istaras apalo

Douglas é jogador de futebol americano pelo São Paulo Spartans, sempre arruma um tempinho para jogar RPG desde os 10 anos de idade, e nas horas vagas — mas só mesmo nas horas bem vagas— ele é arquiteto.

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