(Dessa vez os fatos são verídicos, para deleite dos trekkers de plantão…)

Era um belo dia ensolarado. Terça-feira eu presumo, para que os fatos sejam coerentes. Coerente para o meu ponto de vista, mas enfim. Uma bela manhã, na época do lançamento do “Star Trek” nos cinemas. Via-se no campus da universidade, o retorno do nome “Spock”, ou então “velocidade de dobra”, no vocabulário dos alunos. Perdoem-me se estou trazendo lembranças do seu passado, leitor. Isso não é minha intenção. Mas vamos voltar a história.

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Uma bela manhã. Eis que surge Sheldon (nome preservado para evitar futuros problemas), aspirante a físico (para quem acompanha o sitcom “The Big Bang Theory”, existe uma certa semelhança entre esse meu amigo e o personagem homônimo). Ele caminha calmamente em direção de sua aula: Geometria Analítica. Ah, nem sinto saudade dessa matéria da minha época de calouro. Era deprimente e faz-me lembrar de uma bulgára que eu preferia não ter conhecido. Ops… perdoem-me novamente. Estou fugindo do ponto de interesse.

Segue então Sheldon no rumo da sala. Na calçada oposta, o passo largo não engana. O jeito curvado e os cabelos esvoaçantes no auge de seus trinta e poucos anos revelam a sua identidade: estava chegando o professor Ricardo, o garoto-prodígio, gênio da matemática. Sheldon tinha aula com ele. Era interessante ouví-lo falar, sobre hiperplanos, sobre retas, elipses, toróides. Eu tive oportunidade de assistir uma aula dele: o cara manda muito bem. Interage com a sala, além de se preocupar com o feedback dos alunos… é, acho que estou me desviando novamente. Pois bem, o professor e Sheldon chegam a sala. Eram pontuais: cinco para as oito entavam dentro da sala. Iriam até as 10 da manhã. Ricardo pegou o grampead… digo apagador, limpou a lousa, colocou a data e esperou o relógio bater 8 horas. Então colocou o celular em cima da mesa e começou.

Explanou suas ideias: curvas no espaço, viagens em R(n), coisas típicas de matemática. “Vo-vocês po-po-dem enxergar isso. É-é-é claro que po-podem (pausa). E-e-então exercício pessoal, exercício!”. Natural. Sheldon ouvia e anotava, afinal era importante e interessante. Parecia uma aula normal, mas não era. Não era, pois em um determinado momento o celular sobre a mesa tocou. E vibrou. Até então tudo bem. Só que eram a música e o ritimo dos sons do transponder do Spock! Para um trekker de ouvidos atentos aquele era um sinal: havia um semelhante aos arredores. E Sheldon é um desses. De carteirinha. Quase pulou de felicidade ao ouvir o som tão familiar. Além de bom professor, aquele cara que estava desligando o celular para evitar que tocasse novamente era um dos seus. Era alguém que merecia o respeito máximo… ok, acho que já entenderam.

Sheldon precisava de um contato sobre o assunto. Ficou quieto em seu canto esperando a oportunidade. A aula continuou. Ele não conseguia pensar em mais nada. Aliás, quem conseguiria?

Bom, a aula enfim terminou. Sheldon então teve uma ideia: iria apenas cumprimentar Ricardo! Esperou a galera sair, chegou próximo a ele, fez o cumprimento típico vulcaniano. E então segue o diálogo:

— Professor, vida longa e prosperidade! – diz Sheldon.

— O que é isso? – o professor pergunta, com um olhar incrédulo e uma cara de “whatafuck?”

— Professor, mas como? Spock… Star Trek… o toque do seu celular… um transponder… – Sheldon gaguejava. Parecia que tinha feito bobagem…

— Hum… isso não é nada.

— Mas… — ele estava ficando pálido

— Eu coloquei porque gostei do som. Não sou muito fã de Star Trek — estava justificando — Agora, se me dá licença, preciso ir andando.

O chão parecia desabar sob os pés de Sheldon. Não era possível, estava desiludido. Foi então que percebeu que todos estavam assistindo a cena. Eram 150 alunos rindo de sua cara…

William Miyazaki gosta de observar a mesa, seus paricipantes, a dinâmica, as idéias, as iditiotices e a grandes consagrações. Por que não dissertar sobre elas, ou inventar histórias malucas? Ou simplesmente deixar o jogo correr e a aventura continuar?

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