É com essa pergunta capciosa e original que eu abro esse artigo. Tudo começou esta semana quando chegaram meus dados “incomuns” comprados na Amazon (por um sucesso crítico do destino, chegaram pelo frete mais barato em apenas 4 dias!). O conjunto consiste em 14 dados, 7 tradicionais e 7 especiais: d3, d4, d5, d6, d7, d8, d10, d%, d12, d14, d16, d20, d24 e o d30. Eles ganharam força alguns anos atrás com o forte movimento Old School (cujos representantes gringos atuais mais famosos são o Lamentations of the Flame Princess e o Dungeon Crawl Classics). Para seus idealizadores, fazia parte da brincadeira e da experiência, portando, emular não só o sentimento das aventuras antigas, mas também do seu primeiro contato com aqueles curiosos poliedros. Não jogo nenhum dos jogos citados, logo, abri o pacote da Amazon, olhei por um bom tempo os dadinhos e me indaguei: “que diabos farei com isso? ”

Foto por Ranieri Mattos

Foto: © 2015 Ranieri Mattos

Por isso, esse texto é uma espécie de reflexão descomprometida de como esses dados incomuns podem ser usados em sua mesa. O intuito é apenas fornecer sementes para possíveis house rules. Por exemplo:

Incrementar a margem de dano: seria interessante um ajuste em sua campanha de D&D onde um soco cause 1d3 de dano, uma adaga 1d5, um cajado 1d6, uma maça estrela 1d7, uma espada curta 1d10, uma espada longa 1d12, um mangual 1d14 e um montante 1d16. Não falo de realismo aqui, tenha dó! Vamos nos ater ao raciocínio original do jogo, apenas aplicando um escopo mais amplo no estrago das armas e maior individualidade entre elas.

Esforço heroico: pense em alguma mecânica de “queima de pontos” para melhorar um teste ou dano. Pode ser pontos de fé, pontos heroicos, drama points, mana, força de vontade, seja lá o que o seu sistema utilize. Se o seu machado causa normalmente 1d12 de dano, ao “queimar um ponto”, ele subirá para 1d14 até o final do turno. Se o seu teste será feito usando 1d20, que tal rolar 1d24 no clímax da aventura?

Aprimoramento nas magias: essa idéia marota consiste em aprimorar os efeitos das magias com determinados componentes. Por exemplo, você pode estipular que rubis aumentam o dano de magias de fogo em seu mundo. Pode ser que a pedra se perca na execução do efeito, mas em compensação, o dano que seria 2d6, muda para 2d7. Acho que é uma forma de integrar melhor os componentes mágicos e criaria situações bacanas com o mago do grupo pesquisando sobre diversos materiais e suas propriedades.

“Que arma é essa?”: dados exóticos para armas exóticas, por que não? O grupo se depara com um inimigo desconhecido, com seu próprio arsenal e matéria-prima. Logo, seria interessante eles encontrarem o que poderia parecer uma simples espada curta e depois de um tempo de estudo, descobrir que a arma possui mercúrio líquido dentro dela, o qual altera o equilíbrio e peso da arma, justificando assim, o 1d7 de dano, ao invés do conhecido 1d6. Seguindo um raciocínio parecido, um artefato lendário na forma de um Great Axe por exemplo, poderia causar 1d14, ao invés de 1d12, só porque foi forjado por anões de outrora, que utilizaram técnicas perdidas de têmpera de metais.

Tabelas de encontro aleatório mais orgânicas: imagine que você montou uma tabela de encontros aleatórios para um bosque. Sua tabela de 1d20, possui todos os tipos de inimigos que o grupo pode encontrar na área, mas digamos que ela pode ficar mais interessante, montando uma tabela mais complexa com 1d30, caso o grupo atravesse a mesma região, durante a madrugada. Basta incluir criaturas mais fortes e/ou com hábitos noturnos.

Intimidação: seria interessante também guardar esses dados apenas para os “chefes de fase”, como o general orc do exército inimigo, o gigante que vem assolando a região ou o dragão que guarda o tesouro. O grupo vai se cagar quando descobrir que aquele dragão vermelho ancião não ataca com o D20 e sim com o D30! Hihihi, bom DM tem que tocar o terror mesmo!

Seu próprio jogo: esse kit de dados incomuns pode servir também para inspirar você a criar todo um novo conjunto de regras. Seja para usar em um RPG, num boardgame ou num cardgame. Infelizmente o risco é óbvio: poucas pessoas possuem um conjunto de dados incomuns, mas vale pela experimentação, acredito eu.

Design: se no fim, se tudo falhar, saiba que os dados possuem um desenho único, o que faz chamar a atenção até mesmo dos jogadores experientes. O conjunto ficará bonito em display em sua estante.

Como podem ver, as possibilidades são inúmeras. Como você utilizaria dados esses dados bizarros? Alguma idéia para compartilhar?

Bons jogos a todos!

Trabalha com Cinema e TV desde 2005 e joga RPG desde 1994, ao qual mantém uma relação de amor e ódio com D&D. Dono do podcast de cultura pop Dimensão 7.

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